A Câmara da Fogueira era abobadada, e era uma casa grande, cercada de socos de pedra; e os anciãos da casa paterna dormiam ali, com as chaves do átrio em suas mãos. E os jovens sacerdotes, cada um colocava sua roupa de cama no chão.
Descreve-se a estrutura física da Câmara da Fogueira — uma sala grande, abobadada e sem andar superior, cercada de bancos de pedra —, onde os anciãos da divisão sacerdotal de serviço dormiam guardando as chaves do átrio, enquanto os sacerdotes mais jovens dormiam diretamente no chão.
Rambam explica que, segundo o que se depreende desta mishná, precisavam de chaves para fechar as portas, e certamente suas fechaduras eram semelhantes às fechaduras conhecidas, em nossa língua, como “chaves de torno”, que se fazem entre nós e não se abrem senão com suas próprias chaves; e já se mencionou a explicação desta halachá no início de Tamid.
Bartenura explica: “a Câmara da Fogueira era abobadada” — a construção da Câmara da Fogueira não tinha andar superior, mas uma abóbada feita ao nível do chão. “Cercada de socos de pedra” — bancos ao redor, de pedras lavradas, embutidos na parede e projetando-se dela para dentro da Câmara da Fogueira, rente ao chão; e sobre eles, outras pedras mais curtas, também projetadas da parede, formando uma espécie de degraus, uns sobre os outros.
“E os anciãos da casa paterna” — o turno se dividia em sete casas paternas, conforme o número de dias da semana, cada uma servindo em seu dia; e os anciãos da casa paterna daquele dia dormiam ali, sobre esses socos. “E os jovens sacerdotes” — rapazes cuja barba começava a despontar, e eram eles os guardas.
“Cada um colocava sua roupa de cama no chão” — pois não lhes era permitido deitar-se ali sobre leitos, senão no chão, à maneira dos guardas dos pátios dos reis. “Roupa de cama” — expressão que designa cobertores e roupas de cama.