Estas são as jovens que têm direito à multa: quem se deita com a mamzeret, e com a netiná, e com a cutit; quem se deita com a convertida, e com a cativa, e com a serva, que foram resgatadas, e se converteram, e foram libertadas quando tinham menos de três anos e um dia; quem se deita com sua irmã, e com a irmã de seu pai, e com a irmã de sua mãe, e com a irmã de sua esposa, e com a esposa de seu irmão, e com a esposa do irmão de seu pai, e com a nidá, têm direito à multa. Ainda que estejam sob pena de carte, não há entre elas pena de morte por tribunal. — A mishná reúne dois grupos distintos sob a mesma regra: de um lado, mulheres desqualificadas para casar com um israelita comum por sua origem ou condição — a filha de união proibida, a descendente dos guibonitas, a samaritana, ou a convertida, cativa e serva resgatadas ainda pequenas, presumidas virgens; de outro, as parentas proibidas por incesto. Em ambos os casos, poder-se-ia pensar que, por já serem proibidas por outro motivo, a multa da Torá — pensada para a jovem israelita comum — não se aplicaria a elas. A mishná ensina que, mesmo assim, têm direito à multa, desde que a proibição não acarrete pena de morte por tribunal, apenas carte ou proibição simples.
A multa de cinquenta peças de prata que a Torá impõe a quem viola ou seduz uma jovem virgem não desposada é o fundamento de todo o tema do Perek Guimel. A mishná pergunta a quem essa lei se aplica quando a jovem, além de virgem e não desposada, também é proibida por outro motivo — seja por sua origem (mamzeret, netiná, cutit), seja por conversão, cativeiro ou libertação ocorridos ainda na infância, seja por ser parenta proibida por incesto. A resposta é que a multa se mantém, desde que a transgressão não acarrete pena de morte por tribunal — pois, nesse caso, o princípio de que "não há pena de morte e pagamento pela mesma transgressão" excluiria a multa.
Rambam, no Perush HaMishná, explica a estrutura da mishná e a condição comum a todos os casos listados: tratar-se de transgressões puníveis com carte, mas não com pena de morte por tribunal.
Rambam explica que a lista de proibições sujeitas a carte mencionadas na mishná — irmã, irmã do pai, irmã da mãe, irmã da esposa, esposa do irmão, esposa do tio paterno e nidá — só geram direito à multa quando não houve advertência formal (hatraá) ao transgressor no momento do ato. Isso porque, se houve advertência, ele se torna sujeito a açoites (malkot), já que toda transgressão punível com carte é, em princípio, também punível com açoites quando há testemunhas e advertência; e a regra fundamental é que ninguém é açoitado e paga ao mesmo tempo pela mesma transgressão. Sem advertência, porém, não há açoites, e a multa se aplica normalmente.
Bartenura identifica cada uma das categorias listadas e por que a Guemará precisa esclarecer que a lista trata de mulheres "desqualificadas"; Rashi, sobre a Guemará, detalha a origem de cada proibição.
Bartenura explica cada categoria: a netiná é descendente dos guibonitas, chamados assim porque Josué os designou cortadores de lenha e tiradores de água, e são proibidos de se casar com a congregação de Israel; a cutit é tratada como não judia por esta opinião, que considera os samaritanos convertidos por medo de leões e não por sinceridade; as menores de três anos resgatadas, convertidas ou libertadas mantêm o status de virgem, pois relações ocorridas no cativeiro ou na condição anterior não afetam fisicamente essa idade; e a esposa do irmão ou do tio paterno entram na lista no caso de terem sido apenas desposadas — e não plenamente casadas — com esse parente, e depois divorciadas, permanecendo ainda virgens. Sobre o fecho da mishná, Bartenura observa que carte não isenta do pagamento da multa, exceto quando há advertência formal, pois então vale a regra de que ninguém é açoitado e paga ao mesmo tempo.
Rashi observa que a Guemará questiona a formulação da mishná: por que dizer especificamente "estas jovens têm direito à multa", como se as demais — as jovens qualificadas para casar normalmente — não tivessem? A resposta é que a mishná não pretende excluir as jovens qualificadas, cujo direito à multa é óbvio, mas precisamente ensinar que também as desqualificadas — como a mamzeret e as demais — têm esse direito, algo que não seria evidente sem essa lista explícita. Rashi explica ainda cada categoria: a netiná provém dos guibonitas, proibidos pelo decreto de Davi; a cutit é considerada não judia por este taná, que via a conversão dos samaritanos como motivada pelo medo dos leões enviados contra eles, e não por sinceridade religiosa.