Rabi Yishmael diz: três coisas há das leniências de Beit Shamai e das estringências de Beit Hillel. O [livro] Kohelet não contamina as mãos, segundo as palavras de Beit Shamai. E Beit Hillel diz: contamina as mãos. As águas de purificação que já cumpriram seu preceito: Beit Shamai declara puras; e Beit Hillel declara impuras. O cominho-preto: Beit Shamai declara puro, e Beit Hillel declara impuro. E o mesmo quanto aos dízimos. — Rabi Yishmael reduz a lista a três casos. O primeiro toca uma questão central da canonização das Escrituras: se Kohelet — por seu tom por vezes cético — foi dito com inspiração divina como os demais Livros Sagrados, que "contaminam as mãos" (um decreto rabínico protetivo, para que se evitasse manusear rolos sagrados junto de alimentos de teruma). O segundo trata das águas de purificação misturadas com cinzas da vaca ruiva: depois de aspergidas sobre um impuro e cumprido seu papel, discute-se se as gotas restantes, ao pingarem no chão ou nas roupas, ainda contaminam quem as toca. O terceiro — o cominho-preto, tempero comum no pão — discute se, sendo pouco usado como alimento propriamente dito, está sujeito às leis de impureza alimentar e à obrigação de dízimos, ou se está isento delas.
Rambam explica: já se sabe que os Livros Sagrados contaminam as mãos; discute-se apenas se Kohelet se inclui entre os Livros Sagrados para este efeito ou não. Quanto às águas da chatat, explica-se ao final de Pará que, quando já foram aspergidas sobre o impuro e o purificaram, e depois escorrem de seu corpo para o chão ou para as roupas, quem toca nelas depois já não se contamina, pois já cumpriram seu preceito sobre ele.
O ketzach é chamado em árabe shuniz; Beit Shamai entende que não se considera parte dos alimentos, e por isso não se contamina, nem se obriga a dízimo pela mesma razão — por não ser alimento. Segundo Beit Hillel, porém, é alimento, e se sujeita às obrigações de alimento tanto quanto à impureza quanto aos dízimos.
Bartenura explica: "Kohelet não contamina as mãos" — pois, segundo Beit Shamai, é sabedoria de Salomão, e não foi dito por inspiração divina; Beit Hillel entende que Kohelet também foi dito por inspiração divina, e por isso contamina as mãos como os demais Livros Sagrados. "Que já cumpriram o seu preceito" — depois de aspergidas sobre o impuro e purificá-lo, se escorreram de seu corpo sobre uma pessoa ou sobre utensílios.
Ketzach é uma semente preta, chamada em língua estrangeira "nielle"; costuma-se colocá-la no pão, pois quem a consome habitualmente não sofre de dores no coração. Beit Shamai declara puro, por não a considerar alimento; Beit Hillel declara impuro, pois, sendo costume colocá-la nos alimentos, é considerada alimento. "E o mesmo quanto aos dízimos" — assim como discordam quanto à impureza, discordam também quanto aos dízimos, pois aquilo que contamina como alimento também obriga a dízimo.