A nona e última mishná do Perek Hei fecha o capítulo com mais dois casos de votos específicos: quem se compromete com uma oferenda “no forno” não pode trazê-la assada em outros dispositivos de calor semelhantes — exceto pela posição minoritária de Rabi Yehudá; e quem vota uma “oferenda assada” sem especificar a forma não pode misturar metade fogaças e metade wafers — exceto pela posição de Rabi Shimon.
Quem diz: “sobre mim, no forno” — não deve trazer assado de forninho, nem assado de telhas, nem assado das covas dos árabes. Rabi Yehudá diz: se quiser, pode trazer assado de forninho. — A mishná trata de quem vota trazer uma oferenda assada especificamente “no forno” (tanur), o dispositivo padrão de assar pão. Tal voto não pode ser cumprido com outros métodos de assar semelhantes na função, mas distintos na forma: o pequeno forninho (kupach), usado para uma só panela; as telhas de barro aquecidas; ou as covas cavadas na terra usadas pelos árabes. Rabi Yehudá discorda quanto ao forninho, considerando-o apenas uma variante pequena do próprio forno, e por isso permite trazê-lo mesmo assim.
“Sobre mim, uma oferenda assada” — não deve trazer metade fogaças e metade wafers. Rabi Shimon permite, porque é uma única oferenda. — A mishná fecha o capítulo com outro caso: quem vota trazer uma “oferenda assada” de modo genérico, sem especificar se em fogaças ou em wafers, deve trazer todas as unidades de uma única forma, e não misturar metade de cada. Rabi Shimon discorda e permite a mistura, com base no fato de que a Torá menciona ambas as formas dentro de uma mesma categoria de oferenda, tratando-as como um único tipo de sacrifício com duas variantes possíveis.
Rambam descreve os três dispositivos excluídos: o kupach é um local para assentar uma única panela, sobre o qual, depois de retirado o fogo do braseiro, coloca-se a massa para assar; o método do forno propriamente dito consiste em aquecer pedra dura ou cacos de barro até ficarem incandescentes, lançar sobre eles a massa, e cobri-la com um utensílio para assar por baixo dele; as telhas são um material conhecido; e as covas dos árabes são buracos na terra revestidos de barro como uma panela, nos quais se acende fogo até ficarem incandescentes, lançando-se ali a massa — métodos conhecidos entre nós em aldeias e campos. Sobre a segunda parte, explica que a Torá fala da “oferenda assada no forno” mencionando fogaças e matzot juntas; Rabi Yehudá entende que são dois tipos, trazidos um ou outro separadamente, enquanto Rabi Shimon os considera uma única oferenda, permitindo trazer a medida da oferenda dividida entre as duas formas, se assim desejar. A halachá segue Rabi Yehudá.
Bartenura descreve o kupach como um lugar para assentar uma única panela, às vezes aceso e usado diretamente para assar massa; as telhas, feitas de barro e queimadas em forno próprio; e as covas dos árabes, uma espécie de buraco cavado no solo e revestido de barro, no qual se acende fogo até ficar incandescente, assando-se ali a massa. Explica a posição de Rabi Yehudá — que o kupach é apenas um tipo de forno, e por isso permitido — mas conclui que a halachá não o segue. Sobre a oferenda assada, observa que tanto fogaças quanto wafers estão escritos a seu respeito; explica a regra de que toda menachá vem em grupos de dez, de modo que não se pode trazer cinco fogaças e cinco wafers, mas apenas um tipo ou outro; e conclui que Rabi Shimon permite a mistura porque ambas as formas são escritas dentro de uma mesma oferenda, embora a halachá não siga sua opinião.
Rashi identifica o kupach como uma espécie de forno pequeno, destinado a assentar uma única panela; traduz “telhas” por um termo francês antigo equivalente a tijolos de barro; explica que as “covas dos árabes” são fornos característicos daquela região, aquecidos até ficarem incandescentes, nos quais se assam fogaças. Confirma o fundamento da posição de Rabi Yehudá: como o kupach é, em essência, apenas uma variante pequena do próprio forno, ele considera válido trazer nele a oferenda votada “no forno”.