Get careca — qualquer um pode completá-lo, palavras de ben Nannas. Rabi Akiva diz: não o completam senão parentes aptos a testemunhar em outro lugar. E qual é o get careca? Todo aquele cujas dobras são mais numerosas que suas testemunhas. — A mishná fecha o perek explicando o get mekushar (amarrado) — um formato especial de get, dobrado em várias camadas e costurado, com uma testemunha assinando em cada dobra, em vez das duas testemunhas usuais assinando apenas ao final do documento. Esse formato foi instituído para dar tempo a maridos impulsivos — sobretudo sacerdotes de temperamento fácil, propensos a escrever um get de repente e se arrepender em seguida, mas incapazes de reavê-lo depois de entregue — de reconsiderar durante o processo mais lento e trabalhoso de dobrar e costurar múltiplas camadas. Um "get careca" (get kerêach) é um get mekushar defeituoso: um get em que o número de dobras excede o número de assinaturas de testemunhas, deixando uma ou mais dobras "carecas", sem a assinatura correspondente que deveriam ter. A mishná discute se e como esse defeito pode ser corrigido: ben Nannas sustenta que qualquer pessoa pode assinar para completar as dobras que faltam, "calvas" de testemunha — mesmo alguém normalmente desqualificado para testemunhar, como um escravo ou uma pessoa com histórico de transgressão —, porque a assinatura nas dobras intermediárias de um get mekushar não desempenha a mesma função probatória central que as assinaturas finais, servindo apenas para preencher formalmente a estrutura esperada do documento. Rabi Akiva discorda, permitindo apenas que parentes — pessoas que seriam válidas como testemunhas em qualquer outro contexto legal, mas que estão especificamente desqualificadas aqui apenas por serem parentes do marido, da esposa ou das outras testemunhas — completem as dobras que faltam; ele não permite, porém, que um escravo ou outras pessoas com desqualificação mais substancial o façam, por receio de que isso gere confusões públicas mais sérias sobre status pessoal ou sobre a validade de testemunhos em geral.
Rambam, no Perush HaMishná, explica a origem do nome "careca" e confirma que a lei segue ben Nannas apenas quanto a uma testemunha desqualificada; Bartenura detalha exatamente quem pode e quem não pode completar as dobras, e por quê.
Rambam explica que ben Nannas permite, em princípio, que até mesmo um escravo ou outra pessoa desqualificada para testemunhar assine para completar as dobras — mas a halachá, embora siga ben Nannas quanto ao princípio geral, restringe na prática essa permissão a apenas uma única testemunha desqualificada por get, com o restante das assinaturas permanecendo válidas. Rambam explica também a origem do nome "careca": o get é assim chamado porque suas dobras superam em número os testemunhas que assinaram, deixando uma ou várias dobras "carecas" — sem a assinatura que normalmente as acompanharia entre cada duas testemunhas.
Bartenura explica por que Rabi Akiva permite apenas parentes: um escravo desqualificado para testemunhar traz o risco de, no futuro, alguém invocar essa assinatura para elevá-lo indevidamente a um status de linhagem que ele não possui; e uma pessoa desqualificada por transgressão (como um ladrão) traz o risco de as pessoas concluírem, erroneamente, que ele já fez teshuvá e voltou a ser apto para testemunhar em geral. Já um parente, cuja desqualificação é conhecida por todos como sendo apenas de parentesco, não gera esse tipo de confusão pública — e por isso Rabi Akiva o permite. A halachá, no entanto, segue ben Nannas, que permite a qualquer pessoa completar as dobras que faltam.
Bartenura, na mishná anterior, já explica a origem do próprio formato do get mekushar — base necessária para compreender o get careca desta mishná — complementada aqui por Rambam. A Guemará (Guitin 81b) não traz, na versão de Rashi disponível para esta edição, comentário específico separado das explicações já citadas.
Bartenura explica a origem histórica de todo o instituto do get mekushar, essencial para compreender esta última mishná: os sábios instituíram esse formato de get dobrado e costurado, com testemunha em cada dobra, especificamente por causa dos sacerdotes de temperamento impulsivo, que costumavam escrever um get de repente para suas esposas e depois se arrepender, sem conseguir reavê-lo já entregue. Como o get mekushar exige escrever uma ou duas linhas, dobrar sobre o espaço em branco e costurar — repetindo o processo várias vezes —, ele é propositalmente mais lento e trabalhoso de produzir, dando tempo para que o marido se reconcilie com a esposa antes de completar e entregar o documento. É precisamente essa estrutura de múltiplas dobras com testemunhas intercaladas que torna possível o defeito do "get careca" discutido nesta mishná.
Rambam fecha o perek repetindo, em termos claros, a imagem que dá nome ao defeito: assim como a calvície deixa partes do couro cabeludo sem cobertura de cabelo, o get "careca" deixa uma ou mais de suas dobras sem a cobertura de uma assinatura de testemunha entre elas — uma metáfora visual precisa para o defeito estrutural que toda esta última mishná do Perek Chet se dedica a definir e a corrigir.
Com esta mishná encerra-se o Perek Chet de Massechet Guitin — dez mishnayot dedicadas aos modos de entrega do get além da mão direta, e aos defeitos que podem invalidá-lo: o get atirado ao pátio, à casa, ao colo ou à cesta da esposa; o get que chega às mãos dela sem declaração explícita do marido, e a esposa na via pública com o get perto dela, perto dele, ou meio a meio; a extensão desse princípio ao kidushin e à dívida, e o get atirado entre telhados; o get "velho", escrito antes de uma reclusão conjugal; o longo bloco de defeitos na data e no lugar de escrita, com a extensa lista de penalidades que se repete para as tzarot das arayot e da yevamá ailonit; o erro do escriba que trocou get por recibo, e o marido que escreveu para divorciar e reconsiderou; o divorciado que pernoita com a ex-esposa na pousada; e o encerramento com a definição precisa do get careca e quem pode completar suas dobras.