Faz-se um parapeito para o telhado e para a varanda de forma tosca, mas não de forma refinada. Alisam-se as rachaduras e as nivelam com o rolo, à mão e ao pé, mas não com a ferramenta de aço. A dobradiça, o buraco, a viga, a fechadura e a chave que se quebraram consertam-se no Chol HaMoed, contanto que não se planeje deliberadamente o trabalho para o Chol HaMoed. E todas as conservas que se pode comer no Chol HaMoed, conservam-se. — Um parapeito de segurança — exigido para evitar que alguém caia do telhado — é permitido, mas apenas se construído de forma tosca, empilhando pedras sem argamassa, e não com o acabamento refinado de um profissional. Da mesma forma, tapar rachaduras que deixariam a chuva infiltrar é permitido, mas apenas com ferramentas simples — a mão, o pé, ou um rolo de madeira —, nunca com a ferramenta de aço usada pelo profissional. Reparos emergenciais de peças essenciais da casa — a dobradiça da porta, o encaixe no batente, a viga da entrada, a fechadura e a chave — são permitidos no Chol HaMoed, mas com uma condição central: que a pessoa não tenha adiado o conserto de propósito, esperando fazê-lo justamente durante a festa. E, por fim, qualquer alimento que se possa colocar em conserva a tempo de ser comido ainda durante o próprio Chol HaMoed pode ser preparado, pois atende a uma necessidade imediata e real dos dias da festa.
É este mandamento que fundamenta a primeira cláusula da mishná: o parapeito não é um mero conforto arquitetônico, mas um preceito bíblico direto contra o perigo de morte. Justamente por essa urgência de segurança, a mishná permite construí-lo mesmo no Chol HaMoed — mas, seguindo o princípio geral do capítulo, apenas de forma tosca, o suficiente para cumprir o preceito e evitar o perigo, sem o acabamento elaborado que ultrapassaria o necessário para os dias intermediários da festa.
Rambam explica a condição central de toda a segunda metade da mishná: não planejar o trabalho para o Chol HaMoed.
Bartenura identifica cada peça técnica mencionada na mishná; Rashi acrescenta, da Guemará, o relato histórico sobre o barulho do martelo no Chol HaMoed.
O "machalatzayim" mencionado na mishná é uma ferramenta de aço que os construtores profissionais usam para alisar superfícies com precisão — o que hoje se chamaria uma plaina ou instrumento de acabamento. Justamente por ser a ferramenta do profissional, ela fica de fora da permissão do Chol HaMoed: o resultado que ela produz é fino demais para os dias intermediários da festa, mesmo quando o próprio reparo — tapar uma rachadura — é permitido com instrumentos mais simples.
A "dobradiça" (tzir) é o gonzo da porta, que gira dentro do buraco da soleira inferior da entrada; o "buraco" (tzinor) é justamente esse orifício na soleira onde o gonzo gira; e a "viga" refere-se às próprias vigas estruturais da casa que se quebraram — mesmo que a quebra tenha ocorrido antes da festa, o conserto ainda é permitido no Chol HaMoed, contanto que não tenha sido deixado de propósito.
Rashi traz o relato da Guemará: até os dias de Yochanan, o Cohen Gadol, o som do martelo do ferreiro — usado no reparo desses mesmos objetos de metal — ainda ecoava em Jerusalém durante o Chol HaMoed, e ele decretou proibindo esse ruído específico, por seu volume perturbar a atmosfera de festa da cidade. A Guemará distingue, então, entre a marreta pesada do ferreiro — proibida por gerar muito ruído — e ferramentas de madeira, como um martelo de carpinteiro, que continuam permitidas por não produzirem o mesmo incômodo sonoro; e nota que a mishná, ao permitir consertar fechadura e chave, refere-se especificamente ao conserto com essas ferramentas mais silenciosas.