O charchur que foi mossado é impuro, até que se remova a maior parte dele. Quebrou-se seu encaixe (mekof), é puro. O kurdom cuja lâmina larga (ushpo) foi removida é impuro por causa de seu lado de fender (beit bikuo). Removeu-se seu lado de fender, é impuro por causa de sua lâmina larga. Quebrou-se seu encaixe, é puro.
Esta mishná trata de duas ferramentas de trabalho da terra e da madeira, cada uma com sua própria regra de dano. O charchur é um instrumento semelhante a uma enxada, com ferro afiado para cortar raízes que impedem o arado de avançar; se ele sofre uma mossa ou lasca, permanece impuro até que a maior parte de seu ferro (ou de seu fio temperado) seja removida — só então deixa de ser apto ao uso e se torna puro. Mas se o que se quebra é o “encaixe” (mekof), o orifício onde se insere o cabo, o instrumento fica imediatamente puro, pois sem esse encaixe não há mais como segurá-lo com firmeza para trabalhar. O kurdom é um machado de dupla utilidade, afiado e cortante em ambos os lados: um lado, largo, chamado “ushpo”, usado pelos carpinteiros; o outro, mais estreito, chamado “seu lado de fender”, usado pelos donos de casa para partir lenha. Enquanto qualquer um dos dois lados ainda serve, o instrumento inteiro permanece impuro por causa dele, mesmo que o outro lado tenha se perdido; mas, assim como no charchur, se o encaixe do cabo se quebra, o kurdom se torna puro, pois já não pode ser seguro com firmeza para realizar seu trabalho.
Sobre “charchur”: é o nome de um instrumento entre os dentes das ferramentas; e a ponta oca dele, na qual entra a extremidade do cabo, chama-se seu “kovo” (encaixe).
Sobre “kurdom”: é a ferramenta com que se rachа lenha; tem duas pontas: uma larga, usada pelos carpinteiros, chamada “ushpo” — traduzido “seu arado” por “ushpe”; e o “lado de fender” é a ponta que se inclina ao redondo, com a qual se separa a madeira, chamada “seu lado de fender”; e a madeira em que entra o kurdom chama-se seu “mekof” (encaixe).
Sobre “charchur”: é um instrumento feito como uma espécie de enxadão com que se escava a terra, e seu ferro é mais afiado, para cortar com ele as raízes que não venham a impedir o arado.
Sobre “até que se remova a maior parte dele”: a maior parte do ferro, ou a maior parte de seu fio temperado.
Sobre “seu mekof”: o orifício em que se insere o cabo; como [em Berachot 55a] “kofa de-machta” (o buraco da agulha).
Sobre “é puro”: pois já não serve mais para o trabalho, uma vez que não é possível inserir nele um cabo.
Sobre “kurdom”: afiado e cortante em seus dois lados. Um lado é largo, e com ele trabalham os carpinteiros, e chama-se “seu ushpo”, traduzido “seu arado” por “ushpe”. E o outro lado é curto, e chama-se “seu lado de fender”, pois com esse lado os donos de casa partem lenha. E na Guemará, no tratado Beitzá [31a], chama-se o lado largo de “seu lado feminino”, e o lado curto de “seu lado masculino”.