O tiltan do segundo dízimo se come verde (enquanto ainda é uma verdura tenra, e não depois de seco e endurecido). Mas o da teruma — a Casa de Shamai diz: todo o seu processamento se faz em pureza, exceto sua lavagem (ou seja, requer-se lavagem das mãos antes de tocar o tiltan em cada etapa de sua preparação, menos na etapa de esfregar/lavar os grãos); e a Casa de Hilel diz: todo o seu processamento se faz em impureza, exceto seu embebimento (isto é, não se exige pureza ritual em nenhuma etapa, exceto ao embebê-lo em água).
Esta mishná trata de um produto marginal — o tiltan, mal considerado alimento humano pleno — sob a ótica das mesmas leis de consumo do segundo dízimo em seu modo habitual, já vistas em Maaser Sheni 2:1.
Por que o tiltan é tratado de forma diferente entre teruma e maaser sheni? O tiltan não é, tecnicamente, um "alimento" pleno como o trigo ou o azeite — é consumido apenas por uma minoria de pessoas, e apenas enquanto verde. Por isso as leis de teruma quanto a ele já são, em si, mais brandas do que as leis que regem grãos plenamente alimentícios: mesmo a teruma de tiltan pode, segundo a Casa de Hilel, ser manuseada em impureza na maior parte de seu processamento, algo impensável para trigo de teruma. Já quanto ao segundo dízimo, os sábios foram mais estritos: o tiltan do dízimo só pode ser comido enquanto verde — não se permite guardá-lo até secar, como se faz com outros produtos do dízimo, que podem ser guardados e consumidos mais tarde. Essa é precisamente a "leveza da teruma" e o "rigor do dízimo" a que Rabi Shimon se referia na mishná anterior: quanto ao tiltan e ao karshin, os sábios inverteram a expectativa normal, sendo mais brandos na teruma (mais severa em princípio) do que no segundo dízimo (mais brando em princípio).
A controvérsia sobre a pureza ritual do processamento do tiltan da teruma pertence propriamente ao âmbito de Hilchot Tumat Ochlin (as leis de impureza dos alimentos) e Hilchot Terumot, não a Hilchot Maaser Sheni veNeta Reva. Não há, no Mishné Torá, halachá dedicada e equivalente na seção do segundo dízimo — o próprio Rambam, em seu comentário à Mishná, remete o leitor às leis de teruma e de impureza de alimentos para o detalhamento técnico deste caso.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta mishná.
"Come-se verde": significa que se coma enquanto ainda estão úmidos, como verduras, e não é permitido deixá-los secar, pois, se secarem, não serão mais adequados para o consumo (no caso do segundo dízimo — pois, uma vez seco, o tiltan deixa de ser "algo que costuma ser comido" no seu estado atual). E na teruma, é proibido deixá-los até crescerem (ou seja, mesmo na teruma há uma restrição de tempo, embora distinta: não se pode esperar que cresçam demais e endureçam, ainda que a teruma seca possa ser comida em outras condições).
"Come-se verde": quando são verduras úmidas, e não deve deixá-las até crescerem, pois deixariam de ser próprias para o consumo. Mas na teruma, come-se tanto verde quanto seco. "A Casa de Shamai diz: todo o seu processamento se faz em pureza": embora o tiltan não seja um alimento pleno, e a teruma só se aplica a ele porque é comido por algumas pessoas — por isso é comido na teruma mesmo em impureza (regra normalmente aplicada a alimentos secundários) —, ainda assim a Casa de Shamai exige que todo o seu processamento se faça em pureza e com lavagem das mãos, como qualquer outro alimento de teruma, onde quem o toca precisa antes lavar as mãos (a razão é para que as pessoas saibam que se trata de teruma e não o comam sendo não-sacerdotes). "Exceto sua lavagem": pois, sem lavar as mãos, ainda podem lavar a cabeça com ele — e assim costumavam lavar a cabeça com tiltan.
"Todo o seu processamento se faz em impureza, exceto seu embebimento": em água, pois é necessário embebê-lo em pureza. Porque, se o embebe sem lavar as mãos, o próprio embebimento os torna aptos a receber impureza (a água ativa a suscetibilidade à impureza), e ele os torna impuros imediatamente com suas próprias mãos (que, sem lavagem, são consideradas ritualmente "segundas" e transmitem impureza leve à teruma). E proibiram apenas esta etapa, como sinal distintivo, para que se saiba que se trata de teruma (mesmo que todo o resto do processo seja permitido em impureza, exige-se pureza nesse único momento, para que não se esqueça que o produto é sagrado).