Os postes laterais de que falaram — como reparo alternativo à trave, capaz por si só de tornar o beco apto — sua altura é de dez palmos — a mesma altura mínima exigida de qualquer partição para que se considere uma parede legítima — e sua largura e espessura, de qualquer medida — por menores que sejam, mesmo finíssimos, desde que visíveis e capazes de sustentar sua própria altura. Rabi Yossei diz: sua largura deve ser de três palmos — opinião individual que exige uma largura mínima definida, e não aceita que qualquer espessura baste.
Dez palmos: a medida universal de uma partição no direito talmúdico. A altura mínima de dez palmos exigida do poste lateral não é uma medida arbitrária desta mishná: é a mesma altura mínima exigida de toda partição (mechitzá) reconhecida em todo o direito de Shabat — a mesma medida que define quando um espaço se qualifica como domínio próprio. Ao repetir aqui essa medida, a mishná integra as leis do beco à estrutura geral das leis de domínio erguidas em torno da proibição de Yirmiyahu 17:21-22.
O Rambam permite fazer o poste lateral com qualquer material, incluindo objetos com "sopro de vida", fixando apenas a altura mínima de dez palmos.
Com qualquer coisa se faz o poste lateral, mesmo com algo que tenha sopro de vida, e mesmo com objetos proibidos ao uso... pois a espessura do poste lateral é qualquer que seja. A altura do poste lateral não é menor que dez palmos, e sua largura e espessura, qualquer que seja.
A leniência material contrasta com o rigor da altura. O Rambam segue integralmente a mishná: enquanto a largura e a espessura do poste podem ser mínimas — permitindo até materiais normalmente proibidos ao uso, como veremos detalhado na próxima mishná —, a altura de dez palmos é inegociável, pois é ela que garante que o poste realmente funcione como partição reconhecível de acordo com a medida geral de toda mechitzá em direito talmúdico (Hilchot Shabat 17:12).
Os comentadores identificam esta mishná com a disputa entre Rabi Eliezer e os Sábios sobre o número de postes exigidos, e fixam a medida final adotada como halachá.
"Os postes laterais de que falaram, sua altura é dez palmos etc." — a medida mencionada aqui se refere aos postes sobre os quais discordaram Rabi Eliezer e os Sábios, pois um diz que basta um poste, e o outro diz que são necessários dois; mas ambos concordam que sua largura e espessura podem ser de qualquer medida. E já explicamos que a halachá não segue Rabi Eliezer, que exigia dois postes como o único reparo válido do beco; e do mesmo modo a halachá não segue Rabi Yossei.
E disse "sua altura é dez palmos" porque essa é a altura mínima exigida de todo beco, como já mencionamos; e mesmo que a altura do beco seja de vinte cúbitos, basta fazer o poste com altura de dez palmos.
"Os postes laterais de que falaram" — refere-se aos postes sobre os quais discordaram Rabi Eliezer e os Sábios: para Rabi Eliezer, são necessários dois postes; para os Sábios, basta um. E, seja qual for a opinião adotada quanto ao número, esta é a medida de altura exigida de cada um deles.
"A mishná; na Guemará: postes laterais em geral" — refere-se a todos os becos, sem exceção.
"Se é assim, a primeira parte, que ensinou 'a trave de que falaram' etc." — que ensinasse também 'as traves de que falaram', no plural, e se poderia dizer que também ali se referia às traves em geral, de todos os becos — questão que a Guemará resolve mostrando a diferença de formulação entre as duas mishnayot.