O membro e a carne pendentes em um animal impurificam com impureza de alimento em seu lugar, e precisam de preparo. Se o animal foi abatido, foram preparados por seu sangue — palavras de Rabi Meir. Rabi Shimon diz: não foram preparados.
— Um membro ou pedaço de carne parcialmente arrancado, mas ainda pendente e preso ao animal vivo por uma fração, não tem o estatuto pleno de membro ou carne separada do corpo vivo. Enquanto pendente, se alguém pretende comê-lo, ele já pode receber e transmitir impureza de alimento, mesmo continuando fisicamente ligado ao animal — mas, como todo alimento, precisa primeiro de hechsher, o contato com um dos sete líquidos que tornam um alimento sujeito a se contaminar. Rabi Meir sustenta que o sangue que jorra do abate do animal já serve, ele mesmo, como esse líquido preparador para o membro ou a carne pendente; Rabi Shimon nega, exigindo contato com outro líquido, alheio ao próprio corpo do animal.
Se o animal morreu, a carne precisa de preparo. O membro impurifica como membro de animal vivo, mas não impurifica como membro de carcaça — palavras de Rabi Meir. E Rabi Shimon declara puro.
— Quando o animal morre sem ser abatido, a carne pendente segue precisando de preparo por outro líquido, pois sua morte não a torna carcaça: por ser considerada como se já tivesse se destacado do corpo vivo antes da morte, seu estatuto continua sendo o de carne separada de animal vivo — que é pura. O membro pendente, porém, mantém o estatuto de membro separado de animal vivo, que a Torá equipara à carcaça para impurificar quem o toca; mas, precisamente por essa mesma lógica de que a morte o considera já destacado antes de morrer, ele não chega a adquirir o estatuto adicional de membro de carcaça propriamente dita. Rabi Shimon, que interpreta a palavra “alimento” da Torá como exigindo que o item seja algo que se poderia licitamente dar a comer a um gentio, declara puro tanto a carne quanto o membro pendentes; a lei segue Rabi Meir em ambos os pontos.
Rambam explica que “pendentes” significa suspensos, como se já não fizessem parte do animal, na condição de que seja impossível que voltem a colar-se ou a cicatrizar de algum modo. Recorda que alimentos só se tornam suscetíveis à impureza depois do preparo, e que, se o animal foi abatido e dele saiu sangue, sua carne já foi preparada por esse sangue — como se explicou no segundo capítulo deste tratado. Explica a diferença entre membro de animal vivo e membro de carcaça: o membro de animal vivo impurifica por inteiro, mas a carne ou o osso do tamanho de um grão de cevada que dele se separam não impurificam; já o que se separa de um membro de carcaça impurifica com um kazait, exatamente porque provém de carcaça. Por isso, quando o animal morre com a carne pendente de modo que já não possa colar-se, ela precisa de preparo, e então recebe impureza de alimento, já que é carne de animal vivo e não impurifica como carcaça. E o que diz Rabi Shimon, que declara puro, refere-se a essa carne pendente: Rabi Shimon sustenta que não se torna impura de forma alguma, pois está escrito “de todo alimento que se come” — alimento que se pode dar de comer a outros —, e essa carne, estando presa ao animal, não se enquadra nessa definição. A lei segue Rabi Meir em ambos os casos.
Bartenura explica que “o membro e a carne pendentes” se referem a um membro — carne, tendões e ossos — ou apenas carne, arrancados do animal mas ainda em parte unidos a ele. Há diferença entre membro de animal vivo e carne de animal vivo: o membro impurifica pessoas e utensílios como carcaça, mas a carne que não é membro completo permanece totalmente pura — derivação do versículo “e quando morrer algum dos animais”, entendido como referindo-se a uma parte do animal, como um membro seu. Sobre “impurificam impureza de alimentos”, explica que, se alguém pensou em dá-los de comer a um gentio, tornam-se alimento apto a receber e a transmitir impureza. “Precisam de preparo” significa entrar em contato com água depois de pendurados, e então recebem impureza para sempre. Se o animal foi abatido, ficaram puros quanto à impureza de carcaça — ainda que proibidos para consumo —, pois o abate não faz o membro “cair”. Se o animal morreu, a carne pendente precisa de preparo para receber impureza de réptil, pois não tem impureza de carcaça — já que a morte faz o membro ou a carne pendente “cair”, como se já tivesse se separado do animal vivo antes de sua morte. Há diferença entre membro de vivo e membro de carcaça: a carne que se separa de um membro de animal vivo não impurifica, enquanto a carne que se separa de um membro de carcaça impurifica como a que se separa da própria carcaça. Rabi Shimon declara puro porque interpreta “de todo alimento que se come” como exigindo que se possa licitamente dá-lo de comer a um gentio, excluindo o membro e a carne pendentes, proibidos por serem de animal vivo; a lei segue Rabi Meir em ambos os casos.
Rashi explica que “pendentes no animal” significa que se arrancou dele um membro — carne, tendões e ossos —, ou apenas carne, permanecendo ainda em parte unidos ao corpo; e que há diferença entre membro de animal vivo e carne de animal vivo: o membro impurifica pessoas e utensílios como carcaça, e a carne que não é membro permanece totalmente pura. Explica que “em seu lugar” significa que, mesmo ainda unidos, se alguém pensou em dá-los de comer a um gentio, tornam-se aptos a receber impureza e a transmiti-la a outros — pois, embora não tenham impureza própria enquanto não se destacarem por completo, recebem impureza de um réptil e a transmitem. E que “precisam de preparo” significa entrar em contato com água uma vez depois de pendurados, e então recebem impureza para sempre.