A quarta mishná descreve o processo de partição das oferendas feitas em utensílio, distinguindo entre a oferenda de um israelita (dobrada e separada), a de sacerdotes (dobrada sem separação) e a do sacerdote ungido (sem dobra alguma) — e traz a posição de Rabi Shimon, que nega qualquer partição às duas últimas por não haver nelas retirada de punhado.
Todas as oferendas vegetais feitas em utensílio requerem partição. — Além das três colocações de azeite descritas na mishná anterior, as oferendas preparadas em utensílio precisam ser partidas em pedaços antes de o punhado ser retirado, para facilitar essa retirada.
A oferenda de um israelita: dobra-se uma parte em duas, e duas em quatro, e separa-se. — Ao partir a oferenda de um israelita comum, o sacerdote dobra o pedaço original em dois, depois cada metade em dois novamente (formando quatro), e então separa esses pedaços uns dos outros, deixando-os prontos para a retirada do punhado.
A oferenda de sacerdotes: dobra-se uma parte em duas e duas em quatro, e não se separa. — Já na oferenda trazida pelos próprios sacerdotes, o mesmo processo de dobra é feito, mas sem a separação final: como toda essa oferenda será queimada por inteiro no altar, sem retirada de punhado, não há necessidade de deixar os pedaços soltos uns dos outros.
A oferenda do sacerdote ungido — não se dobrava. Rabi Shimon diz: na oferenda de sacerdotes e na oferenda do sacerdote ungido não há partição, porque não há nelas retirada do punhado; e toda oferenda em que não há retirada do punhado não há nela partição. — A oferenda diária do sumo sacerdote (assada em forma de fritura sobre a placa) sequer passava pela etapa de dobra. Rabi Shimon leva esse raciocínio adiante e discorda do tanna anterior: para ele, nem a oferenda de sacerdotes nem a do sacerdote ungido passam por partição alguma, pois o próprio fundamento da partição é preparar a oferenda para a retirada do punhado — e, nessas duas, punhado algum é retirado.
E todas elas, os pedaços são do tamanho de uma azeitona. — A mishná fecha fixando a medida mínima de cada pedaço partido, em todas as oferendas sujeitas a essa partição: o tamanho de uma azeitona, nem maior nem menor.
Rambam explica, a partir do versículo “parti-a em pedaços”, que o plural “pedaços” ensina que a partição não deve ser excessiva — os pedaços não devem ser menores que o tamanho de uma azeitona — e que, uma vez alcançado esse tamanho mínimo, dobra-se cada pedaço com outro até formar grupos de quatro. Sobre a oferenda do sacerdote ungido, explica que ela não era organizada em grupos de quatro, mas apenas dobrada em dois. E "feitas" vem excluir as duas fogaças e o pão da proposição, que não são partidos. A halachá não segue Rabi Shimon.
כָּל הַמְּנָחוֹת הַנַּעֲשׂוֹת בִּכְלִי. הָכָא לָאו לְמַעוֹטֵי מִנְחַת מַאֲפֵה תַּנּוּר אֲתָא, דִּכְתִיב (ויקרא ב) פָּתוֹת אֹתָהּ פִּתִּים וְגוֹ' מִנְחָה, לְרַבּוֹת כָּל הַמְּנָחוֹת לִפְתִיתָה. אֶלָּא לְמַעוֹטֵי שְׁתֵּי הַלֶּחֶם וְלֶחֶם הַפָּנִים, שֶׁאֵין טְעוּנִים פְּתִיתָה:
כּוֹפֵל אַחַת לִשְׁנַיִם. דִּכְתִיב פָּתוֹת אֹתָהּ פִּתִּים. פָּתוֹת הַיְנוּ שְׁנַיִם, דְּכֵיוָן דְּנִשְׁבַּר הַיְנוּ שְׁתֵּי חֲתִיכוֹת, פִּתִּים מְרַבִּינַן שֶׁתְּהֵא הַחֲתִיכָה לִשְׁתֵּי חֲתִיכוֹת דְּהַיְנוּ אַרְבַּע. יָכוֹל יַעֲשֶׂנָּה פֵּרוּרִים, תַּלְמוּד לוֹמַר אֹתָהּ פִּתִּים, וְלֹא פְּתִיתֶיהָ לִפְתִיתִים. וְכֻלָּן פְּתִיתִין כַּזֵּיתִים, דְּסֵיפָא דְּמַתְנִיתִין לָאו רַבִּי שִׁמְעוֹן קָאָמַר לֵיהּ אֶלָּא דִּבְרֵי הַכֹּל הִיא, דִּלְאַחַר שֶׁעָשָׂה פְּתִיתִין כַּזֵּיתִים כּוֹפֵל כָּל זַיִת לִשְׁנַיִם וּשְׁנַיִם לְאַרְבָּעָה:
מְכַפְּלָהּ. לֹא הָיָה מְכַפְּלָהּ לְאַרְבָּעָה, אֶלָּא לִשְׁנַיִם. דְּלֹא כְּתִיב בָּהּ אֶלָּא מִנְחַת פִּתִּים וְלֹא פָּתוֹת:
רַבִּי שִׁמְעוֹן אוֹמֵר כוּ'. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי שִׁמְעוֹן:
Bartenura esclarece que a expressão "feitas em utensílio" aqui não serve para excluir a oferenda assada no forno da partição — pois o versículo "parti-a em pedaços" é entendido como abrangendo todas as oferendas — mas sim para excluir as duas fogaças e o pão da proposição, que não são partidos. Explica a mecânica da dobra: "parti-a" indica duas partes, e o plural "pedaços" ensina que cada uma dessas duas se torna quatro, mas sem reduzi-las a migalhas. Confirma que a última cláusula da mishná, sobre os pedaços do tamanho de azeitona, é aceita por todos os tannaim, incluindo Rabi Shimon, e explica que depois de feitos os pedaços do tamanho de azeitona, cada um ainda é dobrado ao meio e depois em quatro.
Rashi explica que "dobrar" (kofel) equivale a dobrar uma fogaça em dois e depois em quatro, e que "separar" é o próprio ato de partir os pedaços uns dos outros. Na oferenda de sacerdotes, a dobra é feita para cumprir o preceito da partição, mas sem separação final, pois a oferenda inteira é queimada. Já a oferenda do sacerdote ungido — isto é, a oferenda diária em forma de fritura — nem sequer era dobrada como as demais oferendas de sacerdotes, precisamente por ser uma obrigação diária, sem retirada de punhado, e inteiramente queimada. Rashi confirma que Rabi Shimon discorda do primeiro tanna justamente quanto a essa dobra da oferenda de sacerdotes, negando-a por completo; e explica a medida final — pedaços do tamanho de azeitona — detalhando o processo de dobra sucessiva até se chegar a esse tamanho mínimo.