Disse Rabi Yehudá: no início, enviavam-se mensageiros aos donos de casa nas províncias, dizendo: apressai-vos e preparai vossos frutos antes que chegue a hora do biur (o costume original era alertar previamente os agricultores das regiões mais distantes para que separassem a tempo teruma, dízimos e demais presentes de todos os seus produtos, temendo-se que, se a hora do biur chegasse antes desse preparo, mesmo os frutos ainda não processados ficassem sujeitos à obrigação de remoção), até que veio Rabi Akiva e ensinou que todo fruto que não chegou à época de dizimar (isto é, fruto que ainda não atingiu o estágio de maturação a partir do qual passa a ser tecnicamente obrigado aos dízimos — antes desse estágio, ele simplesmente não é considerado "pronto" para fins de separação de presentes) está isento do biur (o ensinamento de Rabi Akiva esclareceu que a obrigação de biur nunca recaiu sobre frutos ainda imaturos ou fora de sua época de dizimar, eliminando com isso a necessidade da pressa e do aviso urgente que se praticava anteriormente — pois tais frutos, de todo modo, jamais estariam sujeitos ao biur enquanto não chegassem a essa época, independentemente de quando a data do biur efetivamente ocorresse).
O ensinamento de Rabi Akiva citado nesta mishná deriva de uma análise cuidadosa do próprio conceito de "onat hamaasrot" — a época em que um produto agrícola se torna tecnicamente obrigado à separação de dízimos —, tema já tratado extensamente em Massechet Maasrot.
Por que a intervenção de Rabi Akiva eliminou uma prática já estabelecida? A mishná narra uma correção histórica significativa: uma prática comunitária bem-intencionada (o envio de avisos urgentes) que se baseava em um temor infundado. O receio original parece ter sido que, se a hora do biur chegasse e encontrasse frutos ainda não dizimados na posse do dono — mesmo que esses frutos estivessem ainda imaturos, fora de sua época técnica de dizimar —, eles poderiam de algum modo ficar "presos" na obrigação de remoção, como se a mera coincidência temporal bastasse para sujeitá-los ao biur. Rabi Akiva esclareceu que essa preocupação partia de uma premissa equivocada: o biur é uma obrigação que pressupõe, como condição prévia, que os presentes agrícolas já sejam devidos sobre aquele produto — e um fruto fora de sua época de dizimar simplesmente não gera essa obrigação ainda, de modo que não há necessidade alguma de apressar seu processamento antes de uma data que, para ele, é irrelevante. A correção de Rabi Akiva, portanto, não altera a lei do biur em si, mas esclarece seu âmbito de aplicação, evitando um esforço comunitário desnecessário.
O Rambam codifica o ensinamento de Rabi Akiva, já como halachá estabelecida e sem menção à prática anterior de Rabi Yehudá, em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 11, halachá 10.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Preparai vossos frutos": seu sentido é que fizessem com eles tudo o que era necessário, a fim de que chegassem a Jerusalém na época dos dízimos mencionada em Massechet Maasrot, e que retirassem deles os presentes devidos e fizessem com eles o que já se mencionou (as etapas de separação de teruma e dízimos descritas na mishná anterior). E as palavras de Rabi Akiva são verdadeiras (o Rambam confirma explicitamente que a halachá segue Rabi Akiva, encerrando a disputa histórica narrada por Rabi Yehudá com uma validação clara e definitiva).
"Apressai-vos e preparai vossos frutos": dar terumot e dízimos a quem lhes é devido, e o segundo dízimo, subi-lo e comê-lo em Jerusalém. "Que não chegaram à época de dizimar": cada fruto conforme sua época está explicada no primeiro perek de Massechet Maasrot. "Isentos do biur": e no início diziam que mesmo antes da época de dizimar era necessário fazer o biur (essa era exatamente a premissa equivocada da prática original de Rabi Yehudá, que Rabi Akiva veio corrigir). E a halachá é como Rabi Akiva.