Estes proíbem mas não santificam: o sobejo da calva do vinhedo, o sobejo do contorno do vinhedo, o sobejo dos intervalos do aris, o sobejo das apipirot. Mas o espaço sob a videira, e o espaço de cultivo da videira, e os quatro côvados do vinhedo — estes santificam.
Esta Mishná resume, com uma lista concisa, uma distinção fundamental já plantada na Mishná anterior (7:2): existem espaços de vinhedo que apenas proíbem a semeadura por precaução, e espaços que, se semeados, efetivamente tornam a semente e o vinhedo proibidos por completo (queima).
Quatro sobejos que apenas proíbem, e três espaços que santificam. A Mishná reúne quatro casos já vistos em capítulos anteriores, todos compartilhando uma mesma estrutura: um espaço vazio maior que o mínimo exigido, do qual se retira apenas a porção equivalente ao espaço de cultivo (quatro côvados ou seis palmos), deixando um "sobejo" (motar) livre para semeadura — mas, se alguém trouxer semente para dentro desse sobejo por engano, ela é proibida por precaução, sem no entanto santificar o vinhedo. São eles: o sobejo da calva do vinhedo (kerachat hakerem, vista no Perek Dalet — a clareira central de dezesseis côvados dentro de um vinhedo destruído); o sobejo do contorno do vinhedo (mechol hakerem — o espaço entre as fileiras externas e a cerca); o sobejo dos intervalos do aris (piskei aris, visto no Perek Vav — o espaço entre dois trechos de aris situados em cercas opostas); e o sobejo das apipirot (também do Perek Vav — o espaço entre videiras treliçadas sobre estruturas elevadas). Em contraste, três espaços realmente santificam quando neles se semeia: o espaço diretamente sob a videira (onde os ramos e folhas se estendem), o espaço de cultivo da videira isolada (seis palmos) e os quatro côvados do vinhedo pleno — pois estes são o espaço mínimo e essencial reservado ao cultivo da própria videira, e não um sobejo além dele.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam codifica cada um dos quatro casos de "sobejo" em seu lugar próprio: a calva do vinhedo em Hilchot Kilaim 7:11, o contorno do vinhedo (mechol hakerem) em 7:12–7:13, os intervalos do aris (piskei aris) em 8:5–8:6, e as apipirot em 6:12. Em todos, o princípio repetido é o mesmo: "הוֹאִיל וְהִרְחִיק אַרְבַּע אַמּוֹת הֲרֵי זֶה לֹא קִדֵּשׁ" (uma vez que se afastou a distância exigida, isto não santificou) — mesmo quando, por engano, trouxe semente além do permitido. O princípio geral que rege a santificação plena — sob a videira, o espaço de cultivo e os quatro côvados do vinhedo — está formulado em Hilchot Kilaim 6:11: "כָּל הַזּוֹרֵעַ תַּחַת הַשָּׂרִיגִים וְהֶעָלִין הַיּוֹצְאִין מִן הַגֶּפֶן הֲרֵי זֶה קִדֵּשׁ" (todo aquele que semeia sob os ramos e as folhas que saem da videira, isto santificou).
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Já adiantamos que um vinhedo destruído em seu meio, se havia ali dezesseis côvados, dão-lhe seu espaço de cultivo e semeia-se o sobejo.
E o que disse "sobejo da destruição do vinhedo" é que a destruição do vinhedo foi menor que dezesseis côvados, e ele dá seu espaço de cultivo e semeia o sobejo; e assim também se nos intervalos do aris havia menos de oito côvados e mais, e deu seu espaço de cultivo e semeou o sobejo; e assim também se treliçou sobre parte das apipirot e semeou sob o restante — todos estes é proibido fazê-los. E o sentido de "proíbem" é que estes mencionados proíbem aquele lugar da terra para nele semear.
"Estes proíbem": o lugar para nele semear.
"Mas não santificam": pois, se alguém semeou, a semente não requer queima.
"O sobejo da destruição do vinhedo": por exemplo, o que aprendemos acima — a calva do vinhedo é de dezesseis côvados; se não havia ali senão quinze côvados e alguém semeou sete côvados, não santificou. E do mesmo modo o sobejo do contorno do vinhedo, de doze côvados: se não havia ali senão onze côvados, e ele se afastou quatro côvados do vinhedo e semeou o sobejo, não santificou.
"O sobejo dos intervalos do aris": pois aprendemos no capítulo anterior que, se há ali oito côvados, não trará semente ali; e se se afastou seis palmos daqui e seis palmos dali e semeou o sobejo, não santificou. E "intervalos do aris" foi mencionado para maior ênfase — mesmo havendo aris de um lado e aris do outro — e tanto mais num único aris.
"O sobejo das apipirot": pois aprendemos no capítulo anterior que não se traz semente sob o sobejo; se trouxe, não santificou.
"Mas sob a videira": por exemplo, um ramo que se estendeu para além do espaço de cultivo da videira, e ele semeou sob ele.
"E o espaço de cultivo da videira": os seis palmos que são o espaço de cultivo da videira isolada.
"E o espaço de cultivo do vinhedo": os quatro côvados.