O pente de linho cujos dentes foram removidos, e nele restaram dois, é impuro; e um só, é puro. E todos eles, um por um, por si sós, são impuros. E o pente de lã cujos dentes foram removidos, um do meio, é puro. Restaram nele três num só lugar, é impuro. Se o externo era um deles, é puro. Removeram-se dele dois e os fizeram uma pinça, são impuros. Um só, e o preparou para candeia ou para esticar, é impuro.
A última mishná do capítulo compara dois tipos de pentes usados no preparo de fibras têxteis. O pente de linho tem muitos dentes finos, semelhantes a agulhas compridas fincadas na madeira, com que se penteia o linho; enquanto restarem nele ao menos dois dentes, ainda é possível usar o pente para essa finalidade, e por isso permanece impuro; mas com um único dente restante, já não serve mais para pentear, e torna-se puro — embora cada dente individual, uma vez destacado do pente, continue impuro por si só, pois ainda serve para escrever sobre uma tábua de cera. Já o pente de lã segue uma regra mais complexa, ligada à posição dos dentes: se falta o dente do meio entre outros dois, o pente não serve mais e é puro; mas se restam três dentes seguidos, num só trecho contínuo, ainda é possível pentear com eles, e o pente permanece impuro — a menos que um desses três seja o dente externo da ponta, que é naturalmente mais largo e já não serve para pentear por si só, caso em que o pente volta a ser puro, pois restam de fato apenas dois dentes úteis. A mishná fecha com dois usos alternativos: se dois dentes soltos são transformados numa pinça de depilar, permanecem impuros por essa nova finalidade; e se um único dente é preparado para servir de instrumento de acender e aparar o pavio da candeia, ou para esticar a borda de um tecido como fazem os tecelões, também permanece impuro, pois em ambos os casos ainda serve a um propósito definido.
Sobre “o pente de linho”: é de ferro, sua forma é conhecida entre todas as pessoas, e são, no conjunto, agulhas de ferro fincadas na madeira.
Sobre “e todos eles, um por um”: quer dizer que cada agulha dessas agulhas, e também o pente de lã, é da mesma forma.
Sobre “se o externo era um deles”: seu sentido é o que vou explicar: esses pentes têm em suas pontas agulhas maiores, conforme a espessura, e fazem parte dos dentes do pente; e disse que, quando desses três dentes restam apenas dois dentes do pente, e esse externo é o terceiro deles, então o pente inteiro é puro, pois já não é adequado para pentear com ele.
Sobre “e os fizeram uma pinça”: quer dizer, com eles se recolhe o pelo do corpo.
Sobre “e a preparou para candeia”: para retirar com ela o pavio e aparar a candeia com ela.
Sobre “para esticar”: já explicamos seu sentido anteriormente.
Sobre “o pente de linho”: tem muitos dentes, semelhantes a agulhas compridas fincadas na madeira, com que se penteia o linho.
Sobre “e nele restaram dois, é impuro”: se não restaram nele senão dois dentes apenas, o pente é impuro, pois ainda serve para seu trabalho.
Sobre “um por um, por si sós, são impuras”: cada dente removido do pente, individualmente, é impuro, pois serve para escrever com ele numa tábua de cera.
Sobre “e o de lã”: pente de lã.
Sobre “um do meio”: se de três dentes contíguos foi removido o do meio, já não serve mais.
Sobre “se o externo era um deles, é puro”: o dente externo do pente é largo e não é adequado para pentear com ele, semelhante ao dente externo do nosso pente de cabeça; por isso, se o externo é um dos três que restaram, o pente é puro, pois não é adequado para pentear com ele, já que há ali apenas dois dentes úteis.
Sobre “e os fizeram uma pinça”: para recolher com eles o pelo.
Sobre “e a preparou para candeia”: para retirar com ela o pavio e aparar com ela a candeia.
Sobre “e para esticar”: assim se lê. Isto é, para esticar com ela a borda da roupa, do modo como fazem os tecelões, fincando uma agulha na borda da roupa para que suas bordas se estiquem.
Com esta oitava mishná, encerra-se o Perek Yud-Guimel de Massechet Keilim, que deu continuidade às leis dos vasos de metal exploradas nos dois capítulos anteriores, agora com ênfase particular em utensílios compostos de duas partes distintas — metálicas, ou metálicas e de madeira — e nas regras que determinam quando cada parte, isolada ou combinada, permanece apta ao uso e, portanto, sujeita à impureza.
O capítulo abriu (13:1) com armas e instrumentos cortantes cujas partes se desmontam — a espada, a faca, o punhal, as foices e as tesouras dos barbeiros —, incluindo a opinião de Rabi Yosei sobre a parte próxima da mão e da cabeça, e a disputa sobre a tesoura de costura partida em duas. A mishná 13:2 tratou de instrumentos de duas pontas opostas — o koligrifon de forno, o pincel de colírio, o estilete de escrever e o zoma-listra —, todos impuros enquanto qualquer uma das pontas ainda sirva. A mishná 13:3 voltou-se ao charchur e ao kurdom, ferramentas de terra e madeira cuja impureza depende do dano sofrido e da integridade do encaixe do cabo. A mishná 13:4 percorreu a pá de forno, a serra e as ferramentas de carpintaria cuja têmpera de aço se solta ou se lasca. A mishná 13:5 dedicou-se à agulha comum e às suas variantes — a de esticar, a dos sacos, a enferrujada, e o tzinorá que se endireita. As mishnayot 13:6 e 13:7 estabeleceram e aplicaram o princípio central do capítulo: a madeira que serve ao metal é impura, mas o metal que serve à madeira é puro — ilustrado na fechadura, no anel de coral, nos suportes de Ashkelon e nos instrumentos de joeirar, encerrando com a perplexidade de Rabi Yehoshua diante dessa inovação dos sábios. E esta última mishná, 13:8, fechou o capítulo com os pentes de linho e de lã, suas medidas de dentes restantes, e os usos alternativos de um dente isolado.
O estudo de Massechet Keilim prossegue agora para o Perek Yud-Dálet, que continuará explorando as leis de impureza dos utensílios ao longo dos dezessete perakim que ainda restam deste, o mais extenso tratado de toda a Mishná.