As toalhas de mão, as toalhas de livros e as toalhas de esfregar não têm nelas kilaim. Rabi Elazar proíbe. E as toalhas de barbeiros são proibidas por kilaim.
Esta Mishná refina o critério estabelecido na anterior — o que conta como "vestir" — aplicando-o a quatro tipos de panos de uso utilitário, e chegando a uma disputa entre o primeiro sábio e Rabi Elazar sobre onde exatamente está o limite.
Por que o critério é o contato repetido com aquecimento. A Mishná anterior já estabeleceu que a proibição bíblica de shaatnez recai sobre o ato de vestir — cobrir o corpo de modo que a veste "suba" sobre a pessoa e a aqueça. Aplicando esse critério, o primeiro sábio (tanna kama) permite três tipos de panos utilitários que não se vestem propriamente: a toalha de mãos, usada apenas para secar as mãos após a lavagem ritual; a toalha de livros, com que se envolve um Sêfer Torá ou se segura o rolo durante a leitura pública; e a toalha de esfregar, com que se seca o corpo inteiro após o banho — nenhuma delas é "vestida" no sentido técnico, pois seu uso é breve e funcional, não voltado ao aquecimento do corpo. Rabi Elazar, porém, proíbe as três, por notar que, na prática, cada uma delas frequentemente acaba servindo também para aquecer: a pessoa por vezes aquece as mãos na toalha de mãos, coloca a toalha de livros no colo e se aquece com ela, ou se envolve na toalha de banho como quem se cobre. A halachá segue Rabi Elazar. Já a toalha de barbeiro — estendida sobre os ombros do cliente durante o corte de cabelo, para proteger suas vestes da sujeira — é proibida por consenso de ambos os sábios, pois tem uma "abertura para a cabeça" (bet rosh) e é usada exatamente como se veste uma peça de roupa, envolvendo o pescoço e os ombros.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá conforme a opinião de Rabi Elazar, proibindo as três toalhas que o primeiro sábio da Mishná havia permitido — pois, na prática, todas elas se enrolam sobre a mão e geram aquecimento contínuo, satisfazendo o critério de "vestir" ainda que de modo indireto.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
"Toalhas de mãos": são os panos com que se secam as mãos. "E toalhas de esfregar": panos com que se seca todo o corpo. "E toalhas de livros": panos de Sêfer Torá, com que o leitor segura o rolo no momento de sua leitura.
"E toalhas de barbeiros": panos que os barbeiros colocam sobre os ombros de quem se barbeia; e a lei é conforme Rabi Elazar, que proíbe estas três toalhas por kilaim.
"Toalhas de mãos": com que se secam ao lavar as mãos. "Toalhas de livros": que se colocam sobre o Sêfer Torá. "E toalhas de esfregar": com que se seca todo o corpo depois de se banhar.
"Rabi Elazar proíbe": a toalha de mãos, porque às vezes aquece com ela as mãos; a toalha de livros, porque às vezes a coloca no colo e se aquece; e a toalha de esfregar, porque às vezes vê seu mestre chegando e se envolve nela [para se cobrir apressadamente]. E a lei é conforme Rabi Elazar.
"Toalhas de barbeiros": os que barbeiam pessoas estendem sobre elas uma toalha para que suas vestes não se sujem. "São proibidas por kilaim": e nisso concorda o primeiro sábio, pois elas têm uma abertura para a cabeça e são vestidas à maneira de uma veste.