Aquele que faz uma peça de dois palmos de tecido e um de saco, ou de três de saco e um de couro, ou de quatro de couro e um de esteira — é puro. Aquele que faz de cinco de esteira e um de couro, ou de quatro de couro e um de saco, ou de três de saco e um de tecido — é impuro. Esta é a regra: tudo o que se une a ele do mais rigoroso do que ele, é impuro; do mais leniente do que ele, é puro.
Esta mishná resolve o caso de uma peça costurada a partir de retalhos de dois materiais distintos, cada um abaixo de sua própria medida mínima. O princípio é que apenas o material de medida mais exigente (o “mais leniente”, isto é, aquele que precisa de mais área para se tornar suscetível) pode completar a medida do material de exigência menor (o “mais rigoroso”) — nunca o inverso. Assim, dois palmos de tecido (que sozinho precisaria de três) somados a um palmo de saco (que sozinho precisaria de quatro) permanecem puros, pois o saco, sendo mais leniente, não pode emprestar sua parte para completar a medida do tecido, mais rigoroso. Já três palmos de saco somados a um palmo de tecido tornam-se impuros, pois o tecido, mais rigoroso, completa a medida do saco, mais leniente, com facilidade.
“Aquele que faz dois do tecido e um do saco”: diz que aquele que unir um pedaço de tecido e um pedaço de saco, sendo seu total três por três, tendo na soma do pedaço de tecido dois palmos por dois palmos e na soma do saco um palmo por um palmo — esta peça unida não se torna impura pelo leito do zav, pois é preciso três por três apenas na medida do tecido, e esta medida não se completa senão com o saco, cuja medida é quatro por quatro. Mas se o assunto se inverteu, e o costurado era três do saco e um do tecido, sendo que o unido tinha a medida do saco, que é quatro, e a medida se completou com o tecido, cuja medida é três por três — então torna-se impuro pelo leito do zav, e igualmente nas demais impurezas, segundo o que estabelecemos.
E isto é o que disse: “tudo o que se une a ele do mais rigoroso do que ele, é impuro” — e o mais rigoroso do que ele é aquele cuja medida para receber impureza é menor que a sua; e o mais leniente do que ele é aquele cuja medida é maior que a dele, como a esteira. E convém que todos estes tipos se combinem entre si, ainda que não sejam iguais em suas medidas, porque há entre eles algo que os inclui a todos: que todos são aptos a se tornarem impuros como leito, como se explicou ao final do quarto capítulo de Meilá.
Sobre “fazia dois do tecido”: dois palmos. Sobre “e um do saco”: um palmo. Sobre “é puro”: porque o inferior não completa a medida do superior, pois a medida do inferior é maior; mas o superior completa a medida do inferior, pois mesmo em medida pequena o superior recebe impureza. Sobre “do mais rigoroso”: porque basta a ele medida pequena. Sobre “do mais leniente”: porque requer medida grande.
E é justamente na ordem escrita na mishná que se combinam ao mais leniente entre eles: o tecido e o saco, o saco e o couro, o couro e a esteira; mas tecido e couro, ou tecido e esteira, ou saco e esteira, não se combinam, porque quem os une tem sua intenção anulada perante todo homem. Porém, para fazer deles um remendo sobre a sela de burro, todos se combinam, pois de qualquer um deles que se ajuste um palmo e se faça dele um remendo para a sela do burro, combina-se, porque não importa, para este fim, se é de dois tipos.