A quinta mishná descreve o processo de limpeza do trigo — trezentos esfregaços e quinhentos golpes — e a divergência entre Rabi Yehudá e Rabi Meir sobre a quantidade padrão de pães em cada categoria de oferenda: dez ou doze.
Todas as oferendas vegetais requerem trezentos esfregaços e quinhentos golpes; o esfregaço e o golpe, no trigo. E Rabi Yosei diz: também na massa. — Antes de moído em farinha, o trigo destinado às oferendas passava por um processo de limpeza: esfregava-se o grão para remover a casca, e golpeava-se para quebrar o que restasse dela, num total fixo de trezentos esfregaços e quinhentos golpes. Rabi Yosei acrescenta que esse mesmo tratamento — esfregar e golpear — era repetido depois, já sobre a massa preparada, a fim de alisá-la.
Todas as oferendas vegetais vêm em dez, exceto o pão da proposição e as fogaças do sumo sacerdote, que vêm em doze, palavras de Rabi Yehudá. Rabi Meir diz: todas elas vêm em doze, exceto as fogaças de agradecimento e as do nazireato, que vêm em dez. — A mishná fecha com a quantidade padrão de pães que compõem cada oferenda: dez fogaças ou dez wafers por décimo de efá de farinha, segundo Rabi Yehudá, com apenas duas exceções que vêm em doze — o pão da proposição semanal e a oferenda diária do sumo sacerdote, ambas derivadas por analogia textual do termo "estatuto perpétuo". Rabi Meir inverte a lógica: para ele, a regra geral é doze, e são as oferendas de agradecimento e de nazireato que constituem a exceção, vindo em dez.
Rambam liga a palavra "esfregaço" (shifá) à raiz do versículo "te ferirá a cabeça", descrevendo o ato de bater o trigo com as mãos com força até remover-lhe a poeira e a casca, enquanto o "golpe" (beitá) é feito pisando-o com o pé até quebrar-se. Explica que, segundo Rabi Yosei, esse mesmo tratamento se repete também sobre a massa. Sobre a quantidade de pães, mostra que o número dez para a maioria das oferendas é aprendido da Torá, enquanto o pão da proposição tem doze pães explícitos no versículo, e por analogia verbal ("estatuto") as fogaças do sumo sacerdote recebem também doze, seis de manhã e seis à tarde. Rabi Meir deriva todas as demais oferendas a partir do pão da proposição, com exceção da oferenda de agradecimento e da de nazireato, que permanecem em dez. A halachá não segue Rabi Yosei, mas segue Rabi Yehudá.
שִׁיפָה. שֶׁמְּשַׁפְשֵׁף הַחִטָּה בֵּין יָדוֹ לַכְּלִי כְּדֵי שֶׁתְּהֵא נוֹחָה לְהָשִׁיר קְלִפָּתָהּ:
בְּעִיטָה. שֶׁבּוֹעֵט בָּעֳבִי אֶגְרוֹפוֹ אוֹ בָּעֳבִי פַּס יָדוֹ. וְהָיָה שָׁף אַחַת וּבוֹעֵט שְׁתַּיִם, שָׁף שְׁתַּיִם וּבוֹעֵט שָׁלֹשׁ, וְחוֹזֵר וְעוֹשֶׂה כַּסֵּדֶר הַזֶּה עַד שֶׁגּוֹמֵר חֲמֵשׁ מֵאוֹת בְּעִיטוֹת לִשְׁלֹשׁ מֵאוֹת שִׁיפוֹת:
הָכִי גָּרְסִינַן רַבִּי יוֹסֵי אוֹמֵר בַּבָּצֵק. כְּלוֹמַר, שִׁיפָה וּבְעִיטָה בַּבָּצֵק וְלֹא בַּחִטִּין. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי יוֹסֵי:
עֶשֶׂר עֶשֶׂר חַלּוֹת. וּמִנְחַת סֹלֶת נַמִּי אַף עַל גַּב דְּקֹדֶם אֲפִיָּה נִקְמֶצֶת, אֲפִלּוּ הָכִי עֶשֶׂר חַלּוֹת הִיא בָּאָה:
לֶחֶם הַפָּנִים. בְּהֶדְיָא כְּתִיב בֵּיהּ שְׁתֵּים עֶשְׂרֵה חַלּוֹת:
וַחֲבִתֵּי כֹהֵן גָּדוֹל. נֶאֱמַר בְּלֶחֶם הַפָּנִים חָק עוֹלָם וְנֶאֱמַר בַּחֲבִתֵּי כֹּהֵן גָּדוֹל חָק עוֹלָם, מַה לְּהַלָּן שְׁתֵּים עֶשְׂרֵה חַלּוֹת, אַף כָּאן שְׁתֵּים עֶשְׂרֵה חַלּוֹת, וּמַקְרִיבִין מֵהֶן שֵׁשׁ חַלּוֹת בַּבֹּקֶר וְשֵׁשׁ חַלּוֹת בָּעֶרֶב:
חוּץ מֵחַלּוֹת תּוֹדָה שֶׁהֵן בָּאוֹת עֶשֶׂר. כִּדְבָעִינַן לְמֵימַר טַעֲמָא לְקַמָּן בְּאִידָךְ פִּרְקִין. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר:
Bartenura descreve o esfregaço como o ato de friccionar o trigo entre a mão e o utensílio para soltar a casca, e o golpe como um soco dado com o punho ou a palma, alternados numa sequência fixa — um esfregaço, dois golpes, dois esfregaços, três golpes, e assim por diante, até completar trezentos esfregaços para quinhentos golpes. Registra a leitura de que Rabi Yosei aplica esfregaço e golpe à massa, não ao trigo, e que a halachá não o segue. Sobre a quantidade de pães, confirma que mesmo a oferenda de flor de farinha, apesar de ter o punhado retirado antes de assada, ainda assim vem organizada como se fossem dez fogaças; que o pão da proposição tem doze pães explícitos na Torá; e que a comparação verbal entre "estatuto perpétuo" no pão da proposição e nas fogaças do sumo sacerdote ensina que estas também vêm em doze, seis oferecidas de manhã e seis à tarde — exceto as fogaças de agradecimento, que vêm em dez, segundo Rabi Yehudá; a halachá não segue Rabi Meir.
Rashi define o esfregaço como o movimento de ir e vir da palma da mão sobre os grãos, e o golpe como o soco dado com os nós dos dedos ou com o punho fechado. Explica que o propósito de ambos, quando feitos no trigo, é soltar a casca dos grãos; já quando feitos na massa — segundo Rabi Yosei — o objetivo é o próprio amassamento, esfregando e golpeando a massa. Por fim, esclarece que a expressão "vêm em dez" se refere tanto às fogaças quanto aos wafers, conforme o tipo de oferenda assada trazida.