No momento de sua morte, disse a seu filho: Meu filho, retrata-te das quatro coisas que eu costumava dizer. Disse-lhe ele: E por que tu mesmo não te retrataste? Disse-lhe: Eu ouvi da boca da maioria, e eles ouviram da boca da maioria. Eu me mantive firme na tradição que ouvi, e eles se mantiveram firmes na tradição que ouviram. Mas tu ouviste da boca de um único indivíduo, e da boca da maioria. É melhor abandonar as palavras do indivíduo isolado e se apegar às palavras da maioria. Disse-lhe: Pai, recomenda-me aos teus colegas. Disse-lhe: Não te recomendarei. Disse-lhe: Acaso encontraste em mim alguma iniquidade? Disse-lhe: Não. Os teus próprios atos te aproximarão, e os teus próprios atos te afastarão. — A última mishná do Perek Hei fecha o relato de Akavya ben Mahalalel com um ensinamento que se tornou clássico sobre o valor da tradição recebida e os limites da opinião individual. No leito de morte, Akavya pede ao próprio filho que abandone as quatro posições que ele — Akavya — jamais abandonara em vida. A pergunta do filho é natural: se seu pai nunca recuou, por que exige agora que ele o faça? A resposta de Akavya não é uma retratação disfarçada, mas uma distinção lógica precisa: ele mesmo recebeu sua tradição diretamente "da boca da maioria" — de muitos mestres, tanto quanto os que discordavam dele — e por isso tinha o mesmo direito de se manter firme nela que os Sábios tinham na sua. Mas seu filho recebeu a posição de Akavya apenas de um único indivíduo — o próprio pai — enquanto a posição da maioria lhe chega de muitas fontes; nesse caso, a balança pende claramente para a maioria. É um raciocínio sobre a força relativa das tradições, não sobre quem "tinha razão". Por fim, quando o filho pede uma recomendação pessoal aos colegas do pai, Akavya recusa — não por encontrar falha nele, mas porque, como diz a última frase da mishná e do próprio perek, são os atos de cada pessoa, e não o nome ou a recomendação de terceiros, que a aproximam ou a afastam da estima alheia.
Rambam observa uma sutileza na linguagem de Akavya: ele disse a seu filho "é melhor abandonar as palavras do indivíduo isolado" — e não disse que essa era, em termos absolutos, a obrigação halachica, embora o princípio da Torá seja "seguir a maioria". Akavya expressou-se assim porque também ele, o próprio Akavya, recebeu sua posição de uma pluralidade de mestres, como já foi dito; e não é condição necessária para que a tradição de alguém seja válida que ele próprio a tenha recebido "da maioria" — mas quando os que a receberam são muitos, e um único indivíduo recebeu de muitos [uma posição diferente], é mais adequado seguir as palavras daqueles que receberam da maioria, como o próprio Akavya explicou a seu filho. E fica claro que a lei não segue Akavya ben Mahalalel em nenhuma das quatro posições.
Bartenura explica: "as quatro coisas" são o cabelo depositado, o sangue verde, a lã caída do primogênito, e o dar de beber as águas amargas à convertida e à liberta. "É melhor abandonar as palavras do indivíduo isolado" — pois também ele [Akavya] recebeu sua posição da maioria, e suas palavras equivaliam às palavras da maioria; por isso disse "é melhor", e não "é obrigatório" — pois, se assim não fosse, que sentido teria dizer "é melhor"? Não é a própria Torá que diz "seguir a maioria", obrigando a abandonar as palavras do indivíduo isolado ainda que contra sua vontade? A razão de dizer "é melhor", e não "é obrigatório", é justamente porque também ele recebeu de uma maioria, como se explicou. E a lei não segue Akavya ben Mahalalel em nenhuma destas quatro coisas.