Rega-se o campo sedento no Chol HaMoed e no ano sabático, seja de uma fonte que começou a jorrar agora, seja de uma fonte que já jorrava antes. Mas não se rega com água de chuva, nem com água de poço de roda. E não se fazem sulcos para as videiras. — O campo sedento — aquele que sofre prejuízo real se não for irrigado continuamente — pode ser regado mesmo nos dias intermediários da festa, porque os sábios permitiram o esforço necessário para evitar uma perda efetiva. Tanto faz se a água vem de uma fonte nova, que só agora começou a jorrar, quanto de uma fonte antiga: em ambos os casos não há esforço extra em aproveitá-la. Já a água de chuva acumulada e a água de poço de roda — que exigem tirar a água com balde, um trabalho considerável — não podem ser usadas, pois ali o esforço ultrapassa o que os sábios permitiram mesmo para evitar prejuízo. Pela mesma razão, não se abrem sulcos novos ao redor das raízes das videiras para reter água, pois essa é uma obra que começa do zero.
A Guemará (Chaguigá 18a) deriva do contraste entre o sétimo dia — dia de assembleia solene, plenamente restrito ao trabalho — e os seis dias anteriores, que não recebem essa mesma restrição total, que os sábios receberam autoridade para definir quais trabalhos são permitidos e quais são proibidos nos dias intermediários da festa. Se a Torá restringisse igualmente todos os sete dias, não haveria distinção entre o Chol HaMoed e o próprio dia de festa; se não restringisse nenhum dos seis, tudo seria permitido. A Escritura, portanto, entregou aos sábios o critério: proibiram o trabalho evitável, mas permitiram aquele que evita um prejuízo real, como a irrigação do campo sedento tratada nesta mishná.
Rambam explica o critério geral por trás da permissão — o prejuízo evitável — e por que a água de poço de roda fica de fora.
Bartenura precisa quando um campo é considerado "sedento" o bastante para permitir a irrigação; Rashi explica por que a água de chuva acumulada também é proibida.
"Sulcos" (ugiyot) são pequenas escavações feitas ao redor das raízes das árvores, nas quais a água se acumula. Como se trata de abrir uma obra nova — não apenas manter algo já existente —, essa prática fica fora da permissão concedida ao Chol HaMoed, ainda que sirva, em última análise, para evitar prejuízo às plantas.
"Regar o campo sedento" — terra exausta e sedenta de água; em aramaico, "meshalhei", a fatigada. E é especificamente o campo de cereais que, por ser sedento, é regado no Chol HaMoed — pois desde o momento em que se começa a irrigá-lo, se não continuar recebendo água a cada intervalo, ele imediatamente se perde. Já um campo de árvores frutíferas, ainda que classificado como "sedento", não recebe essa permissão no Chol HaMoed, pois não sofre a mesma perda imediata. No ano sabático, porém, é permitido regar tanto o campo de cereais sedento quanto o campo comum, pois ali a restrição não é sobre o esforço, mas sobre lavrar e semear a terra.
"Rega-se o campo sedento no Chol HaMoed" — trata-se de um campo situado em terreno elevado, que precisa ser regado continuamente; ele é regado mesmo no Chol HaMoed, porque deixar de fazê-lo lhe causaria grande prejuízo, e os sábios permitiram esforçar-se no Chol HaMoed justamente para evitar uma perda — como se aprende de Chaguigá (18a), onde se deriva do versículo que a Torá deixou aos sábios o critério de qual trabalho é proibido nesses dias e qual é permitido.
Sobre "água de chuva" — Rashi explica que essa água é proibida por envolver esforço excessivo, conforme a Guemará detalha mais adiante: trata-se de água acumulada em poços fundos, que exige o trabalho considerável de tirá-la com balde, o mesmo motivo pelo qual a água de poço de roda também é vedada.