Quem tira azeitonas do maatan (o tanque onde se amontoam as azeitonas para amolecer antes de serem prensadas), mergulha uma a uma em sal e come (está isento, pois esse é apenas um modo de comer de passagem). Mas se salgou e pôs diante de si (preparando uma porção salgada para comer de uma vez), é obrigado. Rabi Eliezer diz: do maatan puro (ritualmente, cujas azeitonas não estão em estado de impureza), é obrigado; e do impuro, está isento, porque ele devolve o excedente (uma vez que tanto ele quanto as azeitonas já estão impuros, não há problema em devolver ao tanque o que sobrou de sua mão, o que mantém o caráter provisório do consumo; mas no tanque puro, uma vez que sua mão as tocou, não pode devolvê-las sem torná-las impuras, e por isso o consumo se torna definitivo).
A mishná aprofunda o critério do sal como fator de fixação (kevi'á) apresentado em 4:1, aplicando-o especificamente ao caso das azeitonas no maatan, e introduz a devolução do excedente como sinal adicional de consumo meramente provisório.
Por que a impureza do maatan afeta a obrigação? O critério central desta mishná — "porque ele devolve o excedente" — revela o princípio subjacente a toda a categoria de achilat arai (comer de passagem): um consumo só permanece isento do dízimo enquanto a pessoa mantém, na prática, a possibilidade de devolver ao monte comum aquilo que não comeu. Quando o maatan e quem retira dele as azeitonas estão ambos em estado de pureza ritual, tocar as azeitonas com a mão não as torna impuras, mas também não permite devolvê-las livremente ao tanque puro sem risco de contaminação futura — por isso, uma vez retiradas e salgadas, tornam-se um ato de consumo definitivo, que fixa a obrigação. Já quando tanto a pessoa quanto o tanque estão em estado de impureza, nada se perde ao devolver o excedente — a mão impura não piora azeitonas já impuras —, e por isso o ato de retirar e salgar continua sendo tratado como provisório, permanecendo isento.
O Rambam codifica esta mishná em Hilchot Tithes, capítulo 5, decidindo a lei conforme o tana anônimo (taná kama) da mishná, e não conforme Rabi Eliezer.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Maatan: nome do lugar onde se juntam as azeitonas até que se amoleçam e se tornem aptas para extrair delas o azeite. E já explicamos que o sal fixa a obrigação do dízimo, e por isso, se salgou e pôs diante de si, é obrigado. E Rabi Eliezer discorda da opinião anônima da mishná, e disse que do maatan puro é obrigado — e já explicaram na Guemará as palavras de Rabi Eliezer, dizendo que sua intenção ao dizer "do maatan puro é obrigado" é que a pessoa esteja impura e as azeitonas puras; e, uma vez que tomou delas, tornou-se impuro o que tomou em sua mão, e não pode devolvê-lo; se assim é, a comida não é comida de passagem, e ele é obrigado aos dízimos. E do impuro está isento — quando tanto a pessoa quanto as azeitonas estão impuras, e ele pode devolver o excedente após comer, e essa é comida de passagem, e por isso está isento. E a lei é conforme a opinião anônima da mishná.
"O maatan": lugar onde se amontoam as azeitonas para que se amoleçam e se tornem aptas para extrair delas o azeite. "Mergulha uma a uma em sal": pois só se fixa a obrigação com sal e a junção de duas ou mais (azeitonas de uma vez); por isso, se salgou e pôs diante de si, é obrigado. "Do maatan puro é obrigado": trata-se de caso em que a pessoa que as retira está impura, de modo que não lhe é possível devolver o excedente, pois já se tornou impuro tudo o que tomou em sua mão. "Do impuro está isento": pois, uma vez que o maatan inteiro está impuro e a pessoa que retira também está impura, ele pode devolver o que sobrou.