Um pedaço de gordura proibida e um pedaço de gordura proibida que é sobra ritual — comeu um deles e não se sabe qual deles comeu, traz chatat e asham talui. Comeu o segundo, traz três chatot. Comeu um a primeira e veio outro e comeu a segunda — este traz chatat e asham talui, e este traz chatat e asham talui. Rabi Shimon diz: este chatat e este chatat, e ambos trazem uma única chatat. Rabi Yosei diz: toda chatat que vem por um pecado, não trazem dois a mesma.
— O último caso da série, e o fecho do Perek Hei, soma à proibição de gordura uma segunda camada distinta: a peça não é gordura consagrada, mas gordura que é também notar — sobra ritual de um sacrifício cujo prazo de consumo já expirou, cuja violação intencional também obriga a caret e, inadvertida, a chatat, pois a proibição de notar recai sobre a de gordura como issur mosif, proibição adicional. Por isso, o taná anônimo já obriga, desde a primeira ingestão em dúvida, tanto uma chatat certa (pois, seja qual for a peça comida, era gordura proibida) quanto um asham talui — não por meilá, mas pela dúvida separada de ter também violado a proibição de notar, cuja infração certa obrigaria a uma segunda chatat. O Rambam explica que, embora o padrão dos casos anteriores fosse somar um asham vadai quando a segunda camada envolvia meilá, aqui a segunda camada é o notar, e como um pedaço isolado de notar normalmente não vale a pequena moeda mínima (shavê perutá) exigida para a obrigação de meilá, o asham correspondente não se aplica — por isso a mishná fala em asham talui, e não asham vadai, mesmo depois de comer as duas peças. Se a pessoa comer, então, também a segunda peça — havendo conhecimento intermediário — ela acumula três chatot: duas pela gordura proibida (comida em dois momentos distintos de inadvertência) e uma pela violação certa da proibição de notar. Quando duas pessoas diferentes comem, cada uma, uma das peças, cada uma traz sua própria chatat certa pela gordura e seu próprio asham talui pela dúvida de notar; Rabi Shimon propõe, mais uma vez, associar as duas apenas quanto à segunda obrigação, trazendo uma única chatat adicional em sociedade. Rabi Yosei fecha o Perek Hei reafirmando, pela última vez e em termos gerais, seu princípio de que nenhuma chatat que expia um pecado pode ser trazida por dois indivíduos em sociedade — ressalvando implicitamente, como observam Rambam e Bartenura, apenas a chatat da parturiente, que por não vir em razão de um pecado, foge a essa regra e admite sociedade condicional, como já visto no Perek Alef deste tratado.
חתיכה של חלב וחתיכה של חלב נותר אכל כו': זה אשם תלוי הוא מחמת לא הודע של נותר לפי שהנותר בכרת כמו שנתבאר פעמים וידוע שאיסור נותר חל על איסור חלב לפי שהוא איסור מוסיף כמו שבארנו בשלישי ממסכת זו: ומה שאמר ג"כ חייב ג' חטאות על מנת שתהא ידיעה בינתיים אבל אם אכל שניהם יחד בהעלם אחת חייב ב' חטאות והטעם שמחמתו לא אמר עם הג' חטאות ואשם ודאי מצד המעילה הואיל ונהנה מן ההקדש מפני שהנותר על הרוב אין חתיכה ממנו שוה פרוטה מפני שהוא נפסד ואין מחייבין מעילה אלא למי שנהנה שוה פרוטה וכבר פסקו אותו בגמרא דלא אית ביה שוה פרוטה: ומה שאמר ר' יוסי כל חטאת שהיא באה על חטא כגון שאר חטאות אבל חטאת יולדת שנים מביאים אותה וכבר בארנו בתחלת מסכת זו שדבריו נדחים ואפילו במחוסר כפרה אין שנים מביאים חטאת בשותפות:
Bartenura explica: traz chatat por causa da gordura, e asham talui por causa da dúvida do notar, pois o notar está sob caret como a gordura, e a proibição de notar recai sobre a proibição de gordura por ser proibição adicional. “Traz três chatot”: duas por causa da gordura e uma por causa do notar — e isto quando houve conhecimento intermediário, pois, se não, traz apenas duas chatot, uma por causa da gordura e uma por causa do notar. E o motivo de não se ensinar aqui, como se ensinou acima, três chatot e asham vadai, é que a maior parte do notar não vale a pequena moeda mínima, pois já está estragado, e não se obriga meilá senão a quem usufruiu de valor igual à pequena moeda mínima. “Toda chatat que vem por um pecado”: excluindo a chatat da parturiente, que não vem por um pecado — pois Rabi Yosei entende que duas mulheres a trazem em sociedade e sob condição, como se disse no primeiro capítulo. E a decisão halachica é que nenhuma chatat vem em sociedade, mesmo a chatat de quem ainda carece de expiação.
Com esta mishná, encerra-se o Perek Hei de Massechet Keritot. O capítulo abriu classificando os tipos de sangue do abate que obrigam a caret ou chatat, e os que ficam isentos por não serem dam hanefesh (5:1). Seguiu-se um bloco dedicado à dúvida de meilá: a disputa entre Rabi Akiva e os Sábios sobre se ela obriga ao asham talui, e a proposta de Rabi Tarfon de unificar pagamento e oferta condicional (5:2), limitada por Rabi Akiva aos casos de valor pequeno, e fechada com o caso paralelo da chatat de ave da mulher em dúvida sobre o parto (5:3). A segunda metade do capítulo desenvolveu, com rigor quase matemático, a série das duas peças em dúvida — não sagrada e consagrada (5:4), não sagrada e gordura proibida (5:5), gordura proibida e consagrada (5:6), gordura proibida comum e consagrada (5:7), e gordura proibida comum e sobra ritual (5:8) — combinando, a cada passo, as obrigações de asham talui, chatat e asham vadai, e mantendo ao longo de toda a série a disputa entre Rabi Shimon, que permite a sociedade condicional entre dois comensais distintos, e Rabi Yosei, que a rejeita para toda oferenda que expia um pecado.
O tratado prossegue no Perek Vav, seu capítulo final, com a chatat de valor fixo aplicada aos diferentes casos de dúvida e engano que fecham Massechet Keritot.