Se o dono diz "por uma sela" e outro diz "por uma sela", o dono tem precedência, porque ele acrescenta o quinto (quando o lance é exatamente igual, o próprio dono do dízimo é preferido ao comprador estranho, pois ele, ao resgatar, será obrigado a pagar não apenas a sela, mas também mais um quinto sobre ela — um valor total maior do que aquele que o terceiro estaria efetivamente entregando). Se o dono diz "por uma sela" e outro diz "por uma sela e um issar", tem precedência aquele que ofereceu a sela e o issar, porque ele acrescenta ao valor principal (quando o terceiro oferece um valor levemente superior ao da sela — mesmo que uma moeda pequena a mais —, ele passa a ter precedência sobre o dono, pois esse acréscimo ao capital principal é considerado mais significativo do que o acréscimo do quinto, que, como se verá, pode ser evitado por meios lícitos). Quem resgata seu próprio segundo dízimo acrescenta sobre ele um quinto, seja ele seu próprio dízimo, seja lhe foi dado de presente (a obrigação de acrescentar 25% sobre o valor do resgate recai sobre qualquer dono que resgate seu próprio dízimo, independentemente de como ele veio a possuí-lo — por produção própria ou por doação de terceiros, desde que ainda não separado como dízimo).
O acréscimo do quinto no resgate do próprio dízimo é uma das poucas leis do segundo dízimo com fonte explícita e literal na Torá, aplicada aqui por analogia (gzerá shavá) ao dízimo comum de gado e de produtos.
Por que o quinto pesa mais do que uma moeda extra no valor principal? A mishná parece contraditória à primeira vista: se o dono paga mais no total (a sela mais o quinto), por que ele perde a prioridade para um terceiro que oferece apenas uma sela e um issar — um acréscimo muito menor do que o quinto de uma sela inteira? A resposta, detalhada pelos comentadores, está na natureza distinta dos dois acréscimos: o quinto é uma obrigação formal que recai apenas sobre o dono, mas que — como a mishná seguinte demonstrará — pode ser evitada por meios lícitos de "engano" (haarama), como pedir a um filho maior ou a um servo hebreu que faça o resgate em seu lugar. Já o acréscimo ao valor principal, oferecido voluntariamente pelo terceiro, não pode ser burlado ou dispensado por nenhum artifício — é um compromisso direto e incondicional com o vendedor. Por isso, entre um acréscimo "evitável" (o quinto do dono) e um acréscimo "garantido" (a moeda extra do terceiro), a halachá prefere o segundo, ainda que menor em valor absoluto.
O Rambam codifica esta mishná em Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva (Mishné Torá), capítulo 5, halachá 7, dentro de sua discussão sobre o acréscimo do quinto no resgate do próprio dízimo.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
Já explicamos anteriormente que o quinto equivale a um quarto do valor principal do dinheiro (pois se paga um quinto do total final, o que equivale a 25% do valor original — daí a expressão "até que ele e seu quinto somem cinco"). E saiba que o segundo dízimo é dinheiro do Alto (mamon gavoah), e por isso a doação dele só é válida sob uma condição específica: que seja dado a alguém enquanto ainda está em estado de tevel (ou seja, antes de ser retirado e separado formalmente como dízimo); mas depois de já retirado, seu dono não tem mais autoridade para doá-lo de forma alguma (o Rambam esclarece aqui uma questão central que voltará na mishná seguinte: a mishná 4:3 encerra dizendo "seja lhe foi dado de presente", o que só é possível entender corretamente se soubermos que essa doação se refere ao produto ainda não separado, e não ao dízimo já formalmente definido).
"Porque ele acrescenta o quinto": conforme está escrito "e se um homem quiser resgatar algo de seu dízimo": sobre o seu próprio, ele acrescenta o quinto, mas não sobre o de seu companheiro (o Bartenura destaca a leitura literal do versículo — "de seu dízimo" — como fundamento de que a obrigação do quinto é estritamente pessoal, ligada à propriedade do dízimo, não a quem quer que o resgate). "Por uma sela e um issar": o issar é uma parte em noventa e seis de uma sela (uma fração pequena, mostrando que mesmo um acréscimo mínimo ao capital já é suficiente para inverter a prioridade). "Porque ele acrescenta ao valor principal": e qualquer acréscimo ao capital principal é preferido, porque sobre o quinto é possível recorrer a um artifício lícito (haarama), como se ensinará a seguir. "Seja lhe foi dado de presente": refere-se ao tevel — antes de separarem dele o dízimo, ele foi dado de presente (o Bartenura confirma a leitura do Rambam: pois quanto ao segundo dízimo já separado, prevalece a opinião de que é dinheiro do Alto e não pode ser dado de presente).