A cativa come da terumá — palavras de Rabi Dosa ben Harkinas. Mas os Sábios dizem: há cativa que come, e há cativa que não come. Como assim? A mulher que disse: "fui cativada, mas sou pura" — ela come, pois a boca que proibiu é a mesma boca que permitiu. Mas se há testemunhas de que foi cativada, e ela diz: "sou pura" — ela não come. — O caso trata da esposa (ou filha) de um sacerdote que foi feita cativa por um não judeu, situação que gera a suspeita de que tenha sido violada e, portanto, desqualificada para comer terumá — a porção sacerdotal — como qualquer mulher que se tornou "zoná" (profanada). Rabi Dosa permite que ela coma sem qualquer ressalva, apenas com base em sua própria palavra. Os Sábios distinguem: se é a própria mulher quem revela, por conta própria, que foi cativa, e ao mesmo tempo afirma que permaneceu pura, sua palavra é aceita integralmente — aplicando o princípio de que "a boca que proibiu é a boca que permitiu" (o mesmo relato que criaria a proibição também a resolve, pois ninguém é obrigado a contar sobre si mesma). Mas se o cativeiro já é conhecido por testemunhas externas, e apenas a alegação de pureza vem da própria mulher, sua palavra sozinha não basta para permitir que coma terumá.
Rambam explica que, quando a mulher diz "fui cativada, e sou pura", ela é crível com base no princípio fundamental de que "a boca que proibiu é a boca que permitiu". O motivo pelo qual o cativeiro em si a desqualificaria é a suspeita de que o não judeu que a capturou tenha se relacionado com ela, tornando-a "zoná" — como se explica no último capítulo de Kidushin. A Halachá não segue Rabi Dosa.
Bartenura identifica "a cativa" como a esposa (ou filha) de um sacerdote que foi cativada. "Come da terumá": segundo Rabi Dosa, não há suspeita de que o não judeu tenha se relacionado com ela e a tornado uma "zoná", desqualificando-a. "Pois a boca que proibiu é a boca que permitiu": assim como se acredita nela quando diz "fui cativada" — informação que, por si, a prejudicaria — também se acredita nela quando acrescenta "e sou pura".