Seder Kodashim · Massechet Menachot · Perek Bet · Mishná 4 de 5

A oferenda animal torna pigul as libações, mas as libações não tornam pigul a oferenda

הַזֶּבַח מְפַגֵּל אֶת הַנְּסָכִין
Mishná (ed. Torat Emet, domínio público) · tradução original PT-BR

A Mishná · הַמִּשְׁנָה

A mishná aplica o mesmo princípio de assimetria da mishná anterior a um terceiro par: a oferenda animal e as libações (vinho, azeite e farinha) que a acompanham. Rabi Meir precisa o momento a partir do qual as libações passam a estar sujeitas ao pigul — desde que foram consagradas no vaso de serviço — e a mishná fecha com a regra de que o principal torna pigul o secundário, mas não o contrário.

A oferenda animal torna pigul as libações desde que foram consagradas no vaso — palavras de Rabi Meir. Mas as libações não tornam pigul a oferenda animal.

A oferenda animal torna pigul as libações desde que foram consagradas no vaso — palavras de Rabi Meir.Rabi Meir precisa um limite temporal: as libações só se tornam suscetíveis ao pigul a partir do momento em que foram colocadas no vaso de serviço, que as consagra permanentemente. Antes disso, podem ainda ser trocadas ou destinadas a outra oferenda, e por isso não são afetadas pela intenção indevida sobre a oferenda animal.

Mas as libações não tornam pigul a oferenda animal.Repete-se aqui a mesma assimetria: a oferenda animal é o principal, as libações são secundárias a ela — o principal contamina o secundário, mas o secundário não contamina o principal.

הַזֶּבַח מְפַגֵּל אֶת הַנְּסָכִין מִשֶּׁקָּדְשׁוּ בִכְלִי, דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. וְהַנְּסָכִין אֵינָן מְפַגְּלִין אֶת הַזָּבַח.
Como é isso? Quem abate a oferenda animal com a intenção de comer dela amanhã — ela e suas libações são pigul. Com a intenção de oferecer das libações amanhã — as libações são pigul, mas a oferenda animal não é pigul.

Como é isso? Quem abate a oferenda animal com a intenção de comer dela amanhã — ela e suas libações são pigul.Se a intenção de tempo errado recai sobre a própria oferenda animal — o elemento principal —, tanto ela quanto suas libações tornam-se pigul.

Com a intenção de oferecer das libações amanhã — as libações são pigul, mas a oferenda animal não é pigul.Mas se a intenção recai apenas sobre as libações — o elemento secundário —, apenas elas se tornam pigul; a oferenda animal, sendo o principal, permanece apta.

כֵּיצַד. הַשּׁוֹחֵט אֶת הַזֶּבַח לֶאֱכֹל מִמֶּנּוּ לְמָחָר, הוּא וּנְסָכָיו מְפֻגָּלִין. לְהַקְרִיב מִן הַנְּסָכִין לְמָחָר, הַנְּסָכִין מְפֻגָּלִין, וְהַזֶּבַח אֵינוֹ מְפֻגָּל:

Halachot · הֲלָכוֹת

Rambam · Perush HaMishná, Menachot 2:4
הזבח מפגל את הנסכים משקדשו בכלי דברי כו': כבר בארנו בהלכה הג' מהפרק הרביעי מזבחים שנסכי קרבן אין מתפגלין ר"ל אין חייבים עליהן משום פגול ובארנו מאיזה טעם ושר"מ הוא האומר שמתפגלים מפני שדם הזבח מתירו ליקרב כמו שבארנו שם וכבר אמרנו שאין הלכה כרבי מאיר.

Rambam remete a discussão de fundo ao quarto capítulo de Zevachim, onde já se explicou que, segundo a opinião que prevalece, as libações não se tornam pigul — pois não há responsabilidade de karet por elas nesse sentido. Rabi Meir é quem sustenta que elas se tornam pigul, porque o sangue da oferenda animal é o que as habilita para serem oferecidas no altar, dando-lhes o status de algo com "habilitador". Rambam confirma que a halachá não segue Rabi Meir.

Bartenura · Menachot 2:4
הַזֶּבַח מְפַגֵּל אֶת הַנְּסָכִים. וְהַשּׁוֹתֶה מֵהֶן עָנוּשׁ כָּרֵת: מִשֶׁקָּדְשׁוּ בִכְלִי. לְאַחַר שֶׁשָּׂמוּ אוֹתָם בִּכְלִי שָׁרֵת, שֶׁהַכְּלִי מְקַדְּשָׁן קְדֻשַּׁת עוֹלָם דְּשׁוּב אֵין לָהֶם פִּדְיוֹן: דִּבְרֵי רַבִּי מֵאִיר. דְּרַבִּי מֵאִיר סָבַר שֶׁנְּסָכִים מִתְפַּגְּלִים לְפִי שֶׁהַדָּם שֶׁל הַזֶּבַח הוּא שֶׁמַּכְשִׁיר וּמַתִּיר אוֹתָן לַמִּזְבֵּחַ... וַחֲכָמִים פְּלִיגֵי עֲלֵיהּ... וְאָמְרֵי שֶׁהַנְּסָכִים אֵין לָהֶם מַתִּיר, לְפִיכָךְ אֵין מִתְפַּגְּלִין. וְאֵין הֲלָכָה כְּרַבִּי מֵאִיר:

Bartenura esclarece que quem bebe das libações desqualificadas por pigul é punido com karet. Explica que "consagradas no vaso" significa depois de colocadas no vaso de serviço, que lhes confere uma santidade permanente e definitiva, sem possibilidade de resgate. Detalha a lógica de Rabi Meir — as libações se tornam pigul porque o sangue da oferenda animal é o que as torna aptas e permitidas para o altar — e relata que os sábios discordam dele em Zevachim, sustentando que as libações não têm um "habilitador" próprio e por isso não se tornam pigul. Confirma que a halachá não segue Rabi Meir.

Perush — os Mefarshim · פֵּרוּשׁ הַמְּפָרְשִׁים

Rashi רש״י
Menachot 15b, sobre a Guemará desta mishná
מַתְנִי' מְפַגֵּל אֶת הַנְּסָכִים — שֶׁהַשּׁוֹתֶה מֵהֶם חַיָּב כָּרֵת מִשּׁוּם פִּיגּוּל שֶׁמִּשֶּׁקָּדְשׁוּ בִּכְלִי שׁוּב אֵין לָהֶן פִּדְיוֹן וּקְדֻשָּׁתָן קְדוּשָּׁה: גְּמָ' שֶׁדַּם הַזֶּבַח מַתִּירָן לִיקָּרֵב — וַהֲוֵי דָּבָר שֶׁיֵּשׁ לוֹ מַתִּירִין לַמִּזְבֵּחַ, וְנוֹהֵג בָּהֶן פִּיגּוּל, דְּכָל דָּבָר שֶׁיֵּשׁ לוֹ מַתִּירִין יֵשׁ בּוֹ פִּיגּוּל.

Rashi confirma que a punição de karet recai sobre quem bebe das libações tornadas pigul, e que a consagração no vaso lhes confere um status definitivo, sem resgate possível. Sobre o fundamento da posição de Rabi Meir na Guemará, explica que o sangue da oferenda animal é aquilo que habilita as libações a serem oferecidas no altar — tornando-as "algo que tem um habilitador" — e a regra geral é que tudo o que tem um habilitador está sujeito a se tornar pigul.