Os finos entre os vasos de barro, e seus fundos, e suas paredes que se sustentam sem apoio — sua medida é desde a capacidade de ungir um pequeno até um log. De um log até uma se’á, num quarto de log. De uma se’á até duas se’ot, em meio log. De duas se’ot até três, e até cinco se’ot, num log — palavras de Rabi Yishmael. Rabi Akiva diz: eu não lhes dou medida, mas sim: os finos entre os vasos de barro, e seus fundos, e suas paredes que se sustentam sem apoio, sua medida é desde a capacidade de ungir um pequeno até as panelas finas. Das panelas finas até os barris de Lud, num quarto de log. De Lud até Bet Lechem, em meio log. De Bet Lechem até os grandes jarros de pedra, num log. Raban Yochanan ben Zakai diz: os grandes jarros de pedra, sua medida é em dois logs. Os frascos da Galileia e os pequenos barris, a medida de seus fundos é de qualquer tamanho, e eles não têm paredes.
Após a regra geral da primeira mishná, o texto detalha o caso mais delicado: um vaso de barro grande que se quebra deixa fragmentos — um fundo, uma parede — capazes de, sozinhos, funcionar como recipiente. A pergunta é: a partir de qual capacidade de retenção esse fragmento volta a ser suscetível à impureza, como um vaso novo? Rabi Yishmael propõe uma escala vinculada à capacidade original do vaso inteiro (antes de quebrado): quanto maior era o vaso, maior precisa ser o fragmento resultante para contar como “vaso”. Rabi Akiva rejeita esse critério abstrato de volume e propõe, em vez disso, uma escala concreta baseada no tipo e no nome real dos vasos usados em sua época — da panela fina ao barril de Lud, de Lud a Bet Lechem, de Bet Lechem ao grande jarro de pedra — encerrando com a opinião independente de Rabban Yochanan ben Zakai sobre os maiores jarros de pedra, e com a regra especial dos frascos da Galileia e pequenos barris, cujos fundos pontudos contam para impureza em qualquer tamanho residual, mas cujas paredes planas nunca contam.
Rambam parte do versículo “e todo vaso de barro”, do qual a Sifrá deriva que também os cacos de vaso de barro se incluem na lei: quando um vaso de barro se quebra e resta um fragmento capaz de reter algo, esse resto se torna impuro, por já contar como um pequeno vaso — e a mishná ensina qual a medida mínima exigida. Vasos pequenos que originalmente comportavam apenas o suficiente para ungir um dedo pequeno até a capacidade de um log: quando quebrados, o fundo ou a parede que sobra, se apoiado no chão sem se sustentar pelas laterais (ou sustentando-se), deve reter um quarto (a maior parte de um log) para se tornar impuro. Se o vaso original tinha capacidade entre uma se’á e duas se’ot, o fragmento remanescente precisa reter meio log; se entre duas e cinco se’ot, precisa reter um log inteiro. Rambam relembra as equivalências: uma se’á tem seis kabin, um kab tem quatro logs, e um log tem quatro quartos — sendo a medida do quarto um recipiente de dois dedos de comprimento, dois de largura e dois dedos e sete décimos de altura, medindo o dedo pelo polegar da mão, equivalente a cerca de vinte e sete dirhams egípcios de água.
Essa é a opinião de Rabi Yishmael. Já Rabi Akiva não mede o vaso por sua capacidade original em se’ot, mas sim por seus formatos conhecidos e seus nomes correntes. Rambam explica os termos: “panelas finas” são as panelas pequenas; “barris de Lud” são os feitos em Lud, cidade da Terra de Israel; “de Bet Lechem” são os feitos ali, maiores que os de Lud; “grandes jarros de pedra” são os maiores possíveis, comparáveis, em sua época, aos jarros trazidos de Sevilha; “frascos” refere-se ao frasco de óleo, sendo os “da Galileia” os feitos na Alta e na Baixa Galileia, e os “pequenos barris” os menores de todos. Diz a mishná que a medida de seus fundos é de qualquer tamanho, porque seus fundos são pontudos como o fundo de certos vasos de vidro, e qualquer resto que ainda comporte algo permanece com a forma original de um pequeno vaso — mas suas paredes, quando restam, não têm cavidade como as dos jarros e panelas, sendo planas como uma tábua reta, e por isso não se tornam impuras. A lei segue Rabi Akiva.
Bartenura explica: “os finos entre os vasos de barro” refere-se tanto a vasos de barro finos e pequenos que, mesmo inteiros, não comportam mais que a capacidade de ungir um pequeno, quanto a fragmentos de vasos maiores quebrados — seja o fundo (que corresponde ao que fica voltado para o chão), seja uma parede capaz de se sustentar sozinha, sem apoio — ainda contados como vasos. Se comportam óleo suficiente para untar o dedo mínimo de um recém-nascido, tornam-se impuros; e assim se explica em Massechet Shabat: “untar um pequeno” é o membro pequeno de um recém-nascido de um dia. Essa medida vale para fragmentos de vasos que originalmente não passavam de um log; se o vaso original era maior, exige-se medida maior para seus fragmentos — de um log até uma se’á, um quarto de log; e assim sucessivamente.
Sobre “eu não lhes dou medida”: Rabi Akiva não mede pelo tamanho original do vaso, grande ou pequeno, mas sim pelos locais onde costumam ser fabricados e pela forma característica dos vasos. Os vasos sem formato de panela, e muito pequenos, têm medida de fragmento igual à capacidade de ungir um pequeno; já a partir do formato de panelas pequenas, a medida sobe para um quarto de log. “Barris de Lud” são feitos em Lud; “de Bet Lechem” são feitos em Belém, e maiores que os de Lud; “grandes jarros” são os cântaros maiores possíveis; “frascos da Galileia” são feitos na terra da Galileia; e os “pequenos barris” são os mesmos finos entre os vasos de barro mencionados no início. Sobre “e não têm paredes”: apenas os fundos se tornam impuros se restar neles a capacidade de ungir um pequeno, mas as paredes permanecem puras. E a lei segue Rabi Akiva.