Alimento disperso não se combina — palavras de Rabi Dosa ben Harkinas. Mas os Sábios dizem: combina-se. Resgata-se o segundo dízimo com metal não cunhado — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: não se resgata. Imergem-se as mãos para a água da purificação — palavras de Rabi Dosa. Mas os Sábios dizem: se suas mãos se contaminaram, todo o seu corpo se contaminou. — Três testemunhos independentes de Rabi Dosa ben Harkinas, cada um contestado pelos Sábios. No primeiro, trata-se de alimentos impuros amontoados mas fisicamente separados uns dos outros — como nozes ou amêndoas empilhadas — cada um sem a medida mínima (o volume de um ovo) para contaminar; Rabi Dosa sustenta que, por estarem separados, não se somam para formar essa medida, enquanto os Sábios sustentam que se somam. No segundo, trata-se do segundo dízimo (maasser sheni), que a Torá permite resgatar apenas por dinheiro cunhado (com uma imagem, "צורה"); Rabi Dosa permite o resgate mesmo com metal ainda não cunhado (assimon), o que os Sábios rejeitam. No terceiro, trata-se de quem tocou em algo que contamina apenas as mãos (sem contaminar o corpo inteiro) e precisa se purificar para tocar nas águas da purificação (mei chatat, feitas com as cinzas da vaca vermelha); Rabi Dosa permite imergir só as mãos, mas os Sábios instituíram uma medida adicional de rigor: se as mãos se contaminaram, todo o corpo é considerado contaminado, exigindo imersão completa.
Rambam explica que "alimento disperso" se refere a alimentos impuros cujas partes estão separadas, mas amontoadas num mesmo lugar — como nozes, pistaches ou pinhas — quando o monte inteiro reúne o volume de um ovo (a medida de contaminação de alimentos), mas nenhuma peça sozinha atinge essa medida. Rabi Dosa sustenta que, por estarem dispersos, nunca se combinam para formar a medida, mesmo quando um único corpo entre eles já teria o volume de um ovo.
Sobre o assimon: é prata sem imagem cunhada, ainda não transformada em moeda; a Torá (Devarim 14) exige "embrulhar o dinheiro em tua mão" — algo que já tem uma imagem gravada — para o resgate do dízimo. Sobre a imersão das mãos: quem tocou em alimentos ou líquidos impuros que contaminam apenas as mãos pode, segundo Rabi Dosa, imergir só as mãos e ficar apto a tocar as águas da purificação; mas os Sábios instituíram que, para essas águas especificamente, a contaminação das mãos se estende a todo o corpo, exigindo imersão completa — o que não ocorre com a terumá e outras coisas sagradas. A Halachá não segue Rabi Dosa em nenhum destes três pontos.