Quem lê a Torá não lê menos de três versículos. Não leia ao tradutor mais de um versículo, e nos Profetas, três. Se os três formavam três parashiot, leem um a um. Salta-se nos Profetas, mas não se salta na Torá. E até onde se pode saltar? Até que o tradutor não pare. — Cada leitor deve ler ao menos três versículos consecutivos da Torá. Ao tradutor que verte oralmente cada trecho para o aramaico, o leitor não deve ler mais de um versículo por vez na Torá — para não sobrecarregar sua memória —, mas nos Profetas pode ler até três versículos de uma vez, pois um eventual erro do tradutor ali é menos grave. Se, porém, esses três versículos constituírem três parágrafos distintos e independentes, cada um deve ser lido separadamente, um a um, mesmo nos Profetas. É permitido saltar de um trecho a outro dentro da leitura dos Profetas, mas não dentro da Torá, cuja leitura deve seguir a ordem contínua do texto; e, quando se salta nos Profetas, o limite é que o tradutor não termine de traduzir o trecho anterior antes que o leitor já tenha encontrado e iniciado o novo ponto.
A Guemará deriva o mínimo de três versículos por leitor da tradição, associada por Rashi e pelos amoraim ao costume — remontando a Moshé, Ezra e os profetas que os sucederam — de nunca deixar o povo passar mais de três dias sem ouvir a Torá, tal como Israel não ficou mais de três dias sem água no deserto: "água" sendo interpretada como metáfora para as próprias palavras da Torá. Essa mesma preocupação com a continuidade da instrução pública molda as demais regras da mishná: o limite de um versículo por vez ao tradutor na Torá busca precisão máxima na tradução de cada palavra sagrada, enquanto a maior liberdade permitida nos Profetas reflete seu caráter secundário em relação à Torá em si.
Rambam explica por que um eventual erro do tradutor nos Profetas é menos preocupante do que na Torá.
Bartenura explica por que não se salta na Torá; Rashi detalha o critério exato do limite ao saltar nos Profetas.
"Quem lê a Torá não lê menos de três versículos" e assim por diante: este é o mínimo estabelecido para cada porção lida por um único leitor, refletindo o princípio de que a leitura pública da Torá deve manter uma unidade textual mínima suficiente para transmitir sentido completo, sem fragmentar excessivamente a passagem lida.
"Não leia ao tradutor mais de um versículo" — para que o tradutor, que verte o texto oralmente de memória e sem um roteiro escrito diante de si, não se confunda ao tentar memorizar mais de um versículo por vez; o cuidado é ainda maior na Torá do que nos Profetas justamente pela gravidade acrescida de qualquer erro na tradução das próprias palavras do texto sagrado central.
"Salta-se nos Profetas" — de uma passagem a outra dentro do mesmo livro, ou de um versículo distante a outro, desde que ambos tratem do mesmo assunto. "Mas não se salta na Torá" — pois quem ouve alguém pular de um lugar a outro na leitura perde a concentração e não consegue acompanhar com atenção sustentada.
"Que o tradutor não pare" — o leitor não deve saltar para um ponto distante além do que permite enrolar o rolo e localizar o novo trecho antes que o tradutor termine de traduzir o versículo anterior — pois não é digno da comunidade ficar parada em silêncio à espera enquanto o leitor procura o lugar certo.