E eram alinhados para elas caminhos de uma à outra, como está dito (Devarim 19): "prepararás para ti o caminho, e dividirás" etc. E entregavam-lhes dois discípulos dos sábios, para que, caso [o vingador do sangue] o matasse no caminho, eles falassem com ele. Rabi Meir diz: também ele mesmo fala por si, como está dito (ibid.): "e este é o caso do homicida". — A infraestrutura de acesso às cidades de refúgio não era deixada ao acaso: os caminhos até elas eram deliberadamente alinhados e mantidos em boas condições — largos, sem obstáculos, e sinalizados em cada bifurcação com placas indicando "refúgio, refúgio", para que o fugitivo, em pânico e correndo por sua vida, não se perdesse buscando o caminho certo. Além disso, temendo que o vingador do sangue alcançasse o homicida ainda em trânsito — antes de chegar à proteção da cidade — o tribunal designava dois discípulos dos sábios para acompanhá-lo, prontos para interceder junto ao vingador e dissuadi-lo de cometer um homicídio ilegítimo contra alguém que agiu por erro genuíno. Rabi Meir acrescenta que o próprio exilado, e não apenas seus acompanhantes, tem o direito — e a responsabilidade — de argumentar por si mesmo em sua própria defesa, derivando isso da expressão "este é o caso [devar, também "a fala"] do homicida", que ele lê como autorizando o próprio condenado a "falar" (ledaber) por si.
Rambam explica o conteúdo concreto do que os dois discípulos diriam ao vingador do sangue, caso este perseguisse o exilado: que se tratou de um homicídio por engano genuíno, e que, portanto, é proibido matá-lo "em paz" — isto é, fora do contexto legítimo da caçada ao homicida que ainda não chegou à cidade de refúgio — dizendo tudo o que fosse apropriado para acalmar sua ira. Sobre Rabi Meir, esclarece que sua posição é que os discípulos não têm obrigação de se encarregar dessa intercessão — cabe ao próprio homicida argumentar por sua própria salvação. A halachá não segue Rabi Meir.
Bartenura acrescenta o detalhe vívido da sinalização: em cada bifurcação de caminhos estava escrita a palavra "refúgio, refúgio" (miklat miklat), repetida, para que o homicida em fuga a reconhecesse de longe e se voltasse na direção certa sem hesitar. Sobre a mensagem dos discípulos, resume seu conteúdo essencial: "não aja como os derramadores de sangue costumam agir — este ato lhe ocorreu por engano". E confirma que a halachá não segue Rabi Meir: a obrigação de intercessão recai sobre os discípulos designados, não apenas sobre o próprio homicida.
Rashi confirma que "falarão a ele" refere-se ao vingador do sangue, com a mensagem específica de que não deve tratar o exilado como um derramador de sangue comum — o ato lhe sobreveio por engano. Sobre a sinalização das encruzilhadas, descreve o mecanismo físico: em cada bifurcação onde um dos caminhos levava a uma cidade de refúgio, havia um marco de madeira fincado no chão com a palavra "refúgio" escrita nele, para orientar o fugitivo. Rashi observa ainda, a propósito de um ensinamento paralelo, que a expressão "no princípio" (relevante à mishná seguinte) refere-se ao procedimento inicial de julgamento de todos os homicidas — incluindo os intencionais — derivado por midrash do versículo sobre a emboscada e a fuga à cidade de refúgio.