Todos os que são proibidos de entrar na assembleia são permitidos a vir uns com os outros. Rabi Yehuda proíbe. — A mishná retoma o princípio já sugerido em 4:1 — que mamzerim, guibeonitas, shetukim e assufim podem todos se casar entre si — e o generaliza: qualquer categoria proibida de “entrar na assembleia do Eterno” (conforme Devarim 23) pode se casar com qualquer outra categoria igualmente proibida, incluindo, por exemplo, um convertido amonita ou moabita com um mamzer. Rabi Yehuda discorda dessa generalização e restringe o casamento a pessoas dentro da mesma categoria específica de desqualificação.
Rabi Eliezer diz: os certos com os certos, é permitido. Os certos com os incertos — e os incertos com os certos —, e os incertos com os incertos, é proibido. E estas são as dúvidas: o shetuki, o assufi e o samaritano. — Para Rabi Eliezer, o critério relevante não é a categoria específica de desqualificação, mas o grau de certeza dela: pessoas de linhagem certamente desqualificada — como o mamzer e o guibeonita — podem se casar livremente entre si. Mas não se deve misturar uma desqualificação certa com uma meramente duvidosa (o shetuki, o assufi, e — para efeitos desta halachá — também o samaritano/cuti), nem duas dúvidas entre si, pois há sempre a possibilidade de que um deles seja, na verdade, de linhagem apta, e o outro, desqualificado — agravando, em vez de resolver, a incerteza.
É sobre esta proibição bíblica de entrar na assembleia — que recai, com contornos distintos, sobre o mamzer, o amonita, o moabita e, por extensão rabínica, sobre outras categorias de linhagem incerta — que se apoia toda a discussão desta mishná sobre quem pode se casar com quem dentro do círculo dos desqualificados.
Rambam identifica precisamente quem está incluído entre “os proibidos de entrar na assembleia”: o convertido amonita e moabita, o mamzer, o shetuki cuja mãe não foi investigada, o assufi e o samaritano. Explica ainda que, mesmo Rabi Yehuda — que em geral proíbe o convertido de se casar com uma mamzeret, por considerar que “assembleia de convertidos” também se chama assembleia — concorda que um convertido amonita ou moabita, ele mesmo proibido de entrar na assembleia, pode se casar com uma mamzeret. E conclui que a halachá segue Rabi Eliezer: uma assembleia de convertidos não é chamada assembleia, de modo que o convertido comum pode se casar tanto com uma filha de cohen quanto com uma mamzeret.
Bartenura esclarece que a novidade desta mishná, em relação à primeira do capítulo, está em incluir explicitamente o convertido amonita e moabita entre os que podem se casar com mamzerim, shetukim e assufim. Sobre a posição de Rabi Eliezer, exemplifica: “certos com certos” é, por exemplo, um mamzer com uma guibeonita — ambos de desqualificação certa. Já “dúvida com dúvida” — como um shetuki com uma shetukit — é proibido, ainda que ambos sejam apenas duvidosos, porque é sempre possível que um deles seja realmente apto e o outro desqualificado, o que tornaria essa união proibida. A halachá segue Rabi Eliezer.
Rashi, discutindo na Guemará a base bíblica de que uma “assembleia de convertidos” não recebe o nome técnico de “assembleia” para efeitos da proibição de Devarim 23, explica que não sobrou, na leitura dos versículos, nenhum termo bíblico excedente que pudesse ser aplicado especificamente a uma assembleia composta de convertidos — o que sustenta a posição de Rabi Eliezer, adotada como halachá, segundo a qual convertidos podem se casar tanto com cohanim quanto com mamzerim. Explica ainda, sobre a distinção entre “assembleia de cohanim”, “assembleia de leviim” e “assembleia de israelitas” mencionada nos versículos correlatos, que eles saem todos de “uma só assembleia” — pois formam, em conjunto, uma única tribo — e não se pode chamar de “assembleia” apenas a metade de uma tribo.