O ovo do réptil no qual já se formou o embrião é puro. Se foi perfurado, em qualquer medida, é impuro.
— Entre os oito répteis que impurificam por morte, alguns põem ovos; quando dentro do ovo já se formou o esboço do corpo do filhote, o ovo permanece puro, porque é fisicamente impossível tocar diretamente esse embrião selado em seu interior — e a casca isolada não é, ela mesma, o corpo do réptil. Mas, se o ovo for perfurado, ainda que com o menor orifício, a casca passa a servir de proteção que dá acesso, ao menos em potência, ao conteúdo interno, e então o toque na casca já impurifica como se tocasse o embrião.
O rato que é metade carne e metade terra: aquele que toca na carne é impuro; na terra, é puro. Rabi Iehudá diz: também aquele que toca na terra que está em frente à carne é impuro.
— A mishná trata de uma criatura que os sábios da época descreviam como gerada espontaneamente da própria terra, como vermes de um monturo, e que por vezes é encontrada com a formação ainda incompleta — metade já constituída como carne de rato, metade ainda terra bruta. A porção já formada como carne tem o estatuto pleno de réptil morto, e quem a toca torna-se impuro; a porção que permanece terra não tem esse estatuto, e o toque nela não impurifica. Rabi Iehudá amplia a impureza também à terra que está exatamente em frente à porção de carne — tratando-a, nesse ponto específico, como protetora do corpo formado, de modo análogo à pele ou ao pelo que protegem a carne nas mishnayot anteriores; mas a lei não o segue.
Rambam explica que “formado” (merukemet) significa que já há na casca o esboço da figura do ser vivo, com seus membros dentro do ovo, conforme está escrito “o que fiz em segredo, fui tecido nas profundezas da terra”. E, quanto à geração do rato apenas a partir da terra, registra que é fenômeno muito conhecido — inúmeras pessoas lhe relataram tê-lo presenciado —, ainda que a existência de tal ser seja algo surpreendente e sem explicação evidente.
Bartenura explica que, entre os oito répteis, há os que põem ovos — como a tartaruga, a letaá e o chomet. “Formado” significa que já se gerou nele um filhote; e é declarado puro porque é impossível tocar o filhote que está no interior. Quando perfurado em qualquer medida, torna-se impuro mesmo sem contato direto, pois a proteção leva a impureza para dentro e para fora quando é possível, ao menos em princípio, tocar a impureza mesma. Sobre o rato metade carne, metade terra, explica que existe uma espécie que não se reproduz por geração comum, mas nasce espontaneamente da terra, como um monturo que gera vermes; e, quando a formação do rato ainda não se completou — faltando o lado direito ou esquerdo —, quem toca na carne já formada é impuro, e quem toca na terra ainda não transformada permanece puro. A lei não segue Rabi Iehudá.
Rashi explica que, entre os oito répteis, há os que põem ovos — a tartaruga, a letaá e o chomet. “Formado” significa que já nasceu nele um filhote, e por isso é declarado puro, já que é impossível tocá-lo diretamente; mas, se perfurado em qualquer medida, torna-se impuro mesmo sem contato, porque a proteção conduz a impureza para fora. Descreve ainda a espécie de rato que não se reproduz, mas nasce espontaneamente da terra, como um monturo que gera vermes; quando o rato ainda não se formou por completo, faltando o lado direito ou esquerdo, quem toca na carne já formada é impuro, e na terra correspondente é puro.