Um pau que se fez cabo para uma machadinha é conexão para impureza no momento do trabalho. O diustar é conexão para impureza no momento do trabalho. Se o fixou num poste, é impuro, mas este não é conexão a ele. Se fez dele mesmo um diustar, apenas se torna impuro o quanto necessita. Um assento que se fixou num poste é impuro, e este não é conexão a ele. Se fez dele mesmo um assento, apenas se torna impuro seu lugar. Se o fixou na trave da prensa de azeite, é impuro, e ela não é conexão a ele. Se fez em sua ponta um assento, é puro, pois lhe dizem: levante-se e façamos nosso trabalho.
A terceira mishná do capítulo trata do princípio de “conexão para impureza”: peças que, embora fisicamente distintas de um vaso, transmitem-lhe ou recebem dele impureza por estarem unidas a ele. Um pau comum, vaso plano de madeira, não é em si suscetível a impureza; mas, quando serve de cabo para uma machadinha, torna-se conexão a ela no momento em que a machadinha é usada — de modo que, tocando-se impureza no cabo ou na lâmina durante o trabalho, ambos se contaminam juntos; fora do momento do trabalho, porém, deixa de haver conexão, pois um pau assim costuma ser jogado entre a lenha. O mesmo vale para o diustar, instrumento com dois pinos usado para tecer, que só se conecta ao vaso principal durante seu uso. Já quando o diustar é fixado permanentemente num poste longo cravado no chão, ele se torna impuro se tocado por impureza — seja qual for o momento — pois, uma vez fixo, ninguém o joga fora; mas o próprio poste, sendo grande e não feito para ser vaso, não se torna conexão a ele: se a impureza tocar no poste, o diustar preso a ele não se contamina. Se, porém, o diustar for lavrado do próprio corpo do poste, apenas a parte que corresponde aos pinos e ao seu uso se torna impura, e o restante do poste permanece puro. A mesma lógica aplica-se a um assento fixado num poste ou na trave da prensa de azeite: o assento torna-se impuro por midrás, mas o poste ou a trave não são conexão a ele. Mas se o assento for lavrado da própria ponta do poste ou da trave, ele permanece completamente puro, porque, sendo parte do instrumento de trabalho, dizem a quem se senta ali: “levante-se e façamos nosso trabalho” — isto é, aquele objeto nunca foi verdadeiramente destinado a assento, mas apenas emprestado a esse uso ocasional, e por isso não se qualifica como vaso suscetível a impureza.
Sobre “conexão para impureza no momento do trabalho”: quer dizer, quando se racha com esta machadinha, este pau é conexão; e se então um sheretz tocou no pau, já se contaminou a machadinha inteira; mas fora do momento do trabalho, ele não é conexão, e se um sheretz tocou no pau, a machadinha não se contaminou, pois ele não é seu cabo senão a título de uso. Sobre o “diustar”: é palavra composta, cujo sentido é “dois lados” — já explicamos algumas vezes que “diu” é “dois” e “sitar” é “lado”, como em “lisitar chad” (“para um lado”); e o sentido da palavra composta é “o que tem dois lados”. São dois vasos feitos de madeira, um dos quais se une ao outro apenas no momento do trabalho, e o que os une é um prego comprido, encaixado no furo deles no momento de sua união; e este vaso era, entre eles, um dos vasos de tecelagem, e sobre este prego comprido colocavam a trama ou a urdidura; e na Tosefta disseram: “o prego colocado no diustar para ser o urdidor sobre ele”. Além disso, disse que, se fixou este diustar num pedaço de madeira — e é o que disse “fixou-o num poste”, que é uma trave grande, como já precedeu em Midot (3) ao dizerem “postes de cedro” — então, uma vez unido, o diustar se contaminou por inteiro quando a impureza tocou em uma de suas partes, pois, depois de fixado na madeira, ele voltou a ser como outro vaso; mas este diustar, em seu conjunto, não é conexão a esta madeira na qual foi cravado, a ponto de dizer que, quando um sheretz tocou na ponta desta madeira, o diustar que está na outra parte se contaminou — pois esta madeira não se contamina, por não ser vaso alguma; e é este o sentido de dizerem “não é conexão a ele”, isto é, que o diustar fixado é conexão a si mesmo, ao que está fixado nele; mas, se se encontra na ponta deste poste um diustar que é vaso na ponta da madeira e do próprio corpo da madeira, então não se contamina a partir da madeira senão o que se aproxima do vaso, do que o vaso necessita, mantendo-se sua forma se fosse cortado da madeira. Além disso, voltou a um assento que se torna impuro por leito do zav, sem dúvida, por ser feito para se sentar, e disse: “um assento fixado num poste é impuro”, isto é, torna-se impuro por midrás como era antes, “e não é conexão”, isto é, quando o zav se senta sobre a madeira, o assento não se contamina, pois a madeira não se contamina, como mencionamos, de modo que a impureza não chega até ele; e, se se põe na ponta da madeira um assento do próprio corpo do assento, então também não se contamina senão o assento sozinho, quando o zav pisou sobre ele; e, se cravou um assento na ponta da prensa com a qual espremem as azeitonas, que se chama “trave da prensa de azeite”, então o assento também é impuro, e não é conexão; mas, se se fez da ponta desta madeira um assento, sendo o assento do próprio corpo da trave da prensa de azeite, então este assento, quando o zav pisou sobre ele, não volta a ser leito — e este é o princípio conosco, como já precedeu, que o zav, quando se senta sobre algo apto para assento, mas este algo é vaso para outro uso, como se tomasse uma medida entre as medidas, ou uma masseira de madeira e semelhante, e a virasse e se sentasse sobre ela, sem dúvida este vaso sobre o qual se sentou é apto para assento, mas não foi feito para isso de modo algum, pois a medida não foi feita senão para medir com ela, e a masseira senão para amassar nela; e por isso é possível dizer ao zav, quando se senta sobre um destes vasos: “levante-se desta medida e meçamos com ela”, ou “levante-se desta masseira e amassemos nela”; e assim também dizem a ele aqui: “levante-se desta madeira e espremamos nela as azeitonas”; e, se o assento que está em sua ponta foi de fato feito para se sentar, mas por ser do próprio corpo da madeira, e a própria madeira é possível dizer a ele sobre ela “levante-se e façamos nosso trabalho”, então este assento não se contamina por assento — e a este sentido se dirige a explicação desta halachá. E voltarei à explicação completa deste princípio: tudo o que não foi feito, desde seu início, para se sentar, se o zav se sentou sobre ele, e podemos dizer-lhe “levante-se deste vaso e façamos com ele este uso, e não o de sentar-se sobre ele”, então ele não se contamina por leito nem por assento; e o princípio conosco é dizer ao zav “levante-se e façamos nosso trabalho”.
Sobre o “pau”: um pau de madeira comum que se fez cabo para a machadinha por um momento, sem o fixar nela permanentemente. Sobre “conexão para impureza no momento do trabalho”: pois, ainda que, isoladamente, os vasos planos de madeira não recebam impureza, aqui é um cabo, e os cabos foram incluídos em toda a lei de impureza do vaso ou do alimento; e, se a machadinha se contaminou, o cabo se contaminou, e assim também, se a impureza tocou no cabo, ele se contaminou, e a machadinha se contaminou com ele. E, especificamente no momento do trabalho, há conexão para impureza; fora do momento do trabalho, não, pois, fora do momento do trabalho, a pessoa costuma jogá-lo entre a lenha. Sobre o “diustar”: vaso que serve para dois lados. “Diu” é “dois”; “sitar” é “lado”, como traduzimos em aramaico “lisitar chad”. E é um pau que tem dois furos, um embaixo e outro em cima, e dois pinos cravados neles, um de leste a oeste e outro de norte a sul, e as mulheres enrolam nele o fio que está no fuso, e o chamamos “naspa” em língua estrangeira. E às vezes fazem estes pinos de ferro, e eles recebem impureza. Sobre “se o fixou num poste”: fixou o diustar, isto é, o pau com seus dois pinos, num poste, que é uma madeira comprida e grande, cravada na terra. Sobre “é impuro”: o diustar, dali em diante, se a impureza o tocou, pois o pau é conexão aos pinos, seja no momento do trabalho seja fora dele, uma vez que foi fixado, pois não se costuma jogá-lo entre a lenha; mas o próprio poste não é conexão a ele, de modo que, se a impureza tocou no poste, o diustar não se contaminou. Sobre “fez dele o diustar”: fixou os dois pinos no próprio corpo do poste. Sobre “não se torna impuro”: do poste, senão o que é necessário aos pinos para enrolar o fio, e o restante, seja em cima seja embaixo, é puro, pois o poste é comprido e grande. Sobre o “assento”: que é feito e o fixou num poste, o assento é impuro por midrás, e o poste não é conexão a ele para se tornar impuro por midrás como ele. Sobre “fez dele mesmo um assento”: do próprio poste fez um assento. Sobre “não se torna impuro senão seu lugar”: isto é, o necessário para o assento, e o restante do poste é puro. Sobre “fixou o assento na trave da prensa de azeite”: na qual se espreme o azeite das azeitonas — o assento é impuro por midrás, e a trave não é conexão e é pura. E, se do próprio madeiro da trave o assento é feito numa de suas pontas, também o assento é puro, pois lhe dizem “levante-se e façamos nosso trabalho”. E ensina-se na Torat Kohanim: “sobre o que se sentar, tornar-se-á impuro” — poderia entender-se até mesmo que se sentou sobre a pedra ou sobre a trave; ensina o versículo: “vaso”, e não pedra nem trave. Excluo estes, mas não excluo vasos de pedra, vasos de esterco, vasos de barro; ensina o versículo “o vaso”, o vaso próprio para receber impureza, e estes vasos nunca recebem impureza. Eu teria apenas assento, banco e cadeira, os próprios para sentar; de onde a arca do banheiro, a arca cuja abertura é lateral, a masseira de dois log a nove cabin que se rachou e não se pode lavar nela um pé sequer? Ensina o versículo “e todo o vaso”, que amplia. Poderia entender-se até mesmo que virou uma se’á e se sentou sobre ela, ou um tarcav e se sentou sobre ele; ensina o versículo “sobre o que se sentar”, o que é próprio para se sentar, e não aquilo sobre o qual dizem “levante-se e façamos nosso trabalho”.