Rabi Chananya ben Akashya diz: quis o Santo, bendito seja, dar mérito a Israel; por isso multiplicou para eles Torá e mandamentos, como está dito: "Hashem quis, por causa de sua justiça, engrandecer a Torá e fazê-la gloriosa." — Depois de dezesseis mishnayot dedicadas ao tema mais severo da lei penal judaica — a lista extensa de transgressões passíveis de açoite e o procedimento detalhado, quase clínico, de sua aplicação —, o tratado inteiro se encerra com uma virada surpreendente e luminosa. Rabi Chananya ben Akashya propõe uma leitura radicalmente positiva da abundância de mandamentos na Torá: longe de ser um fardo, a multiplicação de mitzvot é, ela mesma, um ato de generosidade Divina. Como cada mandamento cumprido gera seu próprio mérito independente, quanto mais mandamentos D'us concede a Israel, mais oportunidades de mérito e recompensa Ele está oferecendo — mesmo mandamentos aparentemente menores, como as leis sobre répteis ou aves impuras, tornam-se veículos de recompensa espiritual simplesmente por serem observados. A citação de Yeshayahu 42:21 — "Hashem quis, por causa de sua justiça, engrandecer a Torá e fazê-la gloriosa" — lê a "grandeza" e a "glória" da Torá não como um peso legal opressivo, mas como a expressão mesma do amor Divino: quanto mais rica e detalhada a Torá, mais generosa a oferta de proximidade com D'us que ela representa. Esta mishná, por sua beleza e concisão, tornou-se tradicionalmente recitada ao final do estudo de cada perek e cada tratado da Mishná — e é assim, com esta nota de esperança irrestrita, que Massechet Makot chega ao seu fim.
Nesta que é uma das passagens mais conhecidas de todo o Perush HaMishná, Rambam ensina que quem cumpre um único mandamento, dentre os seiscentos e treze, com perfeição e por puro amor — sem misturar nele nenhum interesse mundano —, já merece com isso a vida do mundo vindouro. É exatamente por essa razão, explica Rambam, que D'us multiplicou os mandamentos para Israel: não para sobrecarregá-los, mas para multiplicar suas oportunidades de mérito — cada mandamento adicional é mais uma porta aberta para a proximidade Divina e a vida eterna.
Bartenura acrescenta uma observação prática e comovente: entre os mandamentos positivos há muitos que são leves de cumprir, sem qualquer esforço real — como usar tzitzit ou afixar a mezuzá — e ainda assim carregam grande recompensa. É precisamente por isso que D'us multiplicou tantos mandamentos: para que Israel pudesse merecer recompensa abundante mesmo através do cumprimento de obrigações simples e acessíveis a todos.
Rashi oferece aqui uma leitura ainda mais surpreendente: mesmo mandamentos que, à primeira vista, parecem desnecessários — como as proibições de comer répteis ou animais impuros, coisas das quais qualquer pessoa já sentiria repugnância natural — foram formulados deliberadamente como mandamentos formais, precisamente para que a abstenção espontânea de Israel se transformasse em ato meritório recompensável. Aquilo que o instinto humano já rejeitaria naturalmente, a Torá o eleva à categoria de mitzvá cumprida, multiplicando assim, generosamente, as oportunidades de mérito de Israel.
Com esta décima sexta mishná do Perek Guimel, encerra-se o Perek "אֵלּוּ הֵן הַלּוֹקִין" ("Estes são os que são açoitados") — e com ele, toda a Massechet Makot. A fórmula tradicional de encerramento, "hadran alach" ("voltaremos a ti"), expressa o compromisso de retornar ao estudo deste tratado mesmo depois de concluído, seguida da declaração "vessalika lah massechet Makot", "e assim se encerra o tratado Makot".
Ao longo de seus três perakim e trinta e quatro mishnayot, Makot percorreu a última fronteira do sistema penal de Israel depois da execução (tratada em Sanhedrin): o exílio do homicida involuntário para as cidades de refúgio, com suas condições precisas e a proteção contra o vingador do sangue (Perek Alef); as leis do próprio exílio — a morte do Sumo Sacerdote como marco de retorno, a honra devida e recusada ao exilado (Perek Bet); e, neste último perek, a mais branda das três formas clássicas de punição judicial, o açoite: a extensa lista de transgressões que o geram — relações proibidas, impurezas do Templo, luto pagão, o ninho do pássaro, a tatuagem, o nazireu —, o procedimento físico detalhado de sua aplicação, e, por fim, o significado espiritual mais profundo do castigo, que restaura o transgressor à condição de "irmão" e à comunidade de Israel.
Com a conclusão de Massechet Makot, completa-se o quinto tratado da Seder Nezikin — depois de Bava Kamma, Bava Metzia, Bava Batra e Sanhedrin —, a quarta das seis Ordens da Mishná. Segue-se agora Massechet Shevuot.