A filha de um chalal varão é desqualificada do sacerdócio para sempre. Um israelita que desposou uma chalalá — sua filha é apta ao sacerdócio. Um chalal que desposou uma filha de israelita — sua filha é desqualificada do sacerdócio. Rabi Yehuda diz: a filha de um convertido varão é como a filha de um chalal varão. — Se um homem descende, por linha masculina, de um chalal — mesmo depois de muitas gerações —, toda filha nascida dessa linhagem carrega a desqualificação para sempre, por mais distante que seja o chalal original. Mas o status se comporta de modo assimétrico conforme o sexo do progenitor: se é a mulher quem é chalalá e se casa com um israelita comum, a filha do casal já nasce apta ao sacerdócio — pois o status paterno (israelita íntegro) prevalece na filha. Se, ao contrário, é o homem quem é chalal e se casa com uma filha de israelita, a filha do casal já nasce desqualificada — pois o status paterno (chalal) volta a prevalecer. Rabi Yehuda estende esse mesmo raciocínio à filha de um convertido varão, equiparando-a à filha de um chalal varão.
Rambam ilustra com um exemplo de várias gerações: um chalal casa com uma filha de israelita e tem um filho; esse filho casa novamente com uma filha de israelita e tem outro filho; esse segundo filho casa com uma filha de israelita e tem uma filha — e essa filha, por mais distante que esteja do chalal original (ainda que “mil gerações” depois), permanece desqualificada do sacerdócio, pois a linhagem masculina segue sempre carregando o status de chalal adiante. É esse o sentido do “para sempre” da mishná. E a halachá não segue Rabi Yehuda quanto à equiparação da filha do convertido.
Bartenura confirma que a desqualificação de “para sempre” se refere à filha de seu filho, ou à filha do filho de seu filho, propagando-se por via masculina até o fim de todas as gerações — mas que a filha de sua filha (nascida de um israelita) já é apta ao sacerdócio, pois a própria filha do chalal, quando casada com israelita, gera filhos aptos. Sobre a posição de Rabi Yehuda, confirma que ele equipara integralmente a filha de um convertido varão — mesmo nascida de mãe israelita — à filha de um chalal varão, desqualificando-a do sacerdócio.
Rashi esclarece que a expressão “para sempre” se refere especificamente à cadeia de descendência masculina — filho de chalal seguido de filho de chalal, sucessivamente —, cuja última filha nascida permanece tão desqualificada quanto a primeira. Mas ressalva que a filha de uma chalalá (quando casada com israelita), diferentemente, já é apta, pois a filha de uma chalalá não é tratada com mais severidade do que a própria chalalá — e a filha desta, quando nascida de israelita, é apta ao sacerdócio. Sobre a posição de Rabi Yehuda quanto à filha do convertido varão, confirma que ele a desqualifica mesmo quando nascida de mãe israelita, exatamente como a filha do chalal varão — mas ressalva que a filha de uma convertida, quando nascida de pai israelita, permanece apta.