Aquele que consagra a mulher com a condição de que não há sobre ela votos, e foram encontrados sobre ela votos, ela não está consagrada. Se a desposou sem especificação, e foram encontrados sobre ela votos, ela sai [do casamento] sem a ketubá. [Se a consagrou] com a condição de que não há nela defeitos, e foram encontrados nela defeitos, ela não está consagrada. Se a desposou sem especificação, e foram encontrados nela defeitos, ela sai sem a ketubá. Todos os defeitos que desqualificam entre os cohanim desqualificam entre as mulheres. — A mishná estabelece uma distinção jurídica fundamental entre dois cenários. No primeiro, o homem declarou explicitamente uma condição — "consagro-te com a condição de que não há sobre ti votos [que restringem sua liberdade ou conduta]" — e, se essa condição se revela falsa, o kidushin inteiro é anulado retroativamente, como se nunca tivesse ocorrido, pois a condição não foi cumprida. No segundo cenário, porém, o homem não estabeleceu condição alguma; ele simplesmente a desposou "sem especificação" (setam). Aqui, ainda que se descubram depois votos que ela havia feito, o casamento permanece plenamente válido — mas a lei reconhece que, tacitamente, nenhum homem deseja se casar com "uma mulher dada a votos" (pois os votos podem restringir a vida conjugal de formas imprevisíveis), e por isso lhe concede o direito de divorciá-la sem a obrigação de pagar-lhe o valor integral da ketubá, como penalidade por ela não ter revelado essa informação relevante antes do casamento. O mesmo raciocínio, com a mesma distinção entre condição explícita e ausência de condição, aplica-se aos defeitos físicos: se condicionado explicitamente, sua existência anula o kidushin por completo; se não condicionado, apenas reduz o direito à ketubá em caso de divórcio. A mishná fecha remetendo à lista de defeitos físicos que desqualificam os cohanim para o serviço no Templo (detalhada no tratado de Bechorot) como o padrão que define, também aqui, o que conta como "defeito" relevante para invalidar ou reduzir os direitos do casamento.
Rambam remete o leitor a seu próprio comentário sobre o sétimo capítulo do tratado de Ketubot, onde essa mesma halachá — a distinção entre condição explícita, que anula o kidushin, e casamento sem condição, que apenas reduz o direito à ketubá — já foi desenvolvida em maior profundidade, no contexto paralelo dos votos e defeitos que afetam o direito da esposa à sua ketubá em caso de divórcio.
Bartenura explica por que, no caso do casamento sem condição, a mulher ainda precisa de um documento de divórcio (guet) formal, apesar de o marido ter o direito de dispensá-la sem a ketubá: como o marido não especificou explicitamente sua condição, existe a possibilidade — ainda que apenas uma dúvida (safek) — de que sua intenção implícita também estivesse voltada contra uma "mulher dada a votos", quase como se tivesse condicionado; por essa dúvida, requer-se um guet formal para dissolver o vínculo, ainda que sem o pagamento da ketubá. Sobre a lista de defeitos, Bartenura remete ao tratado de Ketubot, folha 75, onde ela é detalhada por extenso.
Rashi confirma e precisa o mecanismo por trás da penalização sem anulação: o marido, ao descobrir os votos depois do casamento, pode legitimamente declarar que não deseja permanecer com "uma mulher dada a votos" — e essa objeção, embora não tenha sido declarada como condição formal no momento do kidushin, é reconhecida pelos sábios como suficiente para retirar-lhe a obrigação da ketubá. Ainda assim, por se tratar apenas de uma exigência rabínica baseada em dúvida (safek) — já que ele não especificou sua intenção no ato —, um documento de divórcio formal continua sendo necessário para dissolver o vínculo por completo.