Hilel diz: um hin cheio de águas retiradas invalida o mikvê — mas a pessoa é obrigada a falar na língua de seu mestre. E Shamai diz: nove cavim. E os Sábios dizem: nem segundo as palavras deste, nem segundo as palavras daquele — até que vieram dois tecelões do Portão do Lixo, que havia em Jerusalém, e testemunharam em nome de Shemaiá e Avtalyon: três login de águas retiradas invalidam o mikvê. E os Sábios confirmaram as suas palavras. — Terceira disputa da série sobre medidas: aqui, porém, a questão não se resolve pela lógica intermediária habitual dos Sábios, mas por um testemunho externo — dois tecelões de ofício humilde, vindos de um bairro humilde, que relataram a tradição recebida de Shemaiá e Avtalyon (os mestres de Hilel e Shamai) fixando a medida em apenas três login, muito menor que as propostas anteriores. Este caso prepara o terreno para a mishná seguinte, que explica por que se registram opiniões rejeitadas.
Rambam explica que Shemaiá e Avtalyon foram os mestres de Shamai e Hilel, como se explica no tratado Avot; eram prosélitos, e restava em sua fala o sotaque estrangeiro, de modo que diziam "in" no lugar de "hin". Hilel, tendo aprendido com eles, repetia a mesma pronúncia — e é isto que ensinaram nossos Sábios: "a pessoa é obrigada a falar na língua de seu mestre". O hin equivale a três cavim, isto é, meio se'ah mais um log.
Quanto aos "tecelões", Rambam nota que a lei foi decidida conforme o testemunho desses dois artesãos — cujos fundamentos se explicarão ainda no tratado Mikvaot. E observa que a mishná, ao trazer as três primeiras disputas de medidas (sem que a lei siga nenhuma das opiniões extremas), prepara o padrão que o restante do capítulo seguirá: casos em que Shamai concorda com os Sábios, casos em que discorda, e casos em que Beit Hilel voltou atrás para ensinar como Beit Shamai — encerrando com o próprio tema dos testemunhos (edviot), que dá nome ao tratado.
Bartenura explica que o hin são doze login, e que as águas retiradas invalidam o mikvê apenas se caírem nele antes de completada a medida legal de quarenta se'im — depois de completada, mesmo que se lance nele toda a água retirada do mundo, ela não mais o invalida.
"Que a pessoa é obrigada a falar na língua de seu mestre" — pois "hin" é linguagem da Torá, não da Mishná; mas Hilel assim ouviu de seus mestres. Bartenura relata a tradição recebida de Rambam por seu pai: como Shemaiá e Avtalyon eram prosélitos justos, não conseguiam pronunciar certas consoantes guturais, e diziam "in" no lugar de "hin" — e Hilel repetia a mesma pronúncia de seus mestres.
Sobre os "tecelões, do Portão do Lixo": Bartenura observa que a Mishná menciona deliberadamente o ofício humilde e o bairro humilde desses dois homens, para ensinar que ninguém deve se abster de frequentar a casa de estudo por se considerar de pouca importância — pois não há ofício mais modesto que o de tecelão, do qual nunca se constituiu rei nem sumo sacerdote, nem portão mais modesto em Jerusalém que o do Lixo; e, ainda assim, o testemunho desses dois prevaleceu sobre todos os sábios de Israel.