A mishná aplica o mesmo princípio de assimetria da mishná anterior a um terceiro par: a oferenda animal e as libações (vinho, azeite e farinha) que a acompanham. Rabi Meir precisa o momento a partir do qual as libações passam a estar sujeitas ao pigul — desde que foram consagradas no vaso de serviço — e a mishná fecha com a regra de que o principal torna pigul o secundário, mas não o contrário.
A oferenda animal torna pigul as libações desde que foram consagradas no vaso — palavras de Rabi Meir. — Rabi Meir precisa um limite temporal: as libações só se tornam suscetíveis ao pigul a partir do momento em que foram colocadas no vaso de serviço, que as consagra permanentemente. Antes disso, podem ainda ser trocadas ou destinadas a outra oferenda, e por isso não são afetadas pela intenção indevida sobre a oferenda animal.
Mas as libações não tornam pigul a oferenda animal. — Repete-se aqui a mesma assimetria: a oferenda animal é o principal, as libações são secundárias a ela — o principal contamina o secundário, mas o secundário não contamina o principal.
Como é isso? Quem abate a oferenda animal com a intenção de comer dela amanhã — ela e suas libações são pigul. — Se a intenção de tempo errado recai sobre a própria oferenda animal — o elemento principal —, tanto ela quanto suas libações tornam-se pigul.
Com a intenção de oferecer das libações amanhã — as libações são pigul, mas a oferenda animal não é pigul. — Mas se a intenção recai apenas sobre as libações — o elemento secundário —, apenas elas se tornam pigul; a oferenda animal, sendo o principal, permanece apta.
Rambam remete a discussão de fundo ao quarto capítulo de Zevachim, onde já se explicou que, segundo a opinião que prevalece, as libações não se tornam pigul — pois não há responsabilidade de karet por elas nesse sentido. Rabi Meir é quem sustenta que elas se tornam pigul, porque o sangue da oferenda animal é o que as habilita para serem oferecidas no altar, dando-lhes o status de algo com "habilitador". Rambam confirma que a halachá não segue Rabi Meir.
Bartenura esclarece que quem bebe das libações desqualificadas por pigul é punido com karet. Explica que "consagradas no vaso" significa depois de colocadas no vaso de serviço, que lhes confere uma santidade permanente e definitiva, sem possibilidade de resgate. Detalha a lógica de Rabi Meir — as libações se tornam pigul porque o sangue da oferenda animal é o que as torna aptas e permitidas para o altar — e relata que os sábios discordam dele em Zevachim, sustentando que as libações não têm um "habilitador" próprio e por isso não se tornam pigul. Confirma que a halachá não segue Rabi Meir.
Rashi confirma que a punição de karet recai sobre quem bebe das libações tornadas pigul, e que a consagração no vaso lhes confere um status definitivo, sem resgate possível. Sobre o fundamento da posição de Rabi Meir na Guemará, explica que o sangue da oferenda animal é aquilo que habilita as libações a serem oferecidas no altar — tornando-as "algo que tem um habilitador" — e a regra geral é que tudo o que tem um habilitador está sujeito a se tornar pigul.