Aquele cujo julgamento foi concluído e fugiu, e depois voltou a comparecer perante aquele mesmo tribunal, não se reabre seu julgamento. Em qualquer lugar onde se levantarem duas pessoas e disserem: "Testemunhamos a respeito de fulano, que seu julgamento foi concluído em seu tribunal de fulano, e fulano e fulano eram suas testemunhas" — eis que este é executado. — Uma vez que o veredito de morte já foi formalmente proferido por um tribunal competente, esse julgamento é definitivo e não pode ser reaberto para nova revisão — nem mesmo se o próprio condenado, tendo fugido antes da execução, retornar (ou for recapturado) e comparecer perante o mesmíssimo tribunal que o condenou. A mishná estende esse princípio a uma regra processual notável: para executar o fugitivo recapturado, não é necessário reconstituir o caso original com as testemunhas de mérito do crime em si; basta que duas novas testemunhas atestem o fato processual de que o julgamento já havia sido concluído perante determinado tribunal, identificando quem eram as testemunhas originais daquele julgamento.
O Sinédrio atua tanto na Terra de Israel quanto fora dela. Um Sinédrio que mata um por semana é chamado violento. Rabi Elazar ben Azaryá diz: um a cada setenta anos. Rabi Tarfon e Rabi Akiva dizem: se estivéssemos no Sinédrio, jamais teria sido morta uma pessoa. Rabán Shimon ben Gamliel diz: também eles multiplicariam os derramadores de sangue em Israel. — A mishná esclarece primeiro que, embora idealmente o Sinédrio esteja sediado em Jerusalém, sua competência jurisdicional para julgar dinei nefashot não se restringe geograficamente à Terra de Israel. Segue-se então uma escala vertiginosa de rigor processual em matéria capital: para o tanna anônimo, executar até uma pessoa por semana já seria considerado um tribunal "violento" (chovlanit) — implicando que o ritmo esperado deveria ser muito mais raro. Rabi Elazar ben Azaryá intensifica ainda mais: uma execução a cada setenta anos. Rabi Tarfon e Rabi Akiva vão ao extremo oposto, afirmando categoricamente que, sob seu padrão de exame minucioso das testemunhas, nenhuma pessoa jamais teria sido efetivamente condenada à morte. Rabán Shimon ben Gamliel oferece a réplica final e mais realista do capítulo: um padrão de rigor tão absoluto que torna a pena capital praticamente inaplicável não é misericórdia genuína, mas, na prática, um incentivo perigoso — pois a ausência de qualquer dissuasão efetiva contra o homicídio acabaria por multiplicar os próprios derramadores de sangue em Israel, prejudicando exatamente a vida que o sistema deveria proteger.
Rambam remete ao Perush HaMishná sobre Sanhedrin, onde já explicou que a ordenação (semichá) que autoriza o Sinédrio a julgar reside na Terra de Israel, mas sua jurisdição para casos de multas e de vida ou morte pode se exercer também fora dela — desde que, e apenas enquanto, o próprio Sinédrio de Israel esteja em funcionamento pleno na Câmara de Pedra Lavrada. Quanto à disputa sobre a frequência das execuções, Rambam explica que o ideal é a ponderação e a cautela nos julgamentos — mas, quando a prova é conclusiva e a condenação juridicamente inevitável, o tribunal deve executar quantos forem necessários, ainda que mil em um só dia, pois a hesitação diante de um caso legalmente comprovado não é virtude, mas falha no cumprimento da Torá.
Bartenura esclarece um ponto de leitura sutil: "um por semana" na expressão da mishná não significa a cada sete dias, mas a cada sete anos — o Sinédrio que executasse mesmo nesse ritmo relativamente raro já seria considerado "violento", pois o padrão esperado é de tribunais que sempre buscam ativamente motivos de absolvição em casos capitais. E ilustra concretamente o método de exame minucioso de Rabi Tarfon e Rabi Akiva: interrogar as testemunhas com perguntas às quais elas não saberiam responder com certeza — por exemplo, se viram realmente o golpe fatal, ou se poderiam garantir que a vítima não já sofria de uma ferida letal preexistente (o que a isentaria da categoria de assassinato pleno) — um padrão de dúvida sistemática que, na prática, inviabiliza quase toda condenação capital.