Se era de palha ou de canas — materiais frágeis, que normalmente não sustentariam o peso de um tijolo — vê-se como se fosse de metal — isto é, avalia-se sua capacidade de sustentar o tijolo não pela fragilidade real do material, mas hipoteticamente, como se fosse um material resistente; se, quando reto e firme, teria a largura e a firmeza exigidas, ela é apta, mesmo sendo de palha. Torta, vê-se como se fosse reta — mede-se a distância entre suas duas extremidades como se a curva não existisse. Redonda, vê-se como se fosse quadrada — pois um tijolo não se apoia bem sobre uma superfície cilíndrica; avalia-se, então, qual seria a largura da trave se ela fosse cortada em formato quadrado. Tudo o que tem em sua circunferência três palmos tem, em sua largura, um palmo — esta é a proporção matemática aproximada entre o perímetro de um círculo e seu diâmetro, usada para calcular, a partir da circunferência de uma trave redonda, sua largura equivalente quando quadrada.
Avaliação hipotética, não física: a essência do sinal rabínico. Esta mishná revela algo essencial sobre a natureza do reparo do beco: o que importa não é a resistência física real do material, mas se ele tem a forma e as proporções de algo que poderia sustentar um tijolo. Esse critério puramente formal — e não funcional — confirma que a exigência de lechi e korá é um sinal (hekher) visual e conceitual, erguido em torno da proibição bíblica de Yirmiyahu, e não uma barreira física real contra a transferência de objetos.
O Rambam registra o cálculo geométrico da proporção entre circunferência e largura, com a ressalva de que se trata de uma aproximação consagrada pela tradição.
Se a trave era torta, avalia-se como se fosse reta. Redonda, avalia-se como se fosse quadrada; e, se tinha em sua circunferência três palmos, tem em sua largura um palmo.
Uma proporção matemática aproximada, e não exata. No comentário à Mishná sobre este mesmo tema (ver Perush abaixo), o Rambam observa que a proporção entre a circunferência de um círculo e seu diâmetro nunca pode ser conhecida com exatidão absoluta — hoje reconhecida como o número π, irracional — mas os Sábios adotaram, para fins práticos de medida, a aproximação de três e um sétimo, simplificada aqui em três para um. Este é um dos raros momentos em que o Rambam, matemático além de codificador, explica abertamente a base geométrica de uma medida talmúdica.
O comentário do Rambam à Mishná é notável por explicar, com linguagem própria de um matemático, a base geométrica da proporção entre circunferência e diâmetro usada nesta mishná.
"Se era de palha ou de canas, vê-se como etc." — deves saber que a proporção entre o diâmetro do círculo e sua circunferência não é conhecida, e nunca se pode falar dela com exatidão absoluta... e já compuseram os sábios da geometria obras sobre isso, para conhecer aproximadamente essa proporção; e o caminho da demonstração aproximada sobre a qual se apoiam os sábios das ciências matemáticas é a proporção de um para três e um sétimo — todo círculo cujo diâmetro seja um cúbito terá em sua circunferência aproximadamente três cúbitos e um sétimo.
E como isso nunca se alcança senão aproximadamente, tomaram eles, para fins de cálculo simplificado, a proporção redonda, e disseram: tudo o que tem em sua circunferência três palmos tem em sua largura um palmo; e sobre isso se apoiaram no que precisaram para as medidas da Torá.
"Se era de palha ou de canas etc." — esta opinião, atribuída anonimamente aqui, é na verdade de Rabi Yehudá; mas a halachá não segue essa formulação específica de sua autoria, seguindo antes o consenso registrado no restante da mishná.
"Se era de palha etc." — é Rabi Yehudá quem o diz.
"Torta" — pois um tijolo não consegue se apoiar sobre ela.
"Redonda" — e um tijolo também não consegue se apoiar sobre ela, mas ela é grossa, de modo que, se fosse dividida ao meio, cada metade teria um palmo de largura; vê-se como se fosse quadrada — seja para invalidá-la, seja para dividi-la — e qual é a medida da trave redonda que a torna apta.
"Tudo o que tem em sua circunferência três palmos" — isto é, que precisa de um fio de três palmos de comprimento para envolvê-la ao redor — sabe-se com certeza que tem largura de um palmo.