O barsin, o bardessin, o dalmatikion e os calçados de pinon — não os vestirá até que os verifique. Rabi Yosê diz: os que vêm da costa do mar e de além-mar não precisam de verificação, porque sua presunção é a de serem de cânhamo. E calçado de zered não tem nele kilaim.
A Mishná trata de vestes e calçados de lã importados — que às vezes vêm costurados com fios de linho ocultos — e da regra prática de verificação exigida antes de vesti-los.
Por que a verificação é necessária, e por que Rabi Yosê a dispensa em certos casos. Diversas peças de vestuário e calçados de lã — cobertores de cama grossos e finos (barsin, bardessin), capas para as pernas (dalmatikion), e sapatos feitos de restos de lã (minalot hapinon) — eram costumeiramente costurados com fios de linho, que reforçam as costuras sem que o usuário perceba. Por isso, o primeiro sábio exige que toda peça desse tipo seja verificada (bedika) — examinada cuidadosamente para excluir a presença de linho — antes de ser vestida. Rabi Yosê introduz uma exceção geográfica: as peças que chegam da costa do mar e de além-mar (regiões onde o linho era raro e o cânhamo abundante) têm uma presunção (chazaká) de terem sido costuradas com cânhamo — que, apesar de se assemelhar ao linho, não é kilaim com a lã — e por isso dispensam a verificação individual. Já o calçado de zered — feito inteiramente de couro, revestido por dentro apenas de lã ou de feltro, sem qualquer costura de linho — está isento de qualquer preocupação, pois sua estrutura não admite a mistura em questão. Os comentadores notam que, com o tempo, o linho se tornou disponível em toda parte, de modo que a isenção geográfica de Rabi Yosê deixou de se aplicar na prática, exigindo verificação universal — mas a Mishná preserva o texto original da disputa tannaítica.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam generaliza a exigência de verificação da Mishná para toda peça de lã adquirida de um não-judeu, refletindo a observação dos comentadores de que, em sua época, o linho já era disponível em toda parte — tornando obsoleta a isenção geográfica de Rabi Yosê e universalizando a obrigação de exame antes do uso.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Todos estes nomes, não chegamos à certeza de seu significado exato, mas o assunto é conhecido e compreendido: todos são vestes de lã com que se cobrem as pernas e as coxas — pois ele disse que é proibido vesti-las até que se investigue sobre elas se estão costuradas com linho.
E Rabi Yosê disse que as que vêm de além-mar e das ilhas do mar não precisam de verificação, pois todas são costuradas com fios de cânhamo, já que o linho não se encontra entre eles. E as palavras de Rabi Yosê ele as dizia em nome de quem lhe informou, numa época em que o linho não se encontrava em lugar algum.
E assim disseram na Guemará [Yerushalmi]: "isso que dissestes vale para o começo, quando o linho não era encontrado em todo lugar; mas agora que o linho é encontrado em todo lugar, [toda peça] precisa de verificação".
E "calçado de zered" é uma espécie de sapato que se coloca sob a planta do pé para caminhar sobre esteiras e almofadas.
"O barsin e o bardessin": ambos são feitos de lã, e com eles se cobrem as camas — só que um é fino e o outro é grosso.
"Dalmatikion": capas para as pernas.
"Calçado de pinon": calçado que se faz com resto de lã.
"Até que os verifique": para que não haja linho misturado neles.
"Os que vêm da costa do mar e de além-mar": [explicação da expressão] "da costa do mar" é o mesmo que "de além-mar".
"Porque sua presunção é a de serem de cânhamo": esta Mishná foi ensinada originalmente numa época em que o linho não era encontrado em todo lugar; mas na época atual, em que o linho é encontrado em todo lugar, todos precisam de verificação — por isso, quem compra vestes costuradas de um gentio na época atual não deve vesti-las até verificá-las bem.
"E calçado de zered": calçados de couro, revestidos por dentro com feltro ou com lã grossa, chegando até a coxa.
"Não tem nele kilaim": não se receia que haja linho misturado neles.