Há três tipos de escudos: o escudo curvado é impuro por pisadela. E o que se usa para jogar no kunfon, é impuro por impureza de morto. E a diytzá (dança) dos árabes é pura de tudo.
Abre-se o Perek Vinte e Quatro com os utensílios de guerra e defesa. O escudo (trís) curvado — o de uso corrente, que envolve o corpo do combatente por três lados — é apto tanto para deitar-se sobre ele quanto para sentar-se, e por isso recebe a impureza de pisadela do zav, a mais grave das categorias de impureza para vasos. O escudo pequeno e redondo, sem curvatura, usado nos jogos de combate simulado no campo chamado kunfon, não serve para deitar-se nem sentar-se, mas, sendo um utensílio de uso genuíno, recebe ao menos a impureza de morto e as demais impurezas gerais dos vasos. Já o pequeno escudo usado pelos árabes em suas danças e diversões não é, de fato, um instrumento de uso sério, mas mero objeto de brincadeira — e por isso é totalmente puro.
Não te seja oculto, em todo este capítulo, o princípio já mencionado antes: que dizem “tudo o que é impuro por pisadela é impuro por impureza de morto”; e assim, sempre que ouvires falar de algo que é “impuro por impureza de morto”, não é essa a intenção de que a coisa não se torne impura por nenhuma das impurezas exceto a impureza de morto; a intenção, porém, é que essa coisa não se torna impura pela pisadela do zav e não é um assento — mas ela se torna impura pelo morto e pelas demais impurezas, e pelo toque do zav, sendo então primeiro grau de impureza, e não fonte (av), conforme os princípios já estabelecidos na introdução. E depois que guardares este princípio, não restará aqui senão a explicação dos nomes, com a observação sobre alguns pontos. Quando o escudo é curvado — isto é, com a borda voltada para dentro — ele é apto para assento, e por isso é impuro por pisadela. E “kunfon”: é um campo. E a “diytzá dos árabes” é um escudo pequeno, chamado em árabe “al-agafah”, que não serve para nada além de zombaria e brincadeira.
Sobre “há três tipos de escudos”: há três leis distintas entre si nos escudos, isto é, os magenim (escudos de proteção). Sobre “o escudo curvado”: os que são comuns entre nós, que cercam a pessoa por três lados. Sobre “é impuro por pisadela”: porque é feito para deitar-se, pois deitam-se sobre ele na guerra; e tanto mais é impuro por impureza de morto, pois estabelecemos que tudo o que é impuro por pisadela é impuro por impureza de morto. Sobre “o que se usa para jogar no kunfon”: no campo do Vale do Rei, vêm dois homens, cada um com sua espada na mão e um pequeno escudo redondo, não curvado, na mão esquerda, e aprendem a se defender, cada um com seu escudo, para que o outro não o atinja; e chamam-no de “esgrimador” em língua estrangeira. Sobre “é impuro por impureza de morto”: e o mesmo se aplica a ele ser impuro por impureza de sherets e de carcaça, e das demais impurezas todas, exceto a pisadela — pois ele não se torna fonte de impureza se o zav deitou-se ou sentou-se sobre ele, mas sim primeiro grau, como o toque do zav. Sobre “a diytzá dos árabes”: um escudo muito pequeno que os árabes fazem para dança, alegria e brincadeira, e não é um utensílio de uso.