O punhado, o olíbano, o incenso, as oferendas de farinha dos sacerdotes, a oferenda de farinha do sacerdote ungido e a oferenda de farinha das libações — há meilá neles desde que foram consagrados. Foram consagrados no vaso — tornaram-se aptos a ser desqualificados por tevul iom, por mechussar kipurim e por pernoite, e são responsáveis sobre eles por causa de notar e por causa de impureza, mas pigul não há neles. Este é o princípio: tudo o que tem liberadores — não são responsáveis sobre ele por causa de pigul, notar e impureza, até que sejam oferecidos seus liberadores. E tudo o que não tem liberadores — assim que foi consagrado no vaso, são responsáveis sobre ele por causa de notar e por causa de impureza, mas pigul não há nele.
A mishná final do Perek Bet reúne seis itens que compartilham uma característica comum: são eles mesmos inteiramente destinados ao fogo, sem depender de nenhum outro ato posterior que os torne permitidos — o komeẓ (o punhado retirado da farinha), a levoná (o olíbano colocado sobre a oferenda de farinha), a ketóret (o incenso diário queimado no altar de ouro), as oferendas de farinha dos sacerdotes (das quais não se retira punhado, sendo queimadas por inteiro), a oferenda de farinha do Sumo Sacerdote e a oferenda de farinha das libações. Assim como nas mishnayot anteriores, a consagração no vaso de serviço as torna suscetíveis a tevul iom, mechussar kipurim e pernoite; mas, quanto ao terceiro estágio, a mishná introduz aqui uma distinção fundamental que fecha e sistematiza todo o capítulo: embora essas oferendas fiquem sujeitas a notar e a impureza assim que consagradas no vaso, jamais se aplica a elas a lei de pigul. A razão, formulada no princípio geral que encerra a mishná, é que o pigul só se instala sobre um item quando ele tem liberadores — isto é, quando depende de outro ato posterior (como a aspersão do sangue ou a oferenda do punhado) para se tornar permitido a alguém; nesse caso, a intenção indevida precisa ocorrer no momento em que os liberadores são oferecidos. Já os itens desta mishná não têm liberadores algum — eles são, eles mesmos, os liberadores de outras coisas — e por isso a responsabilidade por notar e impureza recai sobre eles já desde a consagração no vaso, sem nunca passar pelo estágio do pigul. Com este princípio, que amarra retrospectivamente toda a lógica das nove mishnayot do capítulo, encerra-se o Perek Bet de Massechet Meilá.
Rambam explica que todos estes que enumerou são destinados ao fogo, e eles mesmos são os liberadores de outras coisas — havendo, entre eles, os que não têm liberadores próprios; por isso há meilá neles desde que foram consagrados no vaso de serviço, até que saiam para a casa das cinzas, como se explicou a respeito do punhado. E não se torna responsável sobre eles pela lei de pigul, segundo os princípios já explicados no quarto capítulo de Zevachim; mas a lei da impureza e do notar se aplica, pois está dito “todo homem que oferecer dentre vós”, e disseram que a respeito de todas as coisas sagradas fala o versículo; e já se explicou, no décimo-terceiro capítulo de Zevachim, que só é responsável por karet quem, estando impuro, comeu de algo sagrado. E o que aqui diz “que oferecer” quer dizer que, enquanto se come em impureza, a coisa ainda não está apta a ser oferecida — e isso começa desde que é consagrada no vaso, e é então que se torna responsável; e já se explicou, ao final de Chaguigá, que o mechussar kipurim precisa de imersão para tocar qualquer coisa sagrada.
Bartenura explica que “a oferenda de farinha das libações” é a oferenda de farinha que acompanha o sacrifício, na qual não há restante; e todas estas são inteiramente queimadas (kalil).
Rashi explica, sobre “a oferenda de farinha dos sacerdotes”: pois está escrito “e toda oferenda de farinha de sacerdote será inteiramente queimada”. Sobre “a oferenda de farinha do sacerdote ungido”: são os bolos do Sumo Sacerdote. Sobre “e a oferenda de farinha das libações”: é a oferenda que acompanha o sacrifício que tem libações, na qual não há restante, pois todas estas da mishná são inteiramente queimadas. Sobre “há meilá nelas desde que foram consagradas”: mera consagração pela boca. Sobre “e pigul não há nelas”: pois não têm liberadores. Sobre “o que tem liberadores”: como a oferenda de paz, a chatat e o asham, cujo sangue libera as partes queimadas para a queima e a carne para os sacerdotes, ou algo que tem liberadores apenas para o altar, como a oferenda de subida de ave e a oferenda de subida de animal, cujo sangue as libera para o altar, e como as duas pães, cujos liberadores são o sangue dos cordeiros, e como o pão da presença, cujas taças o liberam, e as oferendas de farinha que são liberadas pelo punhado. Sobre “não são responsáveis sobre eles por causa de notar, impureza e pigul, até que sejam oferecidos seus liberadores”: pois assim está escrito sobre o pigul da oferenda de paz, “não será aceita”, e dizemos: assim como a aceitação do que é válido, assim a aceitação do pigul; e quanto a notar e impureza também não são responsáveis até que se ofereçam os liberadores, do mesmo modo que quanto ao pigul. Sobre “e tudo o que não tem liberadores”: como o punhado e o olíbano etc., que são eles mesmos os liberadores. Sobre “são responsáveis sobre eles por causa de notar e impureza”: mas não há neles responsabilidade por pigul, pois não encontramos responsabilidade por pigul senão em algo que tem liberadores, já que a respeito da oferenda de paz está escrito pigul.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Bet, segundo capítulo de Massechet Meilá. A Guemará do Talmud Bavli fecha o capítulo, em Meilá 10a–b, com a fórmula tradicional acima — “Retornaremos a ti, 'A Oferenda de Pecado de Ave'” —, o hadran que cita as palavras de abertura do próprio capítulo.
Este segundo capítulo, distribuído por Meilá 8a–10b, estendeu a análise de três estágios do Perek Alef — consagração, aptidão à desqualificação, ato liberador — a nove categorias adicionais de oferenda: a oferenda de pecado de ave, cuja meilá cessa com a aspersão (2:1); a oferenda de subida de ave, cuja meilá persiste até as cinzas por não ter porção alguma para os sacerdotes (2:2); os touros e bodes queimados, igualmente sem porção para os sacerdotes (2:3); a oferenda de subida de animal, sem meilá no couro mas com meilá na carne até as cinzas (2:4); a chatat, o asham e os sacrifícios de paz públicos, sem meilá na carne mas com meilá nas partes queimadas (2:5); as duas pães de Shavuot e o pão da presença, cuja meilá cessa por completo com o ato liberador — a aspersão dos cordeiros e a queima das taças, respectivamente (2:6–2:7); as oferendas de farinha em geral, sem meilá no restante mas com meilá no punhado (2:8); e, por fim, o punhado, o incenso e as demais oferendas sem liberadores, que fecham o capítulo com o princípio geral de que a lei de pigul só se aplica a quem ainda tem liberadores a oferecer (2:9).
Segue-se o Perek Guimel de Massechet Meilá, que continuará a examinar a extensão da meilá a outras categorias de bens consagrados, e será publicado em breve, dando continuidade ao estudo deste tratado dedicado às leis do uso indevido de bens consagrados ao Templo.