Os formigueiros que passaram a noite (uma noite inteira) ao lado do monte (de grãos já) obrigado (ao dízimo, isto é, cujo processamento já se completara), eis que estes (os grãos encontrados dentro dos formigueiros) são obrigados, pois é evidente que elas (as formigas) estiveram arrastando (grãos para dentro de seus túneis) a noite inteira, a partir de algo cujo trabalho já estava completo (isto é, do próprio monte já processado e obrigado, e não de espigas ainda no campo, ainda isentas).
Esta mishná não introduz uma nova categoria de fixação, mas resolve, por meio de uma presunção prática (chazaká), um caso de dúvida quanto à origem de grãos encontrados em formigueiros próximos a um "granário" já fixado — o mesmo conceito de gornan lamaasrot explorado desde o Perek Alef.
Por que se presume que vieram do monte já processado? A lógica da mishná baseia-se na proximidade física e na eficiência natural do comportamento animal: formigas que constroem seus túneis junto a um monte de grãos já debulhado e pronto (a "produção completa", mida gemurá) têm à disposição, a poucos passos, uma fonte abundante e acessível de alimento durante toda a noite. Presumir que elas foram buscar grãos mais distantes — em espigas ainda não colhidas, no meio do campo — contraria o comportamento esperado de um animal que otimiza esforço. Por isso, os sábios aplicam aqui a presunção de que "é evidente" (yadua) que os grãos vieram do monte próximo já obrigado, e não de fontes distantes ainda isentas — e, por essa razão de proximidade e conveniência, os grãos achados no formigueiro herdam o estatuto obrigado do monte vizinho.
Não se localizou, em Hilchot Ma'aser do Mishné Torá, uma halachá dedicada especificamente ao caso do formigueiro — o Rambam parece não ter codificado este detalhe entre as leis normativas, dado seu caráter de caso concreto e presunção fática, mais do que princípio jurídico geral. O princípio subjacente — a fixação da obrigação no "granário" (gornan lamaasrot) — está amplamente codificado alhures.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná — breve, mas apoiada num raciocínio prático refinado.
"Que passaram a noite": uma noite de pernoite. "O monte obrigado": o monte de grãos que já se obrigou ao dízimo, como a mishná que ensinamos no Perek Alef: "e se não alisar a superfície, a obrigação se fixa desde que erga um monte" (referência direta ao princípio do "granário" já estabelecido em Maasrot 1:5-6, aqui pressuposto como pano de fundo).
Nas fontes disponíveis para esta edição, o comentário do Rambam (Perush HaMishná) a esta mishná não foi localizado com texto preservado — situação que ocorre ocasionalmente em mishnayot breves e de conteúdo predominantemente factual, como esta. O comentário de Bartenura, reproduzido acima, preserva integralmente o sentido tradicional da mishná, com apoio na referência cruzada ao Perek Alef desta mesma Massechet.