Aquele que consagra duas mulheres com o valor de uma perutá [juntas], ou uma mulher com menos do que o valor de uma perutá — ainda que depois disso tenha enviado presentes [sivlonot] — ela não está consagrada, pois foi por conta do primeiro kidushin que ele enviou. E o mesmo vale para o menor que consagrou. — A mishná trata de dois cenários em que o kidushin original é inválido por não atingir o valor mínimo de uma perutá — seja porque o valor foi dividido entre duas mulheres (de modo que a parte de cada uma vale menos que uma perutá), seja porque uma única mulher recebeu um objeto de valor inferior a uma perutá. Em ambos os casos, mesmo que o homem, tempos depois, envie à mulher os presentes tradicionais de noivado (sivlonot) — um gesto que normalmente sinalizaria reconhecimento e confirmação do compromisso —, isso não transforma o kidushin inválido em válido. A lógica é que se presume que ele enviou os presentes tendo em mente precisamente aquele primeiro (e inválido) kidushin, pensando erroneamente que ele já havia se efetivado — e não com a intenção consciente de agora, retroativamente, completar um novo ato de consagração com o valor dos presentes. Sem uma nova declaração explícita de kidushin no momento do envio dos presentes, o ato permanece juridicamente vazio. O mesmo princípio, ensina a mishná, aplica-se ao caso de um menor que realizou um kidushin (que, sendo menor, não tem validade jurídica alguma) e, já adulto, enviou presentes à mesma mulher: presume-se que ele os enviou por pensar (erroneamente) que seu kidushin de menor já havia sido válido, e não com a intenção presente de agora consagrá-la de fato.
Rambam esclarece por que a mishná precisou mencionar três cenários aparentemente semelhantes: se apenas o primeiro caso (duas mulheres por uma perutá) fosse ensinado, poder-se-ia pensar que, por já ter havido efetivamente uma transferência de dinheiro, o envio posterior de presentes indicaria uma nova intenção de consagração; e se apenas o segundo (menos de uma perutá) fosse ensinado, poder-se-ia distinguir esses dois casos entre si de outras formas. O caso do menor, porém, é o mais claro de todos: todos sabem que o kidushin de um menor não vale absolutamente nada, e por isso os presentes enviados depois de ele atingir a maioridade só podem ser entendidos como enviados "por conta" daquele kidushin inválido anterior — confirmando que, em todos os três casos, a intenção por trás do envio recai sobre o ato original, e não sobre um novo ato de consagração.
Bartenura define "sivlonot" simplesmente como os presentes que o noivo costuma enviar à sua noiva. Sobre o motivo pelo qual esses presentes não podem ser reinterpretados como um novo ato de consagração deliberado, Bartenura enfatiza que a halachá não presume que o homem soubesse que seu primeiro kidushin era inválido e tivesse então decidido conscientemente enviar os presentes já com a intenção explícita de consagração — a presunção jurídica padrão é justamente a oposta: que ele os enviou por conta do (e acreditando na validade do) kidushin original.
Rashi confirma na sua glosa o significado simples de "sivlonot": são os presentes de noivado que o noivo, por costume, envia à sua noiva depois do kidushin, como sinal de compromisso — reforçando por que, no contexto desta mishná, seu envio posterior é naturalmente entendido pelos sábios como decorrente da crença (ainda que equivocada) de que o kidushin original já era válido, e não como um ato novo e independente de consagração.