As bases dos vasos, suas bordas, suas alças e os cabos dos vasos que têm receptáculo, sobre os quais caíram líquidos: seca-se e permanecem puros. Mas todos os demais vasos (que não podem conter romãs), que não têm parte externa e parte interna, se caíram líquidos sobre parte deles, tudo fica impuro. Um vaso cuja parte externa se tornou impura por líquidos: sua parte externa fica impura, seu interior, sua borda, sua alça e seus cabos permanecem puros. Se seu interior se tornou impuro, tudo fica impuro.
A mishná trata das partes acessórias de um vaso — sua base, sua borda, suas alças e seus cabos. Quando líquidos impuros caem sobre essas partes de um vaso que tem receptáculo interno, basta secá-las para que voltem a ser puras, pois não se consideram parte integrante do vaso para efeito de contaminação por líquidos. Já nos vasos que não têm distinção entre parte externa e interna — por não terem abertura do tamanho suficiente para conter romãs — qualquer contato de líquido impuro com qualquer parte contamina o vaso inteiro. E quando a parte externa propriamente dita de um vaso se contamina por líquidos, contamina-se apenas ela: o interior, a borda, a alça e os cabos permanecem puros; mas, se o interior se contamina, o vaso inteiro fica impuro.
“Canei kelim” (bases dos vasos): seus assentos. “Ve-ognehem” (suas bordas): seus colos. “Ve-oznehem” (suas alças): as alças que saem do corpo do vaso, nas quais se encaixa o cabo, como se faz nos jarros e nas panelas de cobre. “Vidot ha-kelim” (os cabos dos vasos): seus cabos.
E é evidente que, quando disseram aqui “caíram sobre eles líquidos”, referem-se a líquidos impuros — e já sabes que a impureza de líquidos para os vasos é por decreto rabínico, como já explicamos, e o limite do que decretaram impureza é para o próprio vaso. Mas quando caíram líquidos impuros sobre sua boca, ou sobre sua borda por fora, ou sobre sua alça, não se torna impuro, pois todas essas coisas são separadas do vaso — e do mesmo modo o cabo, ainda que o vaso tenha receptáculo —, porque o limite do que decretaram tornar os vasos impuros não foi tornar impuros os cabos dos vasos. E a explicação toda é evidente.
Sobre “canei ha-kelim”: bases dos vasos; expressão de “e a sua base” (Vayicrá 8), que se traduz, em aramaico, “ve-yat bessisêh”.
Sobre “ve-hognehen”: o mesmo que “ve-ognehen”, isto é, suas bordas.
Sobre “ve-oznehen”: o lugar onde se encaixa o cabo.
Sobre “ha-mekablin”: que têm interior.
Sobre “seca-se e permanecem puros”: porque essas partes não são consideradas ligadas ao corpo do vaso a ponto de trazer a impureza de líquidos ao vaso que tem receptáculo, e basta secá-las. Mas para um vaso que não tem interior, é necessária imersão.
Sobre “suas alças e seus cabos permanecem puros”: os sábios fizeram nisto um sinal distintivo, para que não se queimasse por causa deles a teruma e as coisas sagradas. E especificamente quanto à teruma fizeram esse sinal distintivo, mas não quanto às coisas sagradas, como ensinaremos adiante neste capítulo.