Um animal que nasceu num dia de festa, todos concordam que é permitido; e um pintinho que saiu do ovo, todos concordam que é proibido. Aquele que abate um animal selvagem ou uma ave num dia de festa: Beit Shamai diz, cavará com uma estaca e cobrirá; e Beit Hillel diz, não abaterá a menos que já tenha terra preparada. Mas concordam que, se abateu, cavará com a estaca e cobrirá — pois a cinza do fogão está preparada. — A mishná abre com dois casos de consenso — um animal nascido em Yom Tov é permitido (pois um animal grande não é considerado "novo" da mesma forma que o ovo), enquanto um pintinho recém-saído do ovo é proibido, por ser assimilado à categoria de réptil recém-formado. O terceiro caso trata do mandamento bíblico de cobrir o sangue do abate de animal selvagem ou ave (Vayicrá 17): Beit Shamai permite cavar a terra com uma estaca no próprio Yom Tov para obter terra solta para a cobertura; Beit Hillel exige que a terra já esteja preparada de véspera, pois cavar é uma forma de trabalho não essencial à preparação de comida. Ambas as escolas concordam, porém, que a cinza de um fogão aceso na véspera já está preparada e pode ser usada para cobrir o sangue.
Rambam esclarece que a mishná não trata de alguém que já transgrediu e abateu, mas de alguém que pergunta de antemão como proceder no abate em Yom Tov. Segundo Beit Shamai, cava-se com a estaca e cobre-se — sob duas condições: que a estaca esteja fincada em terra solta, e que, ao ser removida, a terra saia junto; a permissão de Beit Shamai é para fazê-lo já de início (lechatchilá), não apenas depois do fato.
Quanto à cinza do fogão, não há disputa entre as escolas — é uma afirmação à parte: a cinza aceso desde véspera de Yom Tov está preparada e pode ser usada para cobrir; mas se a lenha foi acesa no próprio Yom Tov para cozinhar, a cinza resultante só pode ser usada enquanto ainda estiver quente, o suficiente para assar um ovo — pois então ainda serve para cozinhar, e é permitido movê-la; uma vez fria, é proibido movê-la, por ser considerada "recém-formada" (nolad).
Bartenura observa que o animal recém-nascido só é permitido quando se sabe que o feto já havia completado seus meses de gestação antes do Yom Tov; e o pintinho é proibido por ser considerado uma "coisa que se arrasta" (sherets ha-of). No caso do abate: um homem que pretende abater um animal selvagem ou uma ave em Yom Tov e consulta o tribunal sobre como proceder — Beit Shamai instrui que se pode abater já de início e cavar com uma estaca fincada de véspera, arrancando-a e levantando terra solta o suficiente para cobrir; "estaca" (deker) é a cavilha que se finca na terra, como em "e o traspassou (vayidkor) a ambos" (Bamidbar 25).
A frase sobre a cinza do fogão não se refere à disputa entre as escolas, mas é uma afirmação independente: a cinza está preparada apenas se o fogo foi aceso na véspera de Yom Tov; se foi aceso no próprio dia, é proibido usá-la, pois não se pode dizer que já se tinha essa intenção desde ontem — a menos que ainda esteja quente o bastante para assar um ovo, caso em que, por já servir para cozinhar, também se permite usá-la para cobrir o sangue.