A agulha cujo furo (chariráh) ou cuja ponta (uktzáh) foi removida é pura. Se a preparou para esticar (mitúach), é impura. A agulha dos sacos, cujo furo foi removido, é impura, porque com ela se escreve. Removeu-se sua ponta, é pura. A de esticar, de um jeito ou de outro, é impura. A agulha que criou ferrugem: se impede a costura, é pura; e se não, é impura. O tzinorá que se endireitou é puro; se se curvou de novo, retorna à sua impureza.
Esta mishná trata da agulha comum de costura e de suas variantes. A agulha tem duas partes essenciais: o furo (chariráh), por onde passa a linha, e a ponta afiada (uktzáh), que perfura o tecido; perdendo qualquer uma delas, a agulha comum deixa de servir para costurar e torna-se pura — a não ser que tenha sido especialmente preparada para o uso dos tecelões, que tomam agulhas quebradas e as usam para esticar as bordas do tecido enquanto teem, caso em que permanece impura mesmo sem furo nem ponta, pois ainda serve para esse fim. Já a agulha grande dos sacos, usada para costurar sacos de pelo de cabra e tecidos grossos, tem uma regra diferente: mesmo sem o furo ela permanece impura, porque ainda serve para escrever — riscando letras sobre uma tábua de cera com sua ponta; mas se perde a ponta, torna-se pura, pois nem para costurar nem para escrever mais serve. A agulha preparada para esticar é impura em qualquer caso, com ou sem furo e ponta, pois seu uso não depende deles. A agulha que criou ferrugem tem sua pureza determinada pelo efeito prático: se a ferrugem ainda permite costurar, embora deixe marca no tecido, permanece impura; mas se a ferrugem já impede fisicamente a costura, torna-se pura. Por fim, o tzinorá, um pequeno gancho curvo usado para virar carne sobre as brasas ou aparar pavios, quando se estica e perde sua curva, assemelha-se a uma agulha sem furo nem ponta e torna-se puro; mas se volta a se curvar, recupera sua forma útil e retorna à impureza que já possuía antes.
Sobre “seu chariráh”: é a ponta perfurada por onde entra a linha, palavra derivada de “chor” (buraco). E “sua ponta” (uktzáh): é a ponta fina com que se perfuram as roupas; “óketz” é a extremidade de qualquer coisa que seja afiada e fina.
Sobre “a agulha dos sacos”: é uma agulha grande com que se costuram os tecidos grossos, feitos de pelo de cabra e semelhantes, tecidos espessos; e para os que bordam roupas no momento de tecê-las com a agulha, unem sobre ela os fios de seda, assim como o tecelão une o fio de linho sobre a cana fina, facilitando-lhes a introdução dessa agulha entre os fios do tecido no momento do bordado — coisa conhecida, que não precisa de explicação. E essa agulha chama-se “almitun”, por dobrar os fios sobre ela. Se removida a chariráh ou a uktzáh, ela é impura, pois não se busca dela nem furo nem ponta, mas sim a haste fina de ferro sobre a qual se une o fio; por isso disse: se a preparou para “mitá”, é impura — ou seja, para “mitná”, como explicamos; e disse “porque com ela se escreve”, ou seja, risca-se com ela.
Sobre “a agulha que criou ferrugem”: subiu sobre ela uma camada que impede introduzir nela a linha para costurar com ela. E “tzinorá”: sabe-se que é curvada dessa forma; e quando a curvatura se estende até ficar como uma agulha sem furo e sem ponta, ela é pura, pois já não serve para nenhum uso.
Sobre “seu chariráh”: como seu “choráh” (buraco), o furo por onde se introduz a linha. Sobre “sua ponta” (uktzáh): a cabeça afiada que se introduz na roupa ao costurar, como “uktzei figos”, que é a ponta pontuda que há nos figos.
Sobre “se a preparou para esticar”: é costume dos tecelões tomar uma agulha quebrada e colocá-la na borda do tecido, para que suas bordas se estiquem.
Sobre “a agulha dos sacos”: agulha grande com que se costuram os sacos feitos de pelo de cabra, e outros tecidos parecidos, mais grossos.
Sobre “porque com ela se escreve”: numa tábua de cera.
Sobre “de esticar”: se a preparou para esticar com ela a borda da roupa, do modo como fazem os tecelões. Sobre “de um jeito ou de outro, é impura”: pois ela é apta para esticar mesmo sem sua ponta e sem seu furo.
Sobre “se impede a costura”: se não pode costurar com ela por causa da ferrugem. E há os que explicam: enquanto o vestígio da ferrugem for perceptível na roupa — isso é que “impede a costura” — ela é pura, como se depreende no capítulo “Bameh Behemá”, em Shabat 52.
Sobre “tzinorá”: pequeno gancho curvo em sua ponta, com que costumam virar a carne sobre as brasas; e há dos pequenos com que se aparam pavios e se limpam velas. E quando se estica, fica como uma agulha sem furo e sem ponta, e é pura.