Um aris que sai da parede a partir do canto e termina [afunilando-se] — dão-lhe seu espaço de cultivo, e semeia o restante. Rabi Yosei diz: se não há ali quatro côvados, não se deve trazer semente ali.
Mais um caso especial de configuração de aris: quando ele se estende a partir de dois cantos de uma parede, formando um triângulo que se estreita até desaparecer no meio.
O aris triangular: entre dois cantos, um espaço vazio no meio. Imagine uma parede longa com videiras plantadas apenas perto de seus dois cantos — algumas partindo de um canto, outras do canto oposto — de modo que os ramos treliçados formem um padrão que se estreita gradualmente (como um triângulo) até que, no meio da parede, não haja mais videira alguma. A opinião anônima da Mishná (os Sábios) ensina que se dá a cada uma dessas seções seu espaço de cultivo padrão (seis palmos), e o restante do espaço vazio no meio pode ser semeado livremente — pois ali não há de fato nenhuma videira presente. Rabi Yosei discorda, aplicando aqui o mesmo princípio que já havia defendido no capítulo anterior a respeito de uma videira plantada isoladamente num lagar ou numa cova: apenas quando há um espaço vazio de pelo menos quatro côvados é que esse espaço é tratado como suficientemente distinto para permitir semeadura; espaços menores continuam "contaminados" pela proximidade das videiras dos dois lados, e não se deve semear ali de forma alguma.
Como esta Mishná foi codificada em lei prática pelo Rambam.
O Rambam decide a halachá segundo a opinião anônima da Mishná, contra Rabi Yosei — não exigindo os quatro côvados mínimos propostos por ele. Notavelmente, o comentador do Mishné Torá (Radbaz) observa que o Rambam apresenta aqui um cenário ligeiramente distinto (duas paredes contíguas formando um ângulo, com o aris projetando-se a partir do vértice) em relação à leitura simples da Mishná (uma única parede com o aris saindo de ambos os cantos) — havendo até uma ilustração gráfica no Perush HaMishná do próprio Rambam para esclarecer a configuração geométrica exata.
O que os grandes comentadores dizem sobre esta Mishná.
Ele diz que se afasta seu espaço de cultivo e semeia entre as paredes, [segundo Rabi Yosei] até que haja entre a extremidade [do aris] e a parede quatro côvados, e então lhe dão seu espaço de cultivo e semeia o restante, conforme a figura que desenhamos [ilustração do formato triangular do aris entre as duas paredes]. E não é a halachá segundo Rabi Yosei.
"Um aris que sai da parede a partir do canto e termina": por exemplo, cinco videiras plantadas junto a uma cerca, que não ocupam toda a cerca, mas apenas três na ponta de um canto e duas na ponta do outro canto; e no meio da parede não há videiras, mas apenas nos dois ângulos da parede elas se encontram.
"Dão-lhe seu espaço de cultivo": seis palmos daqui e seis palmos dali, e semeia o restante da parede, ainda que o comprimento da parede não tenha quatro côvados.
"Rabi Yosei diz: se não há ali quatro côvados etc.": Rabi Yosei segue seu próprio raciocínio, pois já proibiu no capítulo anterior, a respeito do lagar e da cova, se não há ali quatro côvados. E aqui nos ensina que não se pense que apenas no lagar e na cova, que estão fechados por todos os quatro lados, é que Rabi Yosei exige quatro côvados; mas junto a uma parede, que não está cercada por quatro lados, diríamos que não. E se ele nos tivesse ensinado apenas ali, poderíamos pensar que ali Rabi Yosei exige quatro côvados porque há cinco videiras entre os dois cantos da parede; mas quanto ao lagar e à cova, onde há apenas uma videira isolada, diríamos que não — por isso foi necessário [ensinar ambos os casos]. E já escrevemos acima que não é a halachá segundo Rabi Yosei.