Sangue que respinga [para fora] e o que fica na faca — é obrigado a cobrir. Disse Rabi Yehudá: quando? Quando não há ali sangue senão esse. Mas se há ali sangue que não é esse, está isento de cobrir.
— Durante a degola, parte do sangue costuma respingar para fora da cova ou do recipiente onde o abate é feito, ou ficar retido na lâmina da faca. A mishná afirma, na sua regra básica, que essas porções também estão sujeitas à mitzvá de cobertura, como qualquer outro sangue do abate. Rabi Yehudá limita essa obrigação a um caso específico: quando o sangue que respingou ou ficou na faca é o único sangue restante daquele abate — por exemplo, se todo o resto já foi coberto ou já se perdeu. Mas se ainda há, no mesmo local, uma quantidade principal de sangue ainda descoberta, então o respingo isolado na faca ou fora da cova é considerado secundário a esse sangue maior, e a cobertura de um única cobre tudo — não havendo, portanto, obrigação separada para essa porção isolada.
Rambam observa que Rabi Yehudá, nesta mishná, não está discordando da regra dos sábios, mas apenas explicando e precisando os termos exatos em que ela se aplica — distinguindo o caso em que o sangue respingado é o único sangue restante daquele em que há ainda outro sangue principal descoberto no local. E, sendo apenas um esclarecimento e não uma disputa, a haláchá segue Rabi Yehudá nessa precisão.
Bartenura esclarece que “sangue que respinga” refere-se, por exemplo, ao sangue que salpica sobre uma parede próxima durante o abate. E confirma que a pergunta de Rabi Yehudá — “quando?” — vem apenas para esclarecer os termos exatos da regra dos sábios, e não para discordar dela.
Rashi precisa que “sangue que respinga” é aquele que salta para fora da cova onde o animal foi abatido e onde normalmente se recolhe o sangue para cobertura.