Sacerdote que tem defeitos nas mãos não levanta as mãos. Rabi Yehudá diz: também quem tinha as mãos tingidas com isatis e ruiva não levanta as mãos, porque o povo fixa os olhos nele. — Um sacerdote cujas mãos apresentam alguma deformidade ou marca visível — verrugas, dedos tortos ou qualquer outra irregularidade que chame a atenção — está impedido de levantar as mãos para recitar a bênção sacerdotal, pois a congregação é instruída a não fitar as mãos do sacerdote durante a bênção, e uma marca chamativa tornaria essa instrução difícil de seguir. Rabi Yehudá estende essa mesma restrição a quem tem as mãos manchadas por corantes de uso profissional — como os tintureiros que trabalham com isatis, um pigmento azulado, e ruiva, um corante vermelho —, pois, mesmo sem se tratar de deformidade física, a cor incomum também atrairia os olhares do povo para as mãos do sacerdote.
A Guemará (Chaguigá 16a) explica que, durante a bênção sacerdotal, a Presença Divina repousa sobre as mãos dos sacerdotes, e por isso a congregação é instruída a não fitar diretamente essas mãos — de onde deriva a exigência de que as mãos estejam livres de qualquer marca capaz de atrair o olhar do povo em desobediência a essa instrução. A mishná aplica assim ao próprio corpo do sacerdote um princípio semelhante ao que rege as vestes sacerdotais em geral: assim como as vestes do sacerdote devem ser dignas e sem defeito para o serviço do Templo, também suas mãos, instrumento direto da bênção pronunciada "diante de todo o povo", precisam estar livres de qualquer elemento que desvie a atenção da congregação do próprio ato sagrado.
Rambam identifica as duas substâncias mencionadas por Rabi Yehudá e generaliza a regra para toda marca capaz de atrair os olhares.
Bartenura explica que a restrição vale também para defeitos no rosto e nos pés; Rashi detalha por que a congregação é instruída a não olhar para as mãos do sacerdote.
Isatis é um corante de tom azulado, e ruiva são raízes finas de coloração vermelha usadas para tingimento — ambas substâncias comuns entre tintureiros da época, cujo uso profissional deixava marcas duradouras nas mãos, semelhantes em efeito visual a um defeito físico permanente.
"Sacerdote que tem defeitos nas mãos" — e a mesma regra vale para defeitos visíveis em seu rosto ou em seus pés, já que os sacerdotes sobem descalços à plataforma para a bênção — pois não é permitido aos sacerdotes subir calçados de sandálias à plataforma —, e, estando os pés também expostos, um defeito ali seria igualmente notado pela congregação, com o mesmo efeito perturbador de uma marca nas mãos.
"Sacerdote que tem defeitos nas mãos" — porque, se as tivesse, o povo fixaria os olhos nelas; e dizemos no tratado Chaguigá: quem fita os sacerdotes no momento em que levantam as mãos para a bênção tem seus olhos enfraquecidos, pois é sobre as próprias mãos deles que a Presença Divina repousa naquele instante. Por isso a congregação é instruída a desviar o olhar durante a bênção sacerdotal — e uma marca chamativa nas mãos do sacerdote tornaria essa instrução particularmente difícil de cumprir, atraindo justamente o olhar que deveria ser evitado.