E estas saem sem ketubá: a que transgride a lei de Moisés e a lei judaica. E qual é a lei de Moisés? Alimentá-lo com o que não foi dizimado, servi-lo em estado de nidá, não separar dele a challá, e fazer votos e não os cumprir. E qual é a lei judaica? Sair com a cabeça descoberta, fiar na rua, e falar com qualquer homem. Aba Shaul diz: também a que amaldiçoa os pais dele em sua presença. Rabi Tarfon diz: também a "voz alta" (kolanit). E qual é a "voz alta"? Quando ela fala dentro de sua casa e suas vizinhas ouvem sua voz. — Diferente das mishnayot anteriores, aqui é a própria conduta da esposa, e não um voto do marido, que a leva a perder seus direitos financeiros. A "lei de Moisés" abrange transgressões objetivas de mandamentos da Torá que ela comete e ocultam dele, fazendo-o transgredir sem saber — alimentá-lo com comida não dizimada, servi-lo durante seu período de impureza menstrual sem avisá-lo, ou deixar de separar a porção sacerdotal da massa. A "lei judaica" abrange, em vez disso, normas de recato costumeiras entre as filhas de Israel, ainda que não escritas explicitamente na Torá — sair em público com a cabeça descoberta, fiar lã expondo os braços na rua, ou conversar livremente com qualquer homem, todos comportamentos que comprometem sua reputação de modéstia. Aba Shaul e Rabi Tarfon acrescentam duas categorias adicionais dentro dessa mesma "lei judaica": amaldiçoar os sogros na presença do marido, e falar tão alto em casa que as vizinhas a ouvem — um comportamento indecoroso que expõe a intimidade do lar.
O costume de a mulher cobrir a cabeça — cuja violação abre a lista da "lei judaica" — tem sua base talmúdica no próprio ritual da sotá, a mulher suspeita de infidelidade, cujo cabelo é descoberto publicamente como parte de seu julgamento e humilhação.
A Guemará deriva do ritual da sotá o princípio de que descobrir o cabelo da mulher é, na tradição bíblica, um ato de exposição e vergonha reservado a quem é suspeita de transgressão — dali os sábios instituíram o costume oposto para toda mulher casada, de manter a cabeça sempre coberta em público, como sinal de recato e fidelidade. Uma mulher que sai voluntariamente com a cabeça descoberta, imitando a condição da sotá, sinaliza um desprezo por esse padrão de modéstia estabelecido, e por isso a mishná a inclui entre as que perdem o direito à ketubá — uma perda com raiz simbólica direta no mesmo texto que trata da infidelidade suspeita.
Rambam, no Perush HaMishná, exige que toda transgressão da lista seja comprovada por testemunhas e advertência formal, e detalha o sentido de vários dos comportamentos listados.
Rambam explica que, para perder a ketubá por violar a "lei de Moisés", é necessário estabelecer que ele confiou nela quanto a essas matérias — perguntando-lhe se algo era permitido e recebendo dela a garantia de que sim — e que, após investigação e verificação, descobriu-se que ela mentiu, sendo na verdade proibido. Em todos os casos, exige-se testemunhas e advertência prévia para que ela de fato perca sua ketubá. Sobre "fiar na rua", Rambam esclarece que se trata de expor os braços a outras pessoas enquanto trabalha, um comportamento imodesto.
Bartenura detalha cada item da lista com seus cenários típicos; Rashi, sobre a Guemará, confirma a origem consuetudinária — e não escrita — da "lei judaica", em contraste com os mandamentos explícitos da "lei de Moisés".
Bartenura explica cada categoria: alimentá-lo com o não dizimado ocorre quando ela lhe garante falsamente que determinado produto já foi dizimado por terceiro, e depois se descobre a mentira; servi-lo em nidá é comprovado quando as vizinhas atestam tê-la visto usando as roupas próprias do período menstrual, embora ela tenha dito ao marido que estava pura. Bartenura confirma o princípio geral: em todos os itens desta lista, exige-se testemunhas e advertência prévia para que ela perca a ketubá — e que, sem essa comprovação formal, o direito dela permanece intacto.
Rashi confirma a distinção fundamental entre as duas categorias: a "lei de Moisés" compreende mandamentos explícitos escritos na Torá, enquanto a "lei judaica" compreende costumes que as filhas de Israel adotaram por conta própria ao longo das gerações, mesmo sem estarem escritos formalmente — mas que se tornaram tão vinculantes quanto a lei escrita, precisamente por expressarem o padrão coletivo de recato esperado de toda mulher casada. Rashi também confirma o cenário de "servi-lo em nidá": as vizinhas testemunham tê-la visto usando as vestes próprias do período de impureza, apesar de ela ter assegurado ao marido que estava pura e ter mantido relações com ele.