Acima destes, o que teve relação com uma menstruada, pois ele contamina a cama inferior como a superior. Acima destes, o fluxo do zav, e sua saliva, e sua emissão seminal, e sua urina, e o sangue da menstruada, pois estes contaminam por contato e por carregamento. Acima destes, o objeto sobre o qual se cavalga, pois ele contamina mesmo sob uma pedra pesada que o cubra. Acima do objeto de cavalgar, o objeto de deitar, pois seu contato equivale ao seu carregamento. Acima do objeto de deitar, o zav, pois o zav faz um objeto de deitar, mas o objeto de deitar não faz outro objeto de deitar.
A terceira mishná avança por cinco degraus sucessivos. Primeiro, aquele que teve relação com uma mulher menstruada (boel niddá) recebe uma gravidade específica: ele passa a contaminar não apenas a cama sobre a qual se deita (a “superior”), mas também a cama por baixo dele (a “inferior”), equiparando-se nesse aspecto à própria mulher menstruada. Em seguida, os derivados do fluxo do zav (o homem com secreção genital anormal) — sua saliva, sua emissão seminal, sua urina — e o sangue da menstruada superam o boel niddá porque contaminam tanto por contato quanto por carregamento, em qualquer quantidade. Depois vem o merkav, o objeto sobre o qual se cavalga (como o arreio de uma sela), que contamina mesmo se uma pedra pesada estiver colocada entre o corpo do zav e o objeto, desde que o peso do zav se transmita através dela. Acima do merkav está o mishkav, o objeto sobre o qual se deita, porque nele o contato equivale ao carregamento — ambos exigem lavagem de vestes, enquanto no merkav apenas o carregamento exige essa lavagem. E, no topo desta série, está o próprio zav: pois o zav, ao deitar-se, torna aquele objeto um “mishkav” capaz de contaminar outros por sua vez, mas um mishkav já contaminado não tem esse mesmo poder de tornar um segundo objeto em mishkav — ele apenas contamina como primeiro grau comum.
Rambam parte do versículo sobre o boel niddá, “e se um homem se deitar com ela, e sua menstruação vier sobre ele, ficará impuro por sete dias”: a expressão “sua menstruação vier sobre ele” ensina que ele passa a ser fonte primária de impureza como ela, capaz de contaminar pessoa e vaso de barro, por contato e por carregamento. Mas a expressão seguinte, “e todo objeto de deitar sobre o qual ela se deitar ficará impuro”, traz a condição adicional: seu próprio objeto de deitar não será fonte primária como o dela, mas apenas derivado (como um utensílio que a tocou) — contaminando apenas alimentos e líquidos, não pessoa nem utensílios. Rambam explica ainda que, quando a mishná fala em “objeto de deitar”, não se deve imaginar que o impuro precisa tocar diretamente o objeto: ainda que houvesse mil vestes ou mil cadeiras empilhadas e ele se sentasse sobre todas, todas se chamariam “objeto de deitar”, sem diferença entre o utensílio em contato direto e os demais empilhados sobre ele — tudo é impureza de mishkav. Sobre “cama inferior como a superior”, esclarece que o boel niddá contamina alimentos e líquidos tanto na cama sobre a qual se deita quanto na que fica por baixo dele, exatamente como o que fica sobre o zav. Não há diferença, para efeito de tumat mishkav, entre relação convencional e não convencional, e o parceiro deve ter nove anos e um dia ou mais.
Sobre o fluxo do zav, sua saliva, sua urina e sua emissão seminal: a tradição ensina que a expressão bíblica “e esta será sua impureza em seu fluxo” inclui também esses derivados, pois não há fluxo sem alguns traços dessas secreções. Já quanto ao sangue da menstruada, o versículo “e a que padece em sua menstruação” é entendido como “seu sangue impuro como o corpo dela mesma” — tudo isso contamina por contato e por carregamento, em qualquer quantidade, sendo essa a estrita adição que os coloca acima do boel niddá.
Sobre o merkav, Rambam explica que é tudo o que é apto para cavalgar, como a cadeira, a manta de sela ou o arreio, e que se contamina mesmo que haja uma pedra pesada (“even messama”, termo já usado no livro de Daniel para uma pedra grande colocada sobre a boca de uma cova) interposta entre o corpo do zav e o objeto — desde que o peso do zav ainda alcance o objeto através dela. Sobre o mishkav, Rambam explica que a Torá o distingue do merkav justamente porque, no mishkav, tanto o contato quanto o carregamento exigem lavagem de vestes, enquanto no merkav apenas o carregamento exige essa lavagem, não o contato isolado. E encerra citando a fonte da última cláusula: “o zav faz objeto de deitar, mas objeto de deitar não faz objeto de deitar” — de modo que, se o mishkav do zav tocar utensílios, estes se tornam apenas primeiro grau de impureza, e não mishkav por sua vez.
Bartenura explica: sobre o boel niddá está escrito “e sua menstruação virá sobre ele”, ensinando que ele contamina objetos de deitar e de sentar como a menstruada; e, como logo depois está escrito “e todo objeto de deitar sobre o qual ele se deitar ficará impuro”, o primeiro versículo deve ser reinterpretado: seu propósito é apenas ensinar que o boel niddá é fonte primária de impureza como ela, contaminando pessoa e vaso de barro — mas, quanto a tornar objetos de deitar e sentar em fontes primárias capazes de contaminar pessoa e utensílios (como faz o objeto de deitar da própria menstruada), ele não tem esse poder; seu objeto de deitar tem apenas o estatuto de primeiro grau de impureza, contaminando alimentos e líquidos, mas não pessoa nem utensílios.
Sobre “objeto de deitar inferior como o superior”: o objeto de deitar inferior do boel niddá equivale ao objeto de deitar superior do zav — assim como o objeto superior do zav (isto é, aquilo colocado sobre ele, como dez colchas empilhadas com o zav embaixo de todas) contamina alimentos e líquidos, mas não pessoa nem utensílios, também o objeto inferior do boel niddá (isto é, aquilo sobre o qual ele se deita) contamina apenas alimentos e líquidos. Já o objeto inferior do próprio zav, zavá, menstruada ou parturiente — mesmo que sejam dez colchas empilhadas e um desses impuros esteja apenas sobre a de cima — todas as de baixo ficam impuras e contaminam pessoa e utensílios.
Sobre “acima destes, o fluxo do zav etc.”: porque os itens listados a partir daqui contaminam em qualquer quantidade, por contato e por carregamento, enquanto o boel niddá só contamina ao carregar seu corpo inteiro — por isso a mishná os coloca acima dele. Sobre “contaminam por contato e por carregamento”, isto é, seu contato equivale ao seu carregamento: em ambos os casos contaminam a pessoa a ponto de esta contaminar vestes e utensílios, exceto pessoa e vaso de barro.
Sobre “merkav”: chama-se assim o suporte do arreio (o próprio arreio sobre o qual a pessoa cavalga chama-se “moshav”, assento, e é impuro por esse título; seu suporte chama-se merkav). Sobre “contamina mesmo sob uma pedra pesada”: se havia uma pedra grande sobre o suporte do merkav e o zav a segurava, ainda que seu peso não fosse perceptível sobre o merkav, o suporte sob a pedra se contamina como merkav.
Sobre “acima do merkav, o mishkav”: porque, além de o mishkav também se contaminar sob uma pedra pesada como o merkav, ele é ainda mais grave, pois seu contato equivale ao seu carregamento para contaminar a pessoa a ponto de contaminar vestes — está explicitamente escrito “e o homem que tocar seu objeto de deitar lavará suas vestes”, e, quanto ao carregamento, depois que a Torá menciona a lei do contato com o mishkav e do contato com o merkav, diz “e o que os carregar lavará suas vestes” — ficando claro que, no mishkav, tanto o contato quanto o carregamento exigem lavagem de vestes, mas no merkav a Escritura distingue: apenas o carregamento a exige, não o contato isolado.
Sobre “e objeto de deitar não faz objeto de deitar”: pois está escrito “todo objeto de deitar sobre o qual o zav se deitar ficará impuro” — o zav faz objeto de deitar, mas objeto de deitar não faz objeto de deitar; portanto, se o objeto de deitar do zav tocar utensílios, estes são apenas primeiro grau de impureza. Conclui-se assim que o próprio zav está acima do mishkav na escala desta mishná.